O depoimento de dez testemunhas de acusação foi colhido ontem pela Justiça no caso de homicídio da vendedora Fernanda Tripodi, morta em dezembro de 2009 em Bauru. Os acusados pelo homicídio são Roberto Carlos Fagundes, ex-marido da vítima, o padeiro Antônio Carlos Ferraz e o mototaxista Carlos Henrique dos Santos Leite. No rol de testemunhas de acusação, o juiz da 4ª Vara Criminal, Ubirajara Maintinguer, ouviu ontem o filho mais velho do casal, de 12 anos. As sete testemunhas de defesa serão ouvidas no dia 27 de novembro.
As testemunhas de acusação disseram ao JC que reafirmaram as acusações contra Roberto Carlos Fagundes. A mãe de Fernanda Tripodi, a pensionista Antonia Maria de Oliveira Tripodi, 54 anos, comentou que acrescentou à Justiça um detalhe que não teria relatado em seu depoimento no inquérito policial. De acordo com ela, em uma conversa com Fagundes, após o desaparecimento de sua filha, teria pedido a ele que não se desfizesse das roupas da esposa. “Ele disse que como ela está apodrecendo, as coisas dela vão apodrecer”, conta a mãe da vítima. Antonia ainda teria perguntado a Fagundes se acreditava que Fernanda ainda poderia estar viva. “Ele disse que não tinha nenhuma chance por causa da quantidade de sangue no porta-malas”, acrescenta. Antonia sugere que, pelo teor da suposta conversa com ele, o acusado pela morte de Fernanda estaria zombando dos familiares da vítima.
Também depuseram ontem na condição de testemunhas de acusação Arielle Tripodi, irmã de Fernanda, o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, dois investigadores da DIG, o ex-namorado de Fernanda, o mecânico Gilson Alberto Antonelli, 43 anos, e Izabel de Mello Silva, 45 anos, que localizou a ossada da vítima no dia 16 de outubro de 2011. Granja comentou antes de depor que as investigações da equipe da DIG de Bauru apontam para os três suspeitos. “O conjunto probatório feito pela polícia foi tido como válido”. Fabiana Hortência Tripodi, outra irmã de Fernanda, deverá depor em novembro como testemunha da acusação.
O advogado de Roberto Carlos Fagundes, Sidiney Nery de Santa Cruz, comentou após os depoimentos que seu cliente afirma não ter praticado o crime e nem ser o mandante da morte de Fernanda Tripodi. O advogado Alexandre Nicolau, que representa o réu Antonio Carlos Ferraz, ressalta a inexistência de provas circunstanciais e materiais do envolvimento de seu cliente na morte da vítima. Rodnei Sergio Ferraz, 37 anos, e Adriana Regina Ferrari, 33 anos, irmãos de Ferraz, acreditam em sua inocência. Eles acompanharam de fora o transcorrer dos depoimentos e aproveitaram para ver o irmão, que estaria muito abatido.
Em 17 de dezembro de 2009, Fernanda desapareceu ao sair de carro da sua residência no Núcleo Nova Bauru. Seu veículo foi localizado com marcas de sangue nas imediações da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Mary Dota. As investigações da DIG de Bauru apontam para o envolvimento de Roberto Carlos Fagundes, que desapareceu com a decretação de sua prisão preventiva. No dia 16 de outubro de 2011, a ossada de Fernanda Tripodi foi localizada. Em 14 de março deste ano, Fagundes foi preso em Balneário Camboriú (SC) e transferido para Bauru.
Pai e filho frente a frente
O casal Fernanda Tripodi e Roberto Carlos Fagundes eram pais de dois meninos, hoje com 7 e 12 anos. O adolescente reencontrou o pai ontem após quase 3 anos, agora como testemunha de acusação.
A tarde e o início da noite de ontem foram de grande tensão no Fórum do Jardim Bela Vista por conta da presença dos acusados pela morte de Fernanda Tripodi, os familiares dos acusados e da vítima. Vários são testemunhas de defesa e de acusação.
Na chegada dos acusados, uma irmã da vítima, Arielle Tripodi, que aguardava para depor, não se conteve e xingou os homens. A mulher saiu chorando e foi consolada pela mãe Antonia Maria de Oliveira Tripodi e pela irmã Danielle Tripodi, 20 anos.
Na sequência, Danielle e Antonia discutiram com Adriana Regina Ferrari, irmã do outro acusado, Antonio Carlos Ferraz. Pessoas das duas famílias também precisaram intervir para encerrar o desentendimento.