08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

E a vontade do ente querido?


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Mesmo que legalmente o familiar possa destituir o que sempre fora a vontade do ente querido, de ser beneficiário de muita gente, desta suplicante fila de espera por órgãos, a serem disponíveis, sendo isto a grande e única solução de sobrevivência a todos estes, os quais não têm outro jeito, a não ser o aguardo e a expectativa desta benevolência, a família, os diversos campos de discussão como o ideal pessoal, filosofia e religião poderiam corroborar, sim, a favor da sublimidade deste ato de doar-se, do modo que Jesus Cristo disse e fez: "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos" ? 1.º João 3.16. As afirmações do senhor Jesus, desse viver de autoentrega, estão acima de uma religiosidade, são apenas atos de humanidade para com o próximo que necessita, e tudo isto está acima de filosofia e religião, que tendem a impedir toda a supremacia de tais atos.

A família, com todo o poder sobre o seu ente, declarado já morto pela medicina, tem também cometido outras ações contrárias à vontade deste em vida, afora de sua parte física, ou seja, por espírito e alma, encomendado esta parte deste, até mesmo de ateu convicto. Todos têm a sua liberdade enquanto estão vivendo, a mudança, que fazemos alheia a todo um modo de vida do nosso ente querido, possa isso ser um atenuante familiar, mas nem mesmo o senhor Deus mudará depois, quanto mais um pastor, ministro ou padre.

Mas... uma vontade expressa de doar-se, isso é muito bom, e o melhor ainda é obedecê-la (cumprir).

Grato!


Carlos Roberto dos Santos