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Malavolta Jr. |
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Para Márcia " Viver exige bom humor" |
“Um desafio? Eu tive um aneurisma cerebral há oito anos. Quando algo do tipo acontece, você passa a dar mais valor à vida”. Foi com bom humor, característica marcante de sua personalidade, que a empresária Márcia Della Barba Pereira recebeu a equipe do JC em sua casa para um bate-papo onde relembrou bons momentos de sua infância, adolescência, além de destacar os principais momentos de sua vida profissional e pessoal.
Menina de infância agitada, Márcia cresceu ao som dos antigos e animados Carnavais de Bauru, festas que deixaram saudade: “Fazíamos blocos enormes, com mais de 100 pessoas. Meu pai, Guerino Della Barba, era diretor do Bauru Tênis Clube (BTC) e liberava a casa, além de participar com a gente”, recorda-se.
Casada há 30 anos com o também empresário Alceu Pereira Filho, ela começou sua vida profissional no setor calçadista, onde fez a moda dos pés das bauruenses com as lojas Márcia Calçados e Arezzo.
Antes disso, as passarelas, revistas e até a TV foram palco da beleza da moça que arriscou na carreira de modelo, profissão que abdicou pelo casamento e família.
Mas foi na arte de produzir sabores que ela se encontrou. Dona do restaurante Alex, a entrevistada de hoje também fala sobre viagens, família e trabalho voluntário.
Jornal da Cidade - Infância e adolescência.
Márcia Della Barba Pereira - Quando nos mudamos para Bauru eu tinha apenas 3 anos de idade. Eu era muito moleque quando criança. Tinha muitos amigos garotos e vivia andando de carrinho de rolimã, patins... Gostava muito de “esquiar” no rio Tietê, onde meu pai tinha um rancho. Fui uma criança bem ativa, de rua mesmo (risos). Era apaixonada pelos antigos carnavais. Era a maior animação, muito bom mesmo. Fazíamos blocos enormes, com mais de 100 pessoas, e a concentração era na casa dos meus pais. Meu pai, Guerino Della Barba, era diretor do Bauru Tênis Clube (BTC) e liberava a casa, além de participar com a gente. Saudade daquela época.
JC - Viveu muitas aventuras nessa época?
Márcia - Eu entrei para a Faculdade de Administração, mas não deu certo. Entrei para a Faculdade de Letras e, por fim, fui para São Paulo cursar tradução e intérprete. Morei por dois anos em São Paulo, um período sozinha, e depois com meu irmão, Luiz, que também estava lá estudando. Foi um período difícil, mas bom. Por outro lado, eu já estava acostumada a viver longe de casa por ter morado um tempo nos Estados Unidos.
JC - Foi nessa época que você trabalhou como modelo?
Márcia - (Risos) Foi, sim. Essa história começou porque meu irmão adorava fotografar, fez um book meu e levou a uma agência que me chamou para alguns trabalhos. E eu achei legal fazer. Mas essa história durou apenas um ano, em São Paulo. Depois até fiz alguma coisa aqui, em Bauru. No geral, fotografei para a Coca-Cola, capa da Tilibra, para a revista Cláudia e até algumas propagandas de TV.
JC - E quando parou de modelar?
Márcia - Parei de modelar porque eu me casei e assumi a loja que era dos pais do meu marido, por coincidência chamada “Márcia Calçados”, na verdade também era uma fábrica de sapatos exclusivos. Tínhamos essa loja no Calçadão da Batista, que ainda nem era um calçadão. Depois veio o Bauru Shopping e montamos uma unidade também lá. E quando a Arezzo procurou um franquiado em Bauru, representamos a marca.
JC - Viver fora do País foi uma boa experiência?
Márcia - Eu fiz aquele programa de intercâmbio. Fiquei em Louisiania por seis meses e minha “irmã americana” ficou aqui outros seis. Isso em 1976, eu tinha 16 anos. Foi uma experiência interessante. Adorei. Inclusive ainda tenho contato com minha irmã americana.
JC - Família.
Márcia - Estou casada com o Alceu há 30 anos. Eu tinha acabado de voltar dos Estados Unidos e ele era o DJ da boate do Bauru Tênis Clube (BTC). Foi ali que tudo começou e estamos juntos desde então. Temos três lindos filhos e gosto de me dedicar a eles. Eu comecei a fechar o restaurante Alex aos domingos há um ano, e os clientes estão bravos (risos). Mas eu queria me dedicar à família. O engraçado é que eu fico em casa fazendo comida. Mas chamo meus pais, irmãos e tudo vira uma festa.
