09 de julho de 2026
Política

Erro de eleitor gera pausa no voto

Por Bruna Dias | Com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 7 min

 

Ao menos três eleitores da 142ª seção do 387º cartório eleitoral de Bauru, que fica na Escola Estadual Ada Cariane Avalone, no Núcleo Mary Dota, não puderam votar na manhã de ontem por conta do erro de um eleitor em uma urna eletrônica. O movimento na unidade - uma das que possui o maior número de eleitores desta zona eleitoral - só teve a tranquilidade quebrada por esse episódio. 

 

O presidente da mesa da 142ª seção, Edilson Campos Lima, esclareceu à reportagem que a eleitora não estava conseguindo digitar o número corretamente. 

 

“Nós achamos estranho e, como não podemos ver o voto, pedimos orientação. Por isso, os eleitores que estavam esperando foram liberados para votar mais tarde. Só depois das orientações que conseguimos dar a ela, do lado de fora da cabina de votação, percebemos que ela estava tendo dificuldades para digitar e, enfim, correu tudo bem”. No entanto, Adelson Nunes Neto, 36 anos, morador do Bauru 1, criticou a atitude, já que demoraram na devolução de seus documentos. “Se a urna está com problemas, eles têm que arrumar ou resolver. Demoraram para me devolver os meus documentos e ainda vou ter que voltar depois do almoço para finalmente votar”.

 

A eleitora Elenita Silva Santos, 44, teria que justificar seu voto. “Me preparei para vir aqui pela manhã e votar porque à tarde vou para Júlio Mesquita (105 quilômetros de Bauru), onde meu marido vota. Vou ter que justificar meu voto lá”.

 

O primeiro voto de Eva 

 

Ainda “perdida” em relação à localização de seu colégio eleitoral em sua primeira eleição, Eva Aparecida da Silva, 51 anos, moradora do Mary Dota, foi procurar auxílio na Escola Estadual Ada Cariane Avalone. 

 

“É a primeira vez que eu vou votar. Antes não sabia nem escrever o meu nome”, disse. “Achei que era aqui que eu ia votar, mas já me orientaram que é em outra escola aqui perto”, acrescentou. Por conta da confusão, chegou na chorar de nervosa. 

 

Ontem também foi a primeira eleição que a vice-diretora Rosalina Maria Pereira Gonçalves trabalhou - no processo eleitoral. 

 

Apesar de ser bauruense, antes ela morava em Campinas e nas eleições vinha a Bauru para votar. 

 

“É a primeira vez que trabalho na eleição. É um dia cansativo, mas muito gostoso porque sentimos a força da união de toda a comunidade. Já estou pensando em melhorias na escola para a próxima eleição”. Apesar de não ter rampa de acesso para deficientes, a escola disponibilizou salas no piso térreo para estes eleitores.

 

Zerésima

 

Antes de iniciar o domingo eleitoral, a equipe de mesários de 15 seções (incluindo a de justificativa) e de auxiliares da Justiça Eleitoral, que trabalharam na Escola Estadual Ada Cariane Avalone, assim como as equipes dos outros colégios eleitorais, segue à risca o Manual do Mesário.

 

O auxiliar Dorival de Almeida explica que, antes de serem abertas as votações, a urna eletrônica deve emitir uma fita mostrando que não há dados computados. “Essa fita se  chama zerésima. A urna emite três fitas como esta. Ao final das eleições, a fita é impressa novamente, desta vez, com a quantidade de votos”. 

 

A equipe de auxiliares permanece o dia todo orientando eleitores e eventuais problemas que ocorrerem dentro do colégio eleitoral.

 

Crime?

 

Uma picape Saveiro ficou estacionada por alguns minutos com um grande cavalete de vereador na carroceria, a uma distância de pouco mais de uma quadra da escola, na quadra 17 da avenida Doutor Marcos de Paula Rafael.

 

A Polícia Militar foi acionada, mas não se sabia ao certo qual era a distância que o veículo estava da escola (o permitido é 100 metros de distância), por isso não foi registrado boletim de ocorrência. O dono do carro imediatamente retirou o veículo.

 

Rodolfo e Lidiane ‘estreiam’

 

O estudante Rodolfo Alves Silva Nascimento, 16 anos, manifestou interesse em tornar-se eleitor aos 13 anos. Portanto, desde o dia 2 de agosto, quando fez aniversário e poderia, então, votar, passou a procurar informações sobre os candidatos nos jornais. 

 

Ainda assim, foi uma iniciativa solitária, já que na escola particular onde estuda, o pleito foi pouco discutido espontaneamente entre os alunos. 

 

A responsabilidade em escolher os candidatos para representá-la, tanto no Executivo quanto no Legislativo, deixou a estudante Lidiane Naito Lopes apreensiva. Ao lado da mãe, chegou tensa ao maior colégio eleitoral de Bauru, a escola estadual Christino Cabral, na zona Sul da cidade, para votar pela primeira vez.

