A hidrelétrica de Belo Monte, que vem sendo construída no rio Xingu (PA), retomou hoje as atividades no canteiros de obras que havia sido invadido por manifestantes na semana passada.
O grupo de índios, pescadores, ribeirinhos e ambientalistas deixou o sítio Pimental no início da manhã, como parte das negociações feitas durante audiências judiciais, entre terça e quarta-feira.
A Norte Energia, empresa responsável pela usina, bancou combustível para o transporte de manifestantes e prometeu criar um comitê para acompanhar o cumprimento de condicionantes.
As condicionantes são obras obrigatórias, previstas no processo de licenciamento do Ibama, como forma de evitar ou compensar impactos sociais e ambientais.
Segundo os manifestantes, poucas ações foram realizadas. Participantes das audiências reclamaram de atrasos em obras, falta de informações a índios, famílias impactadas que não foram realocadas e proibição de pescadores trabalharem no rio.
As audiências foram "tensas", segundo a defensora pública Andréia Barreto. A Norte Energia marcou novas reuniões e prometeu atender algumas das reivindicações.
Em nota, a empresa declarou que o cronograma da obra está mantido. O consórcio responsável pela construção civil disse que ainda avalia se houve danos ao patrimônio durante a invasão.
Outros canteiros continuavam em atividade. Alvo de protestos, a hidrelétrica está prevista para ser concluída em 2019, quando será a terceira maior do mundo.
O cronograma, porém, está atrasado, conforme relatório deste mês da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).