08 de julho de 2026
Articulistas

O varejo e a internet

Ivan Mouta
| Tempo de leitura: 3 min

Num mundo cada dia mais virtual, onde as pessoas se sentem cada vez mais seguras em realizar compras online e onde a opinião do cliente é levada para todo o mundo em segundos, como nosso varejo, tão tradicional, deve reagir e se moldar a esta nova realidade?

Muitas lojas já se mostram estruturadas para atender este novo consumidor, que valoriza muito mais a opinião de seus amigos das redes sociais, do que as grandes campanhas publicitárias e que compara os preços dos produtos em segundos. No entanto, a maioria ainda permanece operando sem se importar com isto. É cada vez mais importante que as empresas estejam presentes nas redes sociais, mas ao fazê-lo, devem estar cientes de que estarão abrindo um grande canal de comunicação e que muitas pessoas, clientes ou não, irão se manifestar e buscar informações, a todo o tempo.

Muitas empresas presentes nas redes sociais vêm trabalhando sua comunicação de forma precária e até inadequada, conduzindo a empresa como se fosse um perfil pessoal. As redes sociais podem ser fortes aliadas, mas se mal trabalhadas, podem colocar tudo a perder e prejudicar o crescimento de uma operação. Por isto, devem ser cuidadas por profissionais que dediquem total atenção às suas demandas.

Mesmo que não oficialmente, todas as empresas estão de alguma forma nas redes sociais. Alguém sempre estará falando sobre elas. Sendo assim, o melhor a fazer é criar um canal oficial da empresa e começar a usufruir dos números espantosos que elas possuem. Segundo divulgação feita em agosto pelo site SocialBakers, referência em estatísticas sobre redes sociais, o Brasil possui mais de 56 milhões de usuários de redes sociais.

Outro fator muito importante é o que acontece dentro da área de venda. Tudo pode ser registrado por um consumidor e logo se espalhará em proporções até então inimagináveis. Por isto, toda a equipe de vendas deve redobrar a atenção com o que acontece dentro da loja.

As vendas online são um capítulo a parte nesta história. A facilidade em comprar pela internet vem conquistando os brasileiros. Este comércio movimentou mais de R$ 10 bilhões só no primeiro semestre deste ano. Dois medos até então inibidores deste consumo ? o de não receber a compra e o de não gostar do que comprou ? vem sumindo, tanto que mais de 5,5 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra online no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Outro dado importante, segundo pesquisa realizada em junho pela Universidade Federal de Minas Gerais nas 27 capitais, entre empresas de pequeno e médio portes do varejo brasileiro, é que 82% dos empreendedores ainda não utilizam qualquer ferramenta de venda pela internet. Isto dá a dimensão de que há muito a ser feito e, também, de que há muita oportunidade. Mesmo diante de todas estas inovações tecnológicas e num mundo onde as relações privadas e comerciais se tornam cada vez mais impessoais, ainda há e sempre haverá espaço para o contato pessoal. Com isto as pessoas ainda continuarão frequentando as lojas, para falar diretamente com o vendedor, experimentar o produto, senti-lo em suas mãos.

Mas para atrair e reter estes consumidores, os varejistas têm que agregar, cada vez mais, fatores diferenciais às suas operações. Se bem tratado, bem atendido e encontrando bons produtos, com bons preços, eles se sentirão quase que obrigados a voltar à loja em outras oportunidades. Por mais que a sociedade mude com o tempo, o ser humano nunca deixará de ser um ser social, que sempre precisará interagir com seus semelhantes. Sem perder isto de vista, o varejo precisa trabalhar melhor com toda esta revolução tecnológica pela qual passamos. Nunca encarando isto como um problema a ser solucionado e sim como uma grande oportunidade a ser aproveitada.

Ivan Mouta, gerente geral do Bauru Shopping Center