Estádio pequeno, com público grudado ao alambrado. Em campo, uma das maiores - se não a maior - rivalidades da história do futebol: Argentina x Brasil. O confronto de hoje, a partir das 22h, na pequena cidade de Resistencia, a mais de mil quilômetros de Buenos Aires, tem tudo o que sempre deu molho a um dos clássicos historicamente mais apimentados do mundo da bola. Só que, esvaziado pela ausência dos principais jogadores de ambas as seleções, este encontro dos gigantes sul-americanos não terá o mesmo peso de outras ocasiões.
Mesmo sendo uma decisão, com direito a troféu em disputa, o resultado do Superclássico das Américas - uma reedição da antiga Copa Rocca - não deve causar graves consequências para nenhum dos lados. O vencedor não sairá de campo convencido de que está pronto para voos mais altos e o perdedor não deverá ser execrado por cair diante do rival mais ferrenho. Mesmo porque, as duas seleções só podem contar com jogadores que atuam no Brasil e na Argentina, ficando sem, portanto, alguns de seus principais astros.
Pelos lados do Brasil, o técnico Mano Menezes é o primeiro a relativizar a importância do encontro, embora diga que é sempre bom vencer a Argentina, pela tradição do jogo. “Esses jogos criam confusão na cabeça do torcedor e isso não é bom. Não estamos com a equipe principal e nos é exigido algo que não se consegue com apenas 20 minutos de treinamentos”, ressaltou Mano, que, apesar do caráter amistoso do confronto, disse esperar um ambiente não tão tranquilo no acanhado estádio em Resistencia. “Os argentinos vão torcer muito contra o Brasil”.
Clima de Libertadores
Mas, a julgar pela estrutura do Estádio Centenário, a Seleção Brasileira viverá clima mais com cara de Libertadores do que de amistoso.
O alambrado do Centenário está a pouco menos de dois metros dos gols. Arames farpados na grade que separa o torcedor do campo reforçam o rótulo de “caldeirão” de 25 mil lugares. A pressão da arquibancada será um outro teste para a Seleção Brasileira, especialmente para Neymar, que já se habituou com rivais pegando no seu pé.
O gramado está bom apenas na região central do campo. Nas laterais, há buracos. A expectativa hoje é de lotação máxima - os ingressos mais baratos custam cerca de R$ 50; os mais caros, R$ 150. A cidade promove a partida e espalha cartazes e faixas pelas ruas e estradas que a ligam à vizinha Corrientes.
Assim, a Argentina conta com o apoio da sua torcida em Resistencia para reverter a desvantagem diante do Brasil, depois de ter perdido por 2 a 1 no jogo de ida do Superclássico das Américas, no dia 19 de setembro, em Goiânia. A Seleção Brasileira joga hoje pelo empate para conquistar o título simbólico.
Mano escala três volantes
O técnico Mano Menezes já sabe qual escalação irá utilizar na Seleção Brasileira para enfrentar a Argentina. Mas, na véspera da partida na cidade de Resistencia, o treinador descartou antecipar os 11 que serão escolhidos para iniciar o jogo contra o maior rival. Mas o técnico não escondeu a provável formação, diferente da que utilizou na partida de ida, quando o Brasil venceu a Argentina por 2 a 1, em Goiânia. O trio de atacantes deu lugar a um trio de volantes: Ralf, Paulinho e Arouca devem fortalecer o setor. Thiago Neves apareceu como o único meia, na vaga que no primeiro jogo foi de Jadson. No ataque, apenas Neymar e Lucas - depois, Leandro Damião entrou no time durante o treino, numa segunda formação, com apenas dois volantes. “Não tenho dúvida nenhuma, mas vou comunicar os jogadores antes”, afirmou o treinador.
Mesmo com duas versões testadas, Mano diz que analisa até mesmo uma terceira alternativa da escalação.
“Eu trabalhei duas no treino, mas temos uma terceira opção, que é a mesma do jogo de ida contra a Argentina, com o Jadson na equipe. Amanhã (hoje) vocês saberão”, emendou o comandante.