08 de julho de 2026
Geral

Médico-paciente: relação de afeto

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

Hoje é comemorado o Dia do Médico, profissão que, segundo os próprios profissionais, é como um sacerdócio, ou seja, de dedicação integral. Atualmente, a medicina aposta na relação médico-paciente para melhorar o diagnóstico, tratamento e a recuperação de casos clínicos.

Por isso, a pedido do JC, o médico cirurgião plástico Eudes Soares de Sá Nóbrega e Othon Emanuel Cei Lima Júnior, 20 anos, paciente dele há 18  anos, fizeram um bate-papo descontraído com perguntas curiosas sobre a vida de cada um. Frequentemente, Othon vem de Castanhal, no Pará, a Bauru para fazer tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (HRAC/ USP).

Acompanhe o bate-papo entre médico e paciente a seguir.

Eudes (médico): Da próxima vez que você vier, quero que me traga castanha-do-pará. (risos) É um dos alimentos mais completos que existem.

Othon (paciente): Pode deixar que eu trago sim. Nós compramos da feira e trazemos as castanhas fresquinhas. Tem muita castanha lá!

Eudes: Só não falo para você me trazer açaí porque descobri uma coisa interessante sobre ele...

Othon: O quê?

Eudes: Apesar de ser um alimento rico em ferro e calorias, existe o problema da doença de chagas. A transmissão desta doença acontece porque o mosquito barbeiro pica a pessoa e acaba defecando também. A pessoa coça a picada e acaba levando as fezes do mosquito, que contém o trypanossoma cruzi, para a corrente sanguínea. Na hora de moer o açaí ou a cana-de-açúcar, muitas vezes o barbeiro é moído junto e, consequentemente, suas fezes. O que eu não sabia é que essa transmissão pode ser via oral.

Othon: Me fale da sua família, você tem filhos?

Eudes: Tenho três filhos. A Luciana, que está terminando de cursar jornalismo e é cantora; o Lucas, que é procurador do Estado; e o Bruno, que estudou engenharia de produção por dois anos, mas resolveu cursar medicina. Você pratica algum esporte, Othon?

Othon: Eu gosto muito de natação. Como trabalho de auxiliar de eletricista, acabo me exercitando um pouco no trabalho também. (risos)

Eudes: Isso é muito bom. E você gosta de pescar lá em Castanhal?

Othon: Gosto sim. Tucunaré, pirarucu. O pirarucu tem quase o mesmo gosto que o bacalhau.

Eudes: Sabe, eu acho que o pessoal do norte é mais forte por conta desses alimentos.

Othon: Será que não é a farinha, doutor? (risos...)

Ao finalizar a conversa, o cirurgião plástico fala um pouco sobre a medicina. “Para ser médico não basta gostar, tem que amar a profissão. Você tem que se dedicar muito para os seus pacientes e acaba deixando de viver muitos momentos em família”.

 

A humanização

No dicionário, o significado de humanizar é “tornar-se humano ou adquirir características humanas; tornar-se benevolente, agradável; tornar-se civilizado, sociável, acessível”. O presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) em Bauru, José Eduardo Marques, que é médico oftalmologista, ainda explica que o método da humanização tem sido adotado nos últimos anos para melhorar a relação médico-paciente. 

“Em todas as áreas, a humanização significa maior qualidade na prestação de serviço em saúde. Um melhor tratamento e recuperação deste paciente por conhecer todo o seu histórico”.

Ele cita como exemplo o Programa Saúde da Família, quando uma equipe da Saúde vai até a casa do paciente. “Eles vivenciam de perto o problema do paciente, questões de higiene, financeira, de alimentação. Há uma troca maior de informações e um diagnóstico mais preciso. Podemos citar também, como exemplo, os voluntários que trabalham levando alegria a crianças com câncer”.

Além do “novo” método, Marques destaca o avanço da tecnologia, que traz mais segurança para os médicos e pacientes. Seguindo a mesma linha de pensamento, ele cita o projeto Ative-se e Viva-se, que é uma iniciativa do Jornal da Cidade, 96 FM, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e Associação Paulista de Medicina (APM), com o patrocínio da AD Corretora de Seguros, CPFL Energia, Academia Marathon, Gatorade/Bebidas Fernandes, Jaupavi e Fortpavi.

“É um projeto que tem essa troca de informações mais próxima entre o médico e o paciente, o que é muito importante e incentiva hábitos saudáveis. Na APM também estamos realizando uma série de eventos para discutir a humanização. Neste mês de dezembro, faremos uma palestre sobre o parto humanizado, suas vantagens e seus riscos”.

Aproveitando o momento de comemoração ao Dia do Médico, Marques deseja parabéns a todos esses profissionais. “A medicina é como um sacerdócio, dedicação 24 horas. Não tem como negar um socorro, por exemplo, se você vir um acidente. Tem pacientes meus que, quando têm algum tipo de problema, procuram a urgência e emergência dos hospitais que eles possuem convênio, mas pedem para que eu os atenda. Por isso eu desejo um Feliz Dia do Médico a todos os médicos”.

 

Médicos na Câmara

Nas eleições 2012 a população de Bauru “escolheu” três médicos para ocuparem cadeiras na Câmara Municipal. O reeleito Paulo Eduardo de Souza (PSB) e os novos Raul Gonçalves de Paula (PV) e Telma Gobbi (PMDB).

O presidente da APM em Bauru, José Eduardo Marques frisa a importância da categoria para a saúde da cidade. “Com certeza a saúde de Bauru estará bem representada na Câmara com três médicos vereadores”, comenta.

 

Medicina é amor que ultrapassa as gerações

Muitas profissões acabam sendo espelhos dos pais para filhos e com a medicina não poderia ser diferente. O filho mais velho do médico oftalmologista José Eduardo Marques, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) em Bauru também escolheu seguir a mesma profissão do pai.

Além de levar o mesmo nome: José Eduardo Marques Filho, 24 anos, acaba de concluir  faculdade, onde cursou medicina. Ele escolheu a mesma especialidade de seu pai: oftalmologia.

“Ele decidiu cursar medicina, mas ainda não sabia qual especialidade queria fazer. Ele formou-se há 10 dias e já decidiu que vai escolher pela oftalmologia. Eu fico muito feliz de ter um filho que vai trabalhar comigo. Sempre sonhei isso”, disse.

Os outros filhos Ana Paula, Maria Júlia e João Vitor, também decidiram pela medicina. Ana Paula conclui, no final deste ano, o curso de medicina veterinária. Maria Júlia e João Vitor ainda estão ingressando na faculdade. 

Outro exemplo como este é o da família do cirurgião vascular Jadyr José Gabriele. Dois de seus quatro filhos, Cláudio Gabriele e João Francisco Gabriele, decidiram seguir a mesma profissão do pai.

“Eu sempre incentivei todos eles pela medicina. Naquela época, as restrições nos hospitais não eram tão grandes como hoje, então quando eu ia visitar meus pacientes, eu levava todos os meus filhos. O João Francisco decidiu primeiro pela medicina e o Cláudio Gabriele depois. O Cláudio chegou a cursar direito, antes da medicina”.

Eles trabalham na mesma clínica sendo Jadyr e Cláudio médicos cirurgiões vasculares e João Francisco cirurgião plástico. “A minha filha Silvia trabalha também conosco na clínica e Juliana está em São Paulo. Eu fico muito feliz que eles tenham seguido este caminho”, finalizou.