08 de julho de 2026
Geral

Passeata estimula doação de órgãos

Lilian Graziela
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem de manhã, membros da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) e da Comissão de Humanização da Associação Hospitalar de Bauru participaram de passeata no Calçadão da Batista de Carvalho com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos. Atualmente, de acordo com a AHB, em todo o mundo, a demanda de rim, fígado e coração chega a 1 milhão por ano.

O evento integra as comemorações pelo Dia Nacional do Doador de Órgãos para Transplantes, que ocorreu no dia 27. Com cartazes e camisetas, às 10h, dezenas de pessoas saíram da Praça Machado de Melo e percorreram o Calçadão até a Praça Rui Barbosa entregando aos populares folhetos com informações sobre o que é preciso para ser um doador, de que forma é feita a captação, distribuição e doação e quais os órgãos que podem ser transplantados, entre outras questões.

A médica nefrologista Tereza Pfeifer, do setor de Hemodiálise do Hospital de Base (HB), que acompanhou a passeata, explica que as doações ainda são pequenas em relação à demanda. Em todo o país, segundo ela, 1.800 pessoas aguardam doação de fígado, 200 de coração, 160 de pulmões e 8.682 de pâncreas, rins e córneas. No caso dos pacientes com morte encefálica, para que a captação dos órgãos seja feita, basta que a família assine um termo autorizando a doação.

“A doação de órgãos é de fundamental importância hoje num país que tem cerca de 90 mil pessoas que fazem diálise. E, dessas, pelo menos 25 mil estão em lista ativa aguardando órgão de cadáver”, diz. “Finalmente, está quase zerando a fila no Estado de São Paulo para córnea. Mas os outros transplantes dependem ainda dessa demanda que falta ser suprida”.

De acordo com Pfeifer, ainda falta conscientização por parte das pessoas sobre como funciona a doação. “O que a gente pede é que as pessoas comuniquem seus familiares sobre a questão da doação de órgãos e se elas têm interesse de serem doadoras após a morte, que é irrevogável, mas pode representar luz e vida para tantos que dependem de fígado, coração e pulmões, que não têm como serem supridos por método artificial”.


Disfunções renais

A médica ressalta que, no caso das lesões renais, o controle é fundamental para que a doença não se torne crônica. “Nós temos no país mais de 2 milhões de pessoas que têm algum grau de disfunção renal e, pior que isso, cerca de 60 a 70% dessas pessoas desconhecem que são portadoras de lesão renal”, revela. “O que a Sociedade de Nefrologia propõe é um programa de saúde renal onde se tenha vigilância, prevenção, detecção precoce, tratamento e controle”.

Segundo a especialista, na maioria das vezes, a insuficiência renal crônica é causada pela hipertensão e pela diabetes. “É preciso que esses pacientes cobrem dos seus médicos, clínicos e cardiologistas, que chequem a função renal pelo menos uma vez por ano”, orienta. “Isso é realizado por exames simples como uma Urina 1, dosagem de Ureia e Creatinina, que são exames baratos e ficam prontos até no mesmo dia”.

 

Números

Em Bauru, segundo dados da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), de janeiro até agosto deste ano, foram captados órgãos de 35 doadores viáveis (32,4 por milhão de pessoas), número bem superior ao da Grande São Paulo (25,3 por milhão de pessoas).

“Nesses oito meses, nós obtivemos 16 doadores de múltiplos órgãos”, conta a médica Tereza Pfeifer. “Quando o paciente entra em estado de morte encefálica, que é irreversível, se ele não tiver patologia importante e tiver uma idade razoável, ele pode ser doador de múltiplos órgãos. São muitas vidas que são salvas”.

Desde 21 de outubro de 1986, foram realizados 181 transplantes de rins e córneas no Hospital de Base (HB) de Bauru – 95 de doadores vivos e 86 de doadores mortos.