10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eleições do capeta, política não é coisa chata


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Não vamos discutir aqui a questão da união do Estado e da Igreja (Estado Laico), pois na Idade Média a Igreja também era o governo, o poder, mas vamos falar um pouco de política. E política, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é tão chata assim, muitos fazem sem saber. Exemplo disso? O modo como uma empresa, Igreja, escola, família e outras instituições se organizam é política, as opiniões de cada um, suas ideias, posturas, todas as questões discutidas e definidas na coletividade. As bases da afirmação acima são antigas, pois ao que se sabe, o termo política vem da Grécia Antiga. Se eu não estiver equivocado, seu inventor foi um camarada chamado Aristóteles, que viveu muitos anos antes de Cristo.

Tudo que introduzi até aqui foi para exemplificar que a forma de política que deveríamos viver em nossa nação deveria ter bases na democracia, se é que ela existe. Democracia seria o governo do povo, porém, como não dá para todo mundo decidir tudo, então votamos, elegemos as pessoas para nos representar no governo. Um vereador e um prefeito devem ou deveriam governar para o povo, para todos, mas cá entre nós, está muito chato ficar vendo candidatos fazendo promessas e planos para um bairro apenas, para um grupo apenas. É muito chato também ficar escutando candidatos fazendo apelos emocionais dizendo indiretamente para você "Vote em mim, asfaltei seu bairro"; "Vote em mim, consegui vaga no hospital para você"; "Vote em mim, sou seu irmão de fé"...

Uma coisa interessante têm sido os apelos de candidatos religiosos, evangélicos, católicos, espíritas e tantos outros das diversas religiões. Alguns apelos são ridículos e ferem os próprios princípios das religiões, que seria de amor ao próximo. Não aparecem na TV diretamente, mas nas conversas informais. Então, você vota em um candidato porque ele vai defender os interesses dos evangélicos, dos católicos, dos espíritas... Pense muito bem, "caro eleitor", o representante deve governar para todos, não para um grupo específico. É interessante observar que alguns cultos e reuniões das mais diversas religiões têm sido campanhas eleitorais usando o nome de Deus, os ditos representantes de Deus fazendo "votos de cabrestos".

Não seja inocente, não ceda aos apelos emocionais, existem candidatos que usam de sua dor, carência, dívida de favor ou sua fé para simplesmente usufruir de privilégios pessoais ou de um grupo específico. Lembre-se que na história em nome de Deus muitas atrocidades aconteceram e ainda acontecem. Não precisamos de políticos que sejam evangélicos, católicos, espíritas, budistas ou de outras das muitas religiões, precisamos de pessoas que governem para o povo. E também vamos pensar um pouco nesse discurso de massa de que todo político é ladrão. Vote em quem você confia. O sonho da democracia ainda continua, por mais utópico que seja, mesmo em uma realidade tão injusta como a nossa.

Gabriel Justino - psicólogo - visite: http://gjustino.blogspot.com.br/