JC - ‘Dos calçados às panelas’. Como foi essa transição?
Márcia - Trabalhamos no setor calçadista por cerca de 15 anos. Esse foi um período importante. Trouxe muita moda a Bauru e gostava de trabalhar com isso. Bom, paralelamente às lojas, eu montei um restaurante, o Mr. Beans, no Calçadão. Eu tinha dois pontos lá e um se transformou em restaurante. Na época, eu estava com o restaurante, a loja do Centro e duas no shopping, a Márcia Calçados e a Arezzo. Foi aí que o dono da Arezzo disse que, ou cuidávamos dos sapatos ou do restaurante. Ele achava que cuidar dos dois negócios seria difícil. E ele tinha razão.
JC - E por que optou por produzir sabores?
Márcia - Ah, eu estava muito feliz com o restaurante e vendi a Arezzo para minhas irmãs Érica e Yara, que continuam até hoje. Eu sempre gostei de cozinhar. Quando penso em minha infância, também lembro-me das comidas italianas maravilhosas que minha avó fazia, como o latugue, que faço até hoje. Minha avó fazia e guardava em grandes latas. Ela me ensinou a fazer comidas simples e maravilhosas, como polenta, carne de panela que derrete na boca, carne de porco... Comia tudo isso nas férias. Cresci na fazenda com minha avó. Passava todos os períodos livres com ela.
JC - Então, sua avó foi sua grande professora?
Márcia - Posso dizer que sim. Mas eu comecei a tomar gosto pela cozinha mesmo quando eu morei em São Paulo com meu irmão. Eu ficava horas com minha mãe ao telefone perguntando como fazia feijão, por exemplo. Ela me passava as receitas da minha avó dizendo “um punhado disso, um punhado daquilo...” (risos).
JC - O restaurante Alex veio quando?
Márcia - Quando encontrar estacionamento no Centro da cidade começou a ficar difícil. Aí os clientes começaram a pedir para mudarmos de endereço. Foi quando abri o Alex e continuei com o restaurante do Calçadão, isso por um ano. Mas a dedicação aos dois restaurantes ficou difícil e eu fiquei só com o Alex. E temos também o Jeribá, tocado pelo meu marido já há algum tempo.
JC - E já que cozinhar é fundamental em sua vida, qual é o seu prato preferido?
Márcia - Ovo frito (risos). Na verdade, eu já cozinhei tanto, já fiz tantos pratos que, hoje, prefiro as comidas simples.
JC - Você acompanhou as mudanças do Centro de Bauru. Como avalia essas transformações?
Márcia - Pegamos um tempo em que ainda não havia calçadão na Batista. As pessoas paravam os carros nas ruas para passear. Foi difícil a transformação. Alguns lojistas faziam abaixo assinado contra o Calçadão. Mas ficou bom, ainda é o melhor centro comercial de Bauru, até mesmo para passear pelo comércio. Mas falta estacionamento.
JC - Além de cozinhar, você diz que viajar é outro hobby.
Márcia - Já é tradição viajarmos em família uma vez por ano. Uma vez fomos até Fortaleza de carro com outras duas famílias. Foi bacana porque mostramos para as crianças uma parte do que é o “Brasilzão”, com suas diferenças culinárias, musicais, folclóricas... Sou apaixonada pelas belezas naturais brasileiras, como Fernando de Noronha, Morro de São Paulo/BA e Farol de Santa Marta/SC. Eu e meu marido também gostamos de experimentar cervejas de diferentes lugares do mundo (risos).
JC - Um desafio.
Márcia - Eu tive um aneurisma cerebral há oito anos. Operei e brinco que não me quiseram lá em cima. Acredito que ainda tenho muito a fazer por aqui. Quando algo do tipo acontece, você passa a dar mais valor à vida.
JC - E por falar em muito a fazer, você é voluntária do Lar Escola Santa Luzia para Cegos, certo?
Márcia - Sim, inclusive fui vice-presidente por muitos anos. Eles me ensinaram a ver o mundo de outra maneira. Eu me sinto bem, feliz por ajudar e infeliz quando não consigo ir por algum motivo.
JC - Novos planos?
Márcia - Estou em um momento tranquilo, tempo de tirar o pé do acelerador e deixar os negócios por conta dos filhos. Eles decidiram trabalhar conosco espontaneamente e ficamos felizes com isso. Gosto de brincar com o jornalista Luciano Dias Pires que, desde que ele passou a colocar fotos minhas no “Bauru Ilustrado”, comecei a pensar em aposentadoria (risos).