A normalização do transporte coletivo em Bauru, efetivada a partir da madrugada deste sábado (6), transformou-se em alívio para usuários.
Alguns deles, como é o caso da cozinheira Edite Maria da Silva, 52 anos, durante os quatro dias de paralisação, caminharam quase duas horas pela manhã para não perder dia de trabalho. O esforço era repetido ao final do expediente. “Eu saia do Camélias por volta das 8h e chegava na casa da patroa entre 9h30 e 10h”, comenta.
Ontem pela manhã, sentada, ela aguardava circular, assim como Nilce Leão, que passou a madrugada em claro ao lado da filha Luna Beatriz Rodrigues, 3 anos. Ontem à noite, garota caiu, machucou o rosto e precisava passar por exame de raio-x. Mas sem condução, a mãe esperou amanhecer. “Ainda bem que eles voltaram”, afirma.
Apesar dos transtornos provocados pela greve, a retomada do transporte coletiva foi tranquila, logo pela manhã. Até por volta das 9h, o movimento de passageiros, inclusive, foi considerado abaixo do normal. Como muita gente ainda estaria desinformada ou incrédula sobre o retorno do serviço, nem saiu de casa. No entanto, próximo das 12h, o Centro da Cidade já estava tão concorrido como qualquer sábado que antecede as eleições e o Dia das Crianças.
O vaivém diminuiu queixas, que não resultaram em retaliação aos motoristas. Pelo contrário, passageiras como a operadora de telemarketing Ana Paula Adão Dutra e a babá Lúcia Polini apontaram como justa a reivindicação dos motoristas. “Tinha quem nem visse o próprio filho”, ressalta Ana Paula. Ela conhece casos de pessoas que gastaram R$ 70,00 de condução para ir trabalhar durante o período de paralisação.
Outro lado
O abuso, principalmente por parte de alguns mototaxistas, revoltaram profissionais da mesma categoria que agiram corretamente, sem cobrar preços exorbitantes como R$ 30,00. Mas seja como for, o volume de corridas ontem foi muito inferior de dias anteriores para quem atua na área. “Os clientes faziam fila. Ontem (anteontem) no final da tarde, cerca de dez aguardavam a vez. Alguns, chegavam com apenas R$ 5,00 e eu fazia a corrida do mesmo jeito. Caso contrário, teriam de enfrentar longas caminhadas”, comenta o mototaxista Dorival Veronez.
Há 13 anos na atividade, ele conta que, nos últimos quatro dias, não teve nem tempo para almoçar. Agora, com o extra que recebeu em virtude do trabalho intenso, deve antecipar o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Janela: Pela manhã, muita gente ainda está incrédula com a volta do serviço
Legenda: Cozinheira Edite Maria da Silva já chegava cansada ao trabalho
Legenda: Logo cedo, Nilce Leão aproveitou a retomada do transporte coletivo para levar a filha Luna para exame médico
Box
Quantidade de ônibus hoje é igual a dias úteis
A pedido da Justiça Eleitoral, neste domingo, os motoristas do transporte coletivo trabalharão com a chamada tabela cheia. Ou seja, como em dias úteis. Já ontem, 70% da frota de ônibus estavam nas ruas, como acontece em qualquer sábado. A retomada do transporte coletivo veio a reboque de um acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 5ª Região, que tem validade de 30 dias. Neste período, os motoristas farão jornada de 7 horas e 20 minutos, com seis intervalos de dez minutos, cada. As pausas poderão ser feitas nos pontos finais, quando os trabalhadores normalmente param para recomeçar o itinerário de sua linha.
Antes do acordo provisório, eles cumpriam jornada de 7 horas e 20 minutos, mas eram obrigados a realizar descanso ininterrupto de uma a duas horas, em obediência a uma decisão judicial transitada em julgado. Segundo a categoria, a mudança, proposta pelo Ministério Público do Trabalho, teria ocasionado perda de cerca de R$ 450,00 por mês em horas extras.
No dia 5 de novembro, Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) voltam a se reunir em audiência no tribunal para apresentar a proposta definitiva ao sindicato. A concessionária, que representa as três empresas prestadoras do serviço, ficará responsável por oferecer uma jornada que se adeque às necessidades dos trabalhadores. Ontem, todas as entidades foram procuradas e reiteraram a retomada tranquila dos serviços.