O último programa eleitoral dos candidatos a prefeito de Bauru, exibido na noite de ontem, teve clima de despedida mas, sobretudo, de melancolia para o leitor que, utopicamente, ainda esperava alguma profundidade na discussão dos principais temas da cidade para os próximos anos.
Os programas dos candidatos a prefeito na TV padeceram de profundidade mas, também, de elaboração de agenda consistente em torno dos principais desafios. Foram vários os temas que não foram tocados pelos candidatos, sem contar os programas que trouxeram a velha estratégia de tentar agradar segmentos específicos sempre que a reunião de campanha estava frente a frente com alguma representação de classe.
Não faltaram promessas de realizações, mas houve muito discurso vazio e quase nenhuma oportunidade para o eleitor, de fato, distinguir os programas.
Em tempos de campanha, as produções dos candidatos ao Executivo evitaram assumir posição sobre temas cruciais para o município, como o inevitável pagamento das execuções do FGTS contra a Cohab, cujos processos estão em fase final na Justiça Federal e representam, até hoje, mais de R$ 200 milhões. Mas isso é apenas um entre vários exemplos.
Os candidatos também não assumiram posições sobre questões como o que delegar e pagar para a Polícia Militar na chamada atividade delegada, não discutiram o IPTU Progressivo nem tampouco esclareceram para o eleitor que ele será convidado, já a partir do início de 2013, a assumir contas novas, como o buraco do financiamento da conta da iluminação pública, cuja despesa adicional ao ano é de quase R$ 8 milhões segundo a própria prefeitura.
Mas outros tantos temas foram apenas citados, eliminando até a possibilidade de avaliação em razão da opção pela visível preferência pela velha metodologia da apresentação da lista de promessas, incluindo as difíceis de serem realizadas.
O último take
Clodoaldo Gazzetta (PV) apostou no clima de otimismo, confiante em sua ida ao segundo turno, mesmo diante dos números desfavoráveis da pesquisa Ibope/TV Tem divulgada ontem (mais abaixo). Chiara Ranieri (DEM) apostou na emoção e Rodrigo Agostinho (PMDB) deu tom de agradecimento.
O candidato do PV afirmou que, nas campanhas anteriores, não sentia o mesmo apoio nas ruas que percebe desta vez. Gazzetta defendeu que, no segundo turno, poderá ter o mesmo tempo de propaganda na TV e no rádio para discutir melhor suas propostas. No segundo turno, os dois candidatos têm 10 minutos por bloco de programa. “As pessoas não gostam de injustiça e, no primeiro turno, é isso o que acontece”, afirmou.
Chiara Ranieri não citou o segundo turno sem seu programa. Com depoimentos de populares, do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do vereador Amarildo de Oliveira (sem partido), o programa da candidata apostou no tom emotivo, ao som de seu jingle ao piano.
A campanha de Paulo Sérgio Martins (PSTU) continua com críticas ao transporte coletivo do município.
Rodrigo Agostinho terminou seu último programa pedindo a seus eleitores que escolham, com cuidado, seus vereadores. “Não podemos colocar qualquer um lá”, afirmou. No mais, o prefeito agradeceu pelo apoio e disse que seu governou recuperou a autoestima e credibilidade da cidade.
Apostando em depoimentos da população, Rodrigo exibiu ainda declarações de apoio de Michel Temer (PMDB), Paulo Skaf (PMDB), Gabriel Chalita (PMDB), Arnaldo Jardim (PPS) e Milton Monti (PR).