Após anos de expectativa, Bauru finalmente começou a comercializar Gás Natural Veicular (GNV) encanado aos proprietários de automóveis. Até o momento, o produto, que chega à cidade através do gasoduto Bolívia-Brasil, é comercializado em um único posto de combustíveis, localizado na avenida Cruzeiro do Sul, na Vila Coralina.
Até então, o GNV era transportado por meio de carretas e a principal vantagem, a partir de agora, é o barateamento de custos. Antes comercializado a R$ 1,99, o metro cúbico do combustível passou a ser vendido a R$ 1,79 e deve ficar ainda mais barato nos próximos meses.
“Como incentivo, a Petrobras tem como política reduzir o preço do GNV aos postos após o quarto mês de operação. Como estamos há três meses comercializando gás encanado, daqui a um mês os preços devem cair ainda mais”, afirma o engenheiro civil Miguel Diban, responsável pelas obras de adaptação do estabelecimento.
Outra vantagem é que este tipo de combustível é menos poluente em relação aos demais, conforme explica o gerente do posto, Arnaldo Cesar Fernandes. “Além disso, ele não deixa nenhum resíduo no veículo. Por ser tão limpo, é recomendável que os motoristas usem gasolina, de vez em quando, para lubrificar as peças do motor”, completa.
Oriundo da Bolívia, o GNV é distribuído pela Gás Brasiliano, concessionária de toda a área Noroeste do Estado de São Paulo. No gasoduto, o produto parte de Santa Cruz de La Sierra, atravessa o Mato Grosso do Sul, passa por Araçatuba e Araraquara até o city gate em Iacanga, ponto de transferência da custódia do gás da Petrobras para a Gás Brasiliano.
De lá, chega a Bauru pela rodovia Marechal Rondon, entrando pela avenida Rodrigues Alves até chegar ao estabelecimento, na Vila Coralina. “E todo este trajeto é feito de maneira muito segura. Na área urbana, a tubulação fica a dois metros de profundidade. E, diferentemente do gás de cozinha, em caso de vazamento, o risco de explosão é muito pequeno, já que o GNV é mais leve do que o ar e sobe à atmosfera muito facilmente”, garante Diban.
Retorno da procura
De acordo com ele, o risco reside nos cilindros instalados de maneira irregular nos veículos adaptados para circular com GNV. “Como o gás fica comprimido dentro dos cilindros, eles devem ser feitos de aço com espessura de uma polegada. Quem usa botijão comum pode causar sérios acidentes”, frisa.
Aliás, a falta de oficinas para realizar a manutenção e a conversão dos veículos para funcionar com GNV é uma das dificuldades para a expansão do comércio deste tipo de produto. “Quando o gás veicular começou a ser vendido em Bauru (em 2007), chegaram a funcionar 13 oficinas na cidade. Agora, existe apenas uma para manutenção e uma para instalação dos cilindros”, lamenta Fernandes.
De lá para cá, o gás deixou de ser a opção mais econômica para abastecer o carro e, ainda transportado em carretas, perdeu a preferência dos motoristas para o etanol. Até mesmo por conta dos custos, os postos de Bauru que comercializavam o produto acabaram desistindo do negócio.
Mas, com a recepção direta do gasoduto, esta lógica deve se inverter. Esta é a avaliação de Fernandes, que já vislumbra o retorno da procura pelo GNV, embora muitos proprietários tenham retirado os cilindros de seus veículos.
“Até junho, vendíamos uma média de 25 mil metros cúbicos por mês. No mês passado, já com o preço mais baixo, foram 40 mil metros cúbicos. A tendência é aumentar, principalmente por conta do consumo de motoristas que viajam pela Rondon”, frisa o gerente.
Gás comprimido
De fabricação argentina, a estrutura para comercializar GNV encanado conta com um registro para medir o consumo do estabelecimento, um compressor, um tanque de armazenamento e um grande computador, além da bomba de abastecimento. Com a mesma função de um hidrômetro doméstico, o registro afere o volume de gás utilizado pelo posto que paga a conta, enviada pela Gás Brasiliano ao final de cada mês.
Depois de passar pelo registro, o gás, ainda expandido, segue para o compressor e, depois, para o tanque. Lá, fica armazenado a uma pressão de 3 mil libras, 100 vezes maior que a do ar dentro de um pneu automotivo comum.
Ao computador, cabe a tarefa de monitorar e corrigir, automaticamente, eventuais falhas no sistema, além de liberar ou bloquear a passagem de gás para o compressor, de acordo com o consumo registrado pelo posto.
Rede de distribuição
A rede de distribuição do gás natural em Bauru foi projetada para ter 59 quilômetros, com 12 quilômetros de dutos já implantados interligando os distritos industriais 1 e 2 de Bauru, além de uma extensão da rede no distrito 1 em direção ao Jardim Contorno.
O gás natural também tem potencial para abastecer residências, substituindo o uso do gás liquefeito de petróleo (GLP). Contudo, ainda não há previsão de quando entrará em operação a rede secundária da empresa, que inicialmente deverá abastecer casas e condomínios residenciais na região do Jardim Contorno.
Custo por quilômetro
Com os preços atuais, o GNV encanado se tornou, com folga, o combustível mais em conta para os consumidores. De acordo com o engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini, testes de consumo indicam que um veículo com motor 1.6 percorre, dentro da cidade, cerca de 7,9 quilômetros com um litro de gasolina. Se o combustível for álcool, consegue se locomover por 5,6 quilômetros. Para o GNV, o valor seria de 9,7 quilômetros por metro cúbico.
Nestas condições, e levando-se em consideração que o litro da gasolina e do álcool estão sendo comercializados a uma média de R$ 2,69 e R$ 1,79, respectivamente, o custo por quilômetro rodado na cidade seria de R$ 0,34 para gasolina, R$ 0,32 para o álcool e R$ 0,18 para o GNV.
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