Os índices que medem a inflação estão com suas bases contaminadas. Por exemplo: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que é o índice oficial do governo tem dois terços dos preços pesquisados observando elevação de preços. O próprio IPC (índice de Preços ao Consumidor) da FIPE já demonstra 55% de preços com elevação.
A inflação conceitualmente é o aumento geral e contínuo de preços. Para evitar maiores problemas no controle de preços, portanto, manter a inflação dentro da meta ou próxima dela, as altas de alguns produtos devem ser compensadas pela baixa em outros.
Quando a base fica contaminada acende o sinal de alerta à medida que o controle fica mais difícil. Quando os aumentos são localizados é possível ampliar a oferta de produtos via importação, analisar a tendência, verificar se são pontuais, enfim, as decisões para controlar a inflação ficam mais previsíveis.
Isso tudo ocorre em um momento em que o governo federal tenta eliminar a dependência na eliminação dos focos de inflação utilizando a política monetária. Principalmente após o lançamento do Real, em 1994, a rigidez monetária, os juros elevados, entre outras medidas monetárias é que deram o tom no controle de preços.
A taxa básica atingiu seu menor patamar da história, agora em 7,25% ao ano. Seria lamentável que fosse necessária ou até mesmo um retrocesso ter que elevar novamente a taxa básica de juros. O estrago na confiança dos consumidores e empresários seria enorme.
Ao abrir mão da política monetária o governo deve ser rigoroso na política fiscal, ou seja, segurar o ímpeto em gastar. O superávit das contas públicas passa ser meta prioritária. Além disso, é preciso garantir o estímulo a ampliação da oferta de produtos e juros altos vão no sentido contrário a este estímulo.
No tocante a inflação fala-se em adiamento da elevação no preço dos combustíveis. Ajuda, mas não resolve definitivamente a questão. Para este ano tudo aponta, mesmo com a base contaminada, para um patamar de inflação dentro do esperado. A preocupação é para 2013, lembrando que o Brasil adota o regime de metas de inflação, portanto, sempre a análise é feita pensando nos próximos doze meses. Neste particular serão necessárias ações firmes, na direção correta, para evitar, como colocado, que a contaminação dos preços fuja ao controle.
Felizmente falamos atualmente de uma inflação abaixo de 1% ao mês, diferentemente do que acontecia no passado. Como dizem alguns economistas: pequena inflação é como pequena gravidez, uma hora cresce, portanto, todo cuidado é pouco, mas sem precisar retroceder na política monetária.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC