Um momento de tensão marcou a quinta e última audiência do caso Sandro Fernandes, realizada durante a tarde de ontem no Fórum de Bauru. Antes de iniciar seu depoimento, Fernanda Fernandes - esposa do advogado bauruense acusado de molestar sexualmente quatro pessoas de sua família - encontrou uma das supostas vítimas no corredor do primeiro andar do prédio, e, após trocar algumas palavras com ela, começou a chorar.
Logo em seguida, a mesma jovem deparou-se com o advogado e, nervosa, recuou para evitar encará-lo. A garota, estudante de direito, estava no Fórum para acompanhar o julgamento de Solange Cabral do Nascimento, que acabou sendo condenada a 18 anos de prisão por matar o marido em 2011.
Sandro chegou ao Fórum com a aparência tranquila. Acompanhado de seus advogados, entrou no prédio por volta das 13h30 pela porta da frente, sorriu e acenou para a imprensa, demonstrando uma reação diferente do comportamento acuado que apresentou nas audiências anteriores.
Além dele e da esposa, apontada como coautora dos crimes por ter sido omissa, o juiz Jaime Ferreira Menino ouviu outras três testemunhas e três peritos. Ao todo, foram nove longas horas de audiência.
Até a próxima semana, o magistrado deve analisar o pedido de diligências feito pelos advogados de defesa, entre eles a solicitação de oitiva de novas testemunhas. Se indeferir o pedido, Menino já poderá determinar prazo para que acusação e defesa apresentem as alegações finais e, então, proferir a sentença. A expectativa é de que todo o trâmite seja cumprido dentro dos próximos 30 dias, quando finalmente a culpa ou a inocência dos réus será conhecida. Mas, caso as diligências forem acatadas, o processo pode demorar mais tempo.
Na audiência de ontem, inicialmente três pessoas prestariam depoimento. Mas os advogados de defesa solicitaram a inclusão de outras três e tiveram o pedido acatado pelo juiz.
Laudos
O primeiro a depor, por volta das 14h, foi o marido da ex-diarista da residência de Sandro que também acusou o advogado bauruense de abusos sexuais. Ela, no entanto, foi excluída do processo como vítima por ter perdido o prazo para fazer a denúncia.
O cônjuge teria confirmado as agressões sofridas pela esposa. Ele foi o único a se manifestar em juízo sem a presença dos réus. Depois, foram ouvidos dois professores, cujo vínculo com Sandro ou as vítimas não foi revelado.
Em seguida, depuseram duas peritas da Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes) que elaboraram os dois laudos psicológicos – na fase de inquérito e processual - da única criança envolvida no caso. Pouco depois, o juiz ouviu um psicólogo, assistente técnico da defesa, que teria tido a função de contestar os laudos das duas profissionais, conforme apurou o JC.
Por volta das 18h, Fernanda Fernandes começou a ser ouvida. Depois de duas horas de depoimento, ela deixou o Fórum acompanhada de uma advogada da família, sem falar com a imprensa.
No depoimento mais longo, Sandro Fernandes depôs das 20h às 23h. Ao sair do prédio, disse apenas estar “tranquilo”. Seus advogados afirmaram estar confiantes na Justiça.
Já o advogado de assistência da acusação, Evandro Dias Joaquim, afirmou que as provas contra Sandro são fortes e que, portanto, são grandes as chances de ele ser condenado. “São sólidas e consistentes para sustentar uma condenação”, ressalta.