 

“Assisti aos programas eleitorais alguns dias e já sei em quem vou votar. Não é uma escolha fácil”, diz. Esperou completar 18 anos para tornar-se eleitora. 

 

Poderia votar desde os 16 anos, mas preferiu aguardar para estudar melhor os candidatos aparentemente mais honestos. 

 

 

Urna ‘trava’ diante de gente que leva mais de um minuto 

 

 

Alguns dos que deixaram para escolher o candidato na última hora ou esqueceram o número da pessoa definida para representá-la se surpreenderam com a urna eletrônica, ontem. Em alguns casos, como de Dorival Vieira Lima, 71 anos, ela ‘travou’ por alguns segundos.

 

Mas a rápida paralisação, imediatamente revertida, tem explicação. Quando o candidato permanecia mais de um minuto sem operar a máquina, ela enviava uma mensagem aos mesários questionando se a votação deveria ser mantida ou havia sido concluída e, portanto, deveria ser encerrada. A informação foi prestada pelo analista judiciário da 23ª Zona Eleitoral, Luciano Olavo da Silva.

 

Para ele, o contexto não pode ser compreendido como travamento da máquina, mas nos colégios eleitores foi denominado desta forma pela população. No caso de Dorival Vieira Lima, por exemplo, ocorrido na escola estadual Christino Cabral, o assistente de juiz chegou a ser solicitado pelos mesários. 

 

Após superar a dificuldade, ele admitiu certa indecisão. Ainda assim, fez questão de votar, embora não fosse mais obrigado.

 

“Tenho 71 anos, mas com cabeça de 20 anos. Prefiro as urnas eletrônicas ao voto manual”, garante. Mas nem todos os integrantes da melhor idade têm a mesma opinião. Na escola estadual Salvador Filardi, um idoso levou dez minutos para votar por não se entender com a máquina. E ele não foi o único.

Hulk garante transporte do dia  

Destemido diante dos veículos de luxo que ontem, por volta das 12h, circulavam pela avenida Getúlio Vargas, o cavalo Hulk tomava seu próprio espaço na via, transportando eleitores. A contragosto de alguns motoristas, ele conduziu Adriana dos Santos e Paulo César Pompeu da Vila Aviação até a escola estadual Luiz Braga, na avenida Nossa Senhora de Fátima, zona Sul de Bauru.

 

Enquanto dividia suas atenções com os pequenos Bianca, 7 anos, e João, 4 anos, o casal fechava o nome do candidato a vereador que levaria o voto deles. “É tanta gente que ficamos indecisos. Para prefeito é mais fácil”, comenta. Após escolherem seus representantes, voltaram para casa com o sentimento de dever cumprido.

 

Fora do ar

 

O sistema de consulta de cadastro da Justiça Eleitoral saía rapidamente do ar, por alguns segundos, ontem pela manhã, em virtude do grande número de acessos dos cartórios espalhados por todo o País. Por meio dele, eleitores confusos em relação a seções e zonas eram esclarecidos por servidores da Justiça Eleitoral, nos cartórios eleitorais.

 

Unidas, mãe e filha chegam antes mesmo de 7h em colégio eleitoral  

Eram 6h45, quando Maria Madalena Carmo chegou à escola estadual Mercedes Paz Bueno, no bairro Higienópolis, em Bauru. Ladeada pela filha Karina Carmo Ferrari, 32 anos, estavam prontas para votar. Mas não foram as primeiras a chegar. Pouco antes das 8h, cerca de 70 pessoas já aguardavam numa fila para entrarem na instituição.

 

“É um dia especial. Sempre chegamos cedo, até por conta do problema dela”, comenta Maria Madalena. Ela se refere à deficiência visual de Karina, provocada há seis anos pela diabetes. Por essa razão, ambas levam muito em consideração as propostas de acessibilidade apresentadas pelos candidatos. “Está muito longe de respeitarem [pessoas com deficiência]”, comenta a moça, que frequenta o Lar Escola Santa Luzia para Cegos.

 

 

‘Dever de cidadão’

 

Se mãe e filha estavam logo no início da fila, Maria Odécia, 74 anos, não. Observava outros 60 eleitores, aproximadamente, em sua frente. “É um dever de cidadão. Venho por compromisso pessoal, já com os candidatos definidos”, comenta. Indignada com a quantidade de santinhos esparramados pelo chão, garante que se encontrasse entre os papéis algum de seus candidatos, mudaria o voto. 

 

Em todos os colégios eleitorais pelos quais o JC passou, santinhos “proliferavam”. Foram distribuídos no sábado à noite, já que se a iniciativa, ontem, poderia resultar em crime de boca-de-urna.