Pirajuí – Um travesti de 25 anos foi assassinado ontem de madrugada, com uma facada nas costas, no Centro de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). A polícia informou que já tem um suspeito do crime mas, até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.
Conforme apurado pelo JC junto a testemunhas, a vítima seria Francesco Felipe Vieira Pinho, mais conhecido por ‘Tchesca’. Por razões a serem esclarecidas, a vítima teria sido atingida na altura do pulmão por um único golpe, por volta das 4h50, na altura do numeral 7 da rua Rachid Cury.
O travesti não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Uma testemunha contou à polícia que, momentos antes, havia visto um jovem de 22 anos com faca semelhante a encontrada ao lado do corpo da vítima. Apesar das buscas feitas pela Polícia Militar (PM), o suspeito não foi encontrado.
Segundo a PM, por volta das 2h, uma viatura havia abordado o jovem de 22 anos com uma faca, que foi apreendida e apresentada na delegacia. A reportagem tentou conversar com o delegado-adjunto de Pirajuí, Amir Ibrahim Junior, mas ele disse que as investigações seguem sob sigilo.
O presidente interino da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), Rick Ferreira, informou ontem que iria analisar o boletim de ocorrência, registrado em Pirajuí, para identificar se o homicídio apresenta indícios de homofobia, ou crime de ódio.
De acordo com ele, levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia apontou que, a cada um dia e meio, um homossexual é morto vítima de ódio no Brasil. “Isso nos coloca como o país mais violento na questão da homofobia”, afirma.
Ferreira destaca que, na maioria das vezes, as pessoas associam a figura do travesti à de uma profissional do sexo. “Por incrível que pareça, muitos dos travestis que chegam até a gente pela associação não são profissionais do sexo”, diz.
Na região, este é o terceiro caso no ano de assassinato contra travestis. Em Bauru, o cabeleireiro Josimar Ferreira Severino, a ‘Safira’, foi executado com cinco tiros em 8 de janeiro. Em 30 de junho, Carlúcio de Oliveira, de 40 anos, o ‘Camila de Vison’, foi morto com duas facadas na Vila Antártica.