Relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa indicou nesta quarta-feira (17) que irá condenar o ex-ministro José Dirceu pelo crime de formação de quadrilha.
Para o relator, Dirceu comandou grupos que se uniram para cometer crimes contra a administração pública e o sistema financeiro. "Há nos autos diversos elementos de convicção, harmoniosos ente em si, que Dirceu comandava o núcleo político, que por sua vez orientava o publicitário que agia em conjunto com o financeiro", disse.
O Supremo começou a analisar hoje o último capítulo que trata da denúncia de formação quadrilha que seria formada por 13 réus, entre eles Dirceu. Barbosa começou a ler seu voto, mas não concluiu. A sessão será retomada amanhã, às 14h.
O ex-ministro foi condenado pelo Supremo por corrupção ativa. Os ministros entenderam que o governo Lula, por meio da atuação de Dirceu, participou de um esquema de desvio de recursos públicos que, misturados a empréstimos fictícios, comprou apoio político no Congresso.
"Há demonstração de que agentes do núcleo político, em conjunto do núcleo financeiro e publicitário, corromperam parlamentares para ampliar e manter a base aliada. Tudo isso passou da fase de mera especulação para a concretude."
Barbosa leu depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) e do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), réus do processo e que também já foram condenados, para indicar a atuação de Dirceu no esquema. "O que os depoimentos e diálogos mostram é o vinculo de hierarquia e subordinação entre Dirceu e os integrantes do núcleo político", afirmou.
O relator também citou reuniões de Dirceu com a dona do Banco Rural Kátia Rabello intermediada pelo empresário Marcos Valério, apontado como operador do esquema. Dirceu também teria atuado numa viagem de Valério, seu advogado Roberto Tolentino, e Emerson Palmieri, do PTB.
"Valério agendando reunião entre chefe da Casa Civil e empresários estrangeiros? Como se vê, Valério, mais uma vez, embora não fizesse parte do staff oficial da Casa Civil, agendou reuniões."
Segundo Barbosa, Valério era quem tinha a incumbência de informar a disponibilidade na agenda de Dirceu. "(Valério) era um intermediário entre o conglomerado financeiro e esse importantíssimo agente do Estado brasileiro".