A eleição deste domingo foi o principal assunto da Câmara Municipal desta segunda-feira (8). Enquanto os nove reeleitos comemoravam, os quatro que não garantiram o retorno ao Legislativo em 2013 evitaram o uso da tribuna. A exceção ficou por conta de José Carlos de Souza Batata (PT). José Roberto Segalla (DEM) sequer compareceu à sessão.
Chiara Ranieri (DEM), derrotada na disputa pela Prefeitura de Bauru, também discursou. Inicialmente, ela parabenizou o reeleito Rodrigo Agostinho (PMDB) e disse que quem adotou discurso crítico contra o prefeito foi “massacrado nas urnas”.
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Aceituno Jr. |
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O prefeito já reeleito Rodrigo Agostinho (PMDB) é cercado por eleitores durante a noite de ontem: vitória esmagadora |
A eleição
Ele venceu em todas as 687 seções espalhadas por 87 colégios eleitorais e seus 140.734 votos acabaram se transformando em uma espécie de tsunami eleitoral, uma onda de favoritismo que deixa sua vitória do tamanho da responsabilidade que terá para honrar os compromissos que assumiu com os bauruenses. Rodrigo Agostinho, formado em Direito, ambientalista, ex-vereador, aos 34 anos se consolida como personagem do novo ciclo político que as trajetórias costumam formar, de tempo em tempo.
Em 2008, havia entrado na disputa com poucos recursos e, aos poucos, com carisma e muita empatia, sobretudo com o público feminino, conseguiu desbancar o então favorito, o empresário Caio Coube (PSDB).
Ontem pela manhã, nos locais de votação, mesmo os adversários não escondiam que haviam enfrentado adversário favorito. Contou a presença da máquina pública, a ampla aliança de 15 partidos – o que gerou um “batalhão de mais de 130 candidatos em torno de seu nome e mais de 17 minutos de exposição na TV -, a lista de obras espalhadas pela cidade – como o plano de asfalto com 1.350 quadras a serem implantadas, no total, até dezembro próximo, seu carisma e, em certa dose, também com a dificuldade dos adversários que enfrentou em estabelecer, de fato, contraponto.
O caixa gordo – com receita mais do triplo da inflação em alguns períodos – lhe permitiu “distribuir” obras por diversos cantos - como asfalto, playgrounds em praças e as discutíveis academias ao ar livre -, e gerar para os servidores uma série de vantagens nos salários e na carreira, medida que não se tinha notícia nos últimos 20 anos. A mesma caneta que não poupou gastos com pessoal lhe tornou refém na capacidade de investimento, que despencou com o arrefecimento da economia neste ano.
Mas Rodrigo, ainda assim, também tirou proveito do fato de seu antecessor, Tuga Angerami, ter administrado de mãos atadas, sem recursos e com uma lista de dívidas herdadas, todas a renegociar.
Os números na votação de ontem o tornam liderança consolidada, um temor para os analistas que ainda receiam que ele pode não suportar a tentação de tentar ser deputado federal daqui a dois anos. (Ele garantiu, em Cartório, que ficará quatro anos no cargo). Rodrigo também soube dinamizar a forma de “ser prefeito”, independentemente do mérito em torno do conteúdo de suas ações.
Tuga quase não saiu às ruas (sem caixa disse mais sim do que não). Ele fez o inverso. Seu estilo de botina, calça jeans e cabelo com cachos, quase despenteado, agradou quem não costumava ver “prefeito” rodando por ai.
E se Rodrigo soube transformar carisma em voto, ainda contou com a dificuldade da jovem vereadora Chiara Ranieri (DEM) em descolar sua imagem mais para a elite do que para os bairros. Na TV, a demista teve boa plástica visual, mas não conseguiu transformar crítica em contraponto. Ao contrário, Chiara pecou com tom irônico em seu discurso.
Do outro lado, Clodoaldo Gazzetta (PV) não teve êxito no papel de se posicionar como diferente.
Os eixos temáticos do programa de governo embalaram parte da dificuldade no eleitor localizar em Gazzetta o diferente que pretendia ser, em relação ao amigo Rodrigo.
Quando o tom da campanha trouxe críticas políticas mais duras a Agostinho, a população, ao invés de migrar para a possibilidade de mudança de voto fez o inverso. O reeleito conseguiu absorver sua imagem de bom moço com uma espécie de vitimização inesperada, vinda das crises conhecidas mas que ganharam as ruas na “última hora”, como a paralisação no transporte coletivo.
Mesmo os milhares de bauruenses que sofreram – e ainda sofrem – com falta d´água, olharam para Rodrigo com a boca seca mas o coração amolecido com as dificuldades na gestão. E quando a água parecia se tornar enxurrada de votos na mesa da oposição, Agostinho viu verter nova onda de reverso: a tática inexplicada de sabotagem no rompimento de uma adutora caiu como uma luva.
Como o próprio Rodrigo Agostinho definiu, ontem à noite, “o tamanho da vitória é do tamanho da responsabilidade que terei pela frente”.
A cidade reelege seu prefeito com esmagadora votação (leia quadro nesta página) e a pressão por soluções estruturais, que não vieram em seu primeiro mandato, foi ontem renovada nas urnas.
Cai a proporção de brancos e nulos, mas ausências crescem
O percentual de votos brancos e nulos caiu nestas eleições, em comparação com o índice registrado na disputa de 2008. Em contrapartida, a proporção de abstenções cresceu.
Em 2012, foram registrados 5.504 votos brancos (2,7% do total) e 10.937 votos nulos (5,36%). Já no pleito anterior, 6.831 eleitores haviam votado em branco (3,49%) e 10.551 anularam (5,4%).
Já a proporção de abstenções cresceu de 16,35% do total de eleitores registrados em Bauru para 18,05%. Em 2008, 38.202 pessoas deixaram de comparecer às urnas, ante as 44.941 que se abstiveram de votar em 2012.