08 de julho de 2026
Geral

FOB/USP idealiza ter curso inédito

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Um centro de pesquisadores com a missão de produzir tecnologia em prol da saúde e, de bônus, um curso inédito no País. O projeto, que promete ter dimensão internacional, começa a se desenhar na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP). Tudo faz parte da idealização de um novo curso para a instituição: engenharia biomédica.

O diretor da FOB, José Carlos Pereira, explica que tudo está em fase bastante inicial. “Ainda é algo muito prematuro. É o embrião de uma ideia apenas. Nós jogamos uma semente”, conta.

Porém, um dos primeiros passos para essa “semente” dar frutos já foi dado. “Existe um plano de requerimento institucional, que é onde justificamos o motivo de contratação de novos docentes, entre outros. Colocamos nesse plano o projeto futuro desse novo curso”, revela Pereira.

Uma resposta a esse plano institucional vai definir os próximos passos desse projeto. Mas, mesmo ainda bem longe de se concretizar, a ideia pioneira já enche os olhos. O diretor da FOB explica que o curso de engenharia biomédica não existe no Brasil.

“É algo que já há no exterior. No Brasil, tem cursos parecidos, como o de engenharia biomédica. Mas o de engenharia biomédica é pioneiro. É algo que pode fazer com que a universidade fique ainda mais no limite do conhecimento”, declara.

A ideia é de se montar, juntamente com o novo curso, um centro no qual sejam desenvolvidas tecnologias estudando toda e qualquer mudança no organismo. “Aqui na FOB, já desenvolvemos muitas pesquisas. A ideia é de tornar isso macro. E não é só para a área de odontologia. É algo que vai desenvolver a tecnologia em todas as áreas de saúde”.


Multidisciplinar

Pereira explica que o novo curso seria de graduação e também de pós. O destaque - tanto do centro quanto do curso - seria exatamente a multidisciplinaridade envolvida. “Um projeto multisciplinar é algo brilhante. Tudo tem sua especialidade. Quando se juntam essas especialidades, um vai onde o outro não pode ir. E é daí que saem as inovações”.

O diretor da FOB utiliza a metáfora de uma “bomba atômica de conhecimento” para exemplificar o que essa novidade significaria para a ciência. De acordo com ele, “a USP tem um potencial intelectual imenso. Quando se junta isso, cria-se uma bomba atômica de conhecimento. Uma massa crítica de conhecimento incrível”.

Questionado sobre prazos, José Carlos Pereira afirma que não há nada definido. “Não sabemos nem se vai mesmo se concretizar”. Até por isso, nenhuma ementa ou algo parecido sobre o curso de engenharia biomédica foi elaborado.

Além de esperar a resposta em relação ao que consta no plano institucional, o diretor da FOB afirma que vai “injetando” aos poucos a ideia em reuniões. “Tudo que é grande nasce de uma ideia. E coisas grandes nascem de ideias grandes. Vamos esperar”, conclui, em tom de paciência.

Docentes

Apesar de precisar de uma série de investimentos, o centro de engenharia biomédica não contaria com muitos novos docentes a serem contratados. O diretor da FOB/USP, José Carlos Pereira, explica que eles viriam de todas as unidades da universidade para a realização dos projetos.

“É dessa multidisciplinaridade que estamos falando. Foi aprovada recentemente uma mobilidade no Centro Universitário. Assim, pesquisadores podem assumir projetos em outras unidades e se deslocar para trabalhar lá. É nisso que estamos pensando”, explica Pereira.

    Engenharia biomédica poderá ser um ganho para Bauru e para o País    

Caso se torne realidade, o curso e o centro de engenharia biomédica podem trazer grandes avanços na ciência da área de saúde. Regionalmente, o desenvolvimento proporcionado seria imenso também.

“Além de dar a devida notoriedade para Bauru, seria um atrativo para empresas de tecnologia. Também tem a parte de formação universitária. A possibilidade de mais um curso é muito boa”, explica o diretor da FOB/USP, José Carlos Pereira, vislumbrando ainda a possibilidade de várias parcerias.

Se para Bauru e região o avanço seria grande, o mesmo pode se dizer para o País. “Ainda importamos a maior parte da tecnologia. Somos dependentes da tecnologia do Exterior. Se começássemos a produzir aqui, ficaríamos menos dependentes e os avanços seria mais significativos”, conclui.