Caracas - Na véspera das eleições venezuelanas e com o veto à publicação de novas pesquisas no país, bancos e agências de risco divergem nos informes que repassam a clientes sobre a disputa entre Hugo Chávez e Henrique Capriles.
O banco britânico Barclays Capital distribuiu ontem a clientes nova pesquisa do instituto Consultores 21 que dá a Capriles 51,8% na votação, ante 47,2% de Hugo Chávez.
Feita entre 27 de setembro e 2 de outubro, o levantamento é o mais recente disponível publicamente. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Já o Bank of America diz exatamente o contrário: Chávez tem vantagem sobre Capriles e deve vencer com folga (entre cinco e oito pontos percentuais).
A última pesquisa do respeitado instituto Datanálisis é do começo de setembro e dá dez pontos de vantagem a Chávez.
A campanha de Capriles utiliza pesquisa que lhe dá um ponto à frente de Chávez, dentro da margem de erro “a moeda está no ar” é a expressão usada.
Tanta diferença entre os resultados torna o papel dos institutos polêmico.
Chávez, há 14 anos no cargo, concorre ao terceiro mandato. No entanto, essa é a primeira vez em que ele está realmente ameaçado pelas pesquisas. Sua campanha de 2012 foi afetada por seu tratamento de câncer, que o impediu de realizar alguns atos.
Medo
Venezuelanos lotaram os supermercados ontem para comprar mantimentos, precavendo-se contra eventuais distúrbios por causa da eleição presidencial. Muitos venezuelanos temem que um resultado apertado gere acusações de fraude e protestos, numa sociedade já polarizada e com grande número de armas ilegais.