08 de julho de 2026
Ciências

Alfred Nobel: ficha limpa!?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Nobel é exemplo de recuperação moral, arrependimento ou preocupação da reputação na opinião pública. Representa um indivíduo com ficha supostamente suja que soube limpar sua fama e tornar-se mito mundial, mesmo 100 anos depois de sua morte.

O químico alemão Christian Friedrich Schonbein em 1845 derrubou por acidente uma mistura de ácido nítrico e sulfúrico na mesa da cozinha. O avental que usou para limpar a mesa, foi pendurado para secar sobre o fogão, como muita gente faz com panos de prato. Ao secar, o avental discretamente explodiu e Schonbein conclui que a mistura dos ácidos criara uma nova substância instável: a nitrocelulose, mas não soube o que fazer com a descoberta.

Em 1847, o italiano Ascanio Sobrero combinou a nitrocelulose com glicerina e a chamou de nitroglicerina, mas nem sabia o que poderia acontecer. Aqueceu o tubo de ensaio com a mistura e uma explosão levou tudo em volta pelos ares e fez Sobrero abandonar os testes com a substância. O invento fascinou Nobel devido ao seu uso potencial na engenharia civil e alguns acusam-no de roubar o invento de Sobrero.

O homem precisava extrair minérios, derrubar montanhas para fazer estradas, quebrar pedras para construir e promover túneis para trens, mas manualmente com ferramentas ou máquinas ficava muito demorado e caro. O químico sueco Alfred Nobel, vinte anos mais tarde, conseguiu apresentar e patentear um produto a base de nitroglicerina na forma de bastão, uma forma mais segura para ser utilizada pelo homem: nasceu a dinamite.

Alfred Nobel passou a ser conhecido como o “rei da dinamite: o mercador da morte” pelas vítimas decorrentes de explosões indesejadas e pelo uso militar. Ele ganhava muito dinheiro com a patente e exploração comercial, mas não tinha controle sobre o uso. Era um empresário agressivo: tinha 87 companhias e 355 patentes pelo mundo, falando fluentemente cinco línguas.

Um belo dia ao acordar e ler os jornais encontrou: morreu o “rei da dinamite”! Não gostou de ter sido descrito na sua vida como o homem que inventou a dinamite e tinha provocado tantos dissabores e mortes. Com 55 anos e milionário, Alfred Nobel percebeu que o repórter havia trocado sua morte pela do irmão no dia anterior e decidiu: vou repensar minha vida!

Sete anos mais tarde, em 1895, Nobel concluiu seu testamento no qual minuciosamente descrevia a criação de prêmios internacionais anuais para ser atribuídos aos cientistas. Além de dinheiro advindos dos juros da fortuna, cada ganhador levaria uma medalha de ouro e um maravilhoso diploma. No início, o prêmio era de 40 mil dólares, hoje está na casa dos milhões, pois a fundação privada que gerencia sua fortuna é muito eficiente. Nobel nunca se casou e nem teve herdeiros.

As áreas eram Química, Física, Literatura, Medicina ou Fisiologia e Promoção da Paz. Em 1968 foi criado o de Economia para homenagear o tricentenário do Banco da Suécia, mas tem quem defenda a transformação do prêmio de Economia em de Sustentabilidade. No dia 10 de dezembro de 1896 Nobel morreu e 5 anos depois, iniciou-se a série em que todos os anos neste mesmo dia, se entregam os prêmios idealizados.

Receber o prêmio Nobel significa atribuir ao agraciado um atestado de genialidade, uma qualidade de semideus, uma respeitabilidade inigualável. Não importa qual foi a área do prêmio, a opinião de Nobelista vai ser ouvida nos quatro cantos do mundo. Será convidado para milhares de conferências, eventos, jantares com reis e governantes, entrevistas e muita badalação. O Nobel só pode ser atribuído a pessoas vivas!

O Nobelista muda para sempre sua vida, pois fica impossível trabalhar normalmente na escola, laboratório ou cidade. O Nobelista passa a ser uma sólida, constante e verdadeira celebridade! Um Nobelista pode propor teorias loucas, absurdas e inusitadas que nunca haviam sido pensadas, mas com seu lastro intelectual, as propõe e pode fazer avançar a humanidade.

Os prêmios são concedidos em Estocolmo, Suécia, exceto o da Paz, outorgado em Oslo, Noruega; os dois países na época era um único reino. Quem escolhe são a Real Academia Sueca de Ciências para os de Física, Química e Economia; o Instituto Karolinska, para o de Medicina e Fisiologia, a Academia Sueca de Letras para o de Literatura. O Parlamento Norueguês escolhe o Nobel da Paz. Os prêmios são solenemente entregues pelos Reis da Suécia e da Noruega.

E o Brasil, que em 111 anos, não tem um Prêmio Nobel!