08 de julho de 2026
Regional

Barra: ?ousadia? em boca de urna

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

 

Os arredores das seções eleitorais em Barra Bonita tiveram o trânsito de veículos impedido justamente para evitar que candidatos abordassem eleitores na porta dos locais de votação, a chamada “boca de urna”. Banida pela legislação eleitoral, a prática, entretanto, não foi descartada por alguns candidatos de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru). 

 

Apreensões de material político distribuído irregularmente durante a noite anterior ao início das votações – tanto em Barra quanto na vizinha, Igaraçu do Tietê – e detenção, com posterior liberação, de candidatos a vereador por descumprimento à lei que veta presença em locais de votação e distribuição de material de campanha, deram a tônica nas primeiras horas. 

 

Pela madrugada, um candidato (que não teve o nome revelado pela polícia) precisou prestar esclarecimentos sobre distribuição ilegal de material de propaganda. Três caixas com santinhos e placas, foram apreendidas. 

 

A ocorrência foi registrada por policiais da segunda companhia da PM na cidade. Entretanto, na Polícia Civil, assegura o delegado titular Antônio Ângelo Meneghel, ao menos até o final da manhã de ontem, não haviam registros do gênero. “É até atípico, mas não registramos ocorrências.” 

 

“Estamos em operação especial, com mobilização de todo o efetivo. Nosso trabalho, em parceria com a Polícia Militar e também graças ao esforço preventivo também do Ministério Público e Justiça Eleitoral, com alerta aos candidatos, surte efeito”, aprova o delegado. 

 

 

Tapa nas costas

 

Apesar da polícia enaltecer a postura da maioria dos candidatos em Barra Bonita, a minoria que insistiu em desrespeitar a lei, e até mesmo os eleitores, deu trabalho nos arredores das seções eleitorais. 

 

Teve caso até de candidato que daria “tapinha nas costas” de eleitor em frente de escola. Durante o gesto, o mesmo aproveitaria para colar adesivos nas roupas das pessoas. O “ousado” postulante a uma vaga na Câmara Municipal de Barra Bonita foi detido para prestar esclarecimentos e liberado em seguida. 

 

Outros candidatos tiveram a atenção chamada também nos arredores de pontos de votação, dando trabalho para a Polícia “convencê-los” de que faziam campanha em local e horários vetados. A ousadia de candidatos que teimavam em burlar a lei era tanta que motivou presença mais incisiva do juiz eleitoral Orlando Haddad Neto no local. 

 

O magistrado, entretanto, preferiu não comentar os fatos, restringindo entrevistas apenas “por escrito”. 

 

 

Poluição eleitoral

 

Mas as investidas “agressivas” de alguns candidatos em Barra Bonita também geraram desconforto entre os eleitores. Principalmente entre as pessoas com idade mais avançada, o maior problema foi de mobilidade. A enxurrada de santinhos, bandeiras e demais peças de propaganda política representou risco para muitos eleitores. 

 

Eleitores cadastrados nas seções eleitoras da escola estadual Cônego Delgado testemunharam idosos que quase foram ao chão após deslizarem em panfletos amontoados no asfalto. E os riscos não afetaram apenas eleitores da terceira idade. 

 

A cabeleireira Valdirene Costa, de 40 anos, levou para casa a sensação de dever e direitos cumpridos, acompanhados por dor na perna esquerda. “Escorreguei e machuquei o joelho. Não foi nada sério, ainda bem. Mas esse monte de papel jogado na rua representa um risco, ainda mais para os mais velhos”, repro va. 

 

Valdirene acompanhava a eleitora Adelina Spaulonci Benfatti que, aos 84 anos, saiu orgulhosa da cabine por mais uma participação no processo democrático, porém, alerta sobre os riscos logo na porta da escola onde votou. “Fica liso igual a um sabão”, compara.