10 de julho de 2026
Regional

Restauração de estação ferroviária é iniciada com investimento de R$ 1 mi

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Com previsão de investimentos de R$ 1 milhão teve início a restauração da Estação Ferroviária de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) que se encontrava abandonada há 12 anos desde a privatização das Ferrovias Paulista (Fepasa) no governo Mário Covas (PSDB).

Inaugurada em outubro de 1934, a Estação Ferroviária de Botucatu representa uma das páginas mais importantes da história da cidade. Os trilhos da estrada de ferro Sorocabana chegaram como consequência do café e representou um dos marcos de desenvolvimento do Município.

Em 1999, a Estação Ferroviária foi desativada. A ação do tempo e de vândalos desfigurou o local, danificando as instalações.

A primeira etapa do trabalho de restauração na Estação Ferroviária de Botucatu deverá durar em torno de quatro meses e está avaliada em cerca de R$ 1 milhão.

A Prefeitura investirá em torno de R$ 400 mil e outros R$ 600 mil serão financiados pelas empresas Duratex e Caio Induscar através do Proac (Programa de Ação Cultural) do Governo do Estado.

As ações contemplam a recuperação completa do telhado, da fachada principal, limpeza do saguão, preservação dos vitrais e instalação de alambrado ao longo da plataforma de embarque e desembarque de passageiros.

A Prefeitura de Botucatu contratou para execução das obras a empresa Estúdio Sarasá, especializada em restauração, que tem em seu portifólio trabalhos importantes como o projeto de restauro do Teatro Municipal de São Paulo e o restauro do solar da Marquesa também na capital paulista.

A empresa também executará o projeto de restauração do Edifício Martinelli, do Obelisco de 1932 no Ibirapuera e do Quartel da Cavalaria, no bairro da Luz. O projeto ainda prevê um trabalho de educação patrimonial que será executado pela empresa Producom.

Para Edivaldo Culichi, 59 anos, ferroviário aposentado, a restauração da Antiga Estação representa um resgate da história de Botucatu. “Comecei como ajudante geral e cheguei à maquinista. Foram quase 30 anos dedicados à ferrovia. Quando vejo essa reforma sendo feita, lembro-me do tempo que o prédio ficou parado, sendo depredado. Agora o sentimento é de alegria porque poderemos mostrar para essa nova geração de botucatuenses a história da Cidade através da ferrovia”, afirma.

O secretário de Cultura, Osni Ribeiro, destaca que a atual gestão sempre demonstrou preocupação com o patrimônio ferroviário e garantiu a posse da maior parte dos imóveis existentes na cidade, condição fundamental para que o processo de recuperação pudesse ser iniciado.

“O restauro da estação vem dar visibilidade para que a população possa entender a importância e ter novamente a sensação de pertencimento do espaço. Os ferroviários, as pessoas que circularam e trabalharam naquele espaço têm uma memória muito viva e sentem falta disso. Talvez seja a obra, o acontecimento relacionado à cultura mais importante nas últimas décadas”, declara.

Já o historiador e secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária, João Carlos Figueiroa, diz que a estação ferroviária já precisava de uma restauração mesmo na época em que estava funcionando porque vários espaços como o telhado e as paredes sofriam sem manutenção.

“Já são 13 anos que a estação deixou de funcionar e ela só veio degenerando. Até que Botucatu conseguiu fazer uma manutenção que segurou um pouco a invasão e a depredação. A população se mobilizou. Durante esse período, o senhor Góes, de modo voluntário, vinha varrer a estação, afugentando os depredadores. Compareceu como cidadão. Todos ficarão contentes, principalmente a família ferroviária”, comenta.