Um crescimento de quase 64% em dez anos. O número de pessoas vivendo sozinhas em Bauru aumentou significativamente na última década e, como não poderia deixar de ser, já foi notado pelo varejo. De olho neste nicho, os supermercados da cidade já oferecem dezenas de produtos desenvolvidos especialmente para este público.
Por conta desta vasta gama, o ‘mercado single’ - expressão já adotada pelas redes varejistas - cresce em torno de 15% ao ano, conforme especialistas consultados pela reportagem. Ele prevê produtos em pequena quantidade, muitas vezes em porções individuais e que já vêm prontas para consumo.
São as chamadas monoporções, que aumentam a cada dia nas prateleiras. Hoje, por exemplo, já é possível comprar desde lanches prontos, fabricados pela indústria, até um único pedaço de pizza congelada. As alternativas passam ainda pela caixa de ovos com seis unidades e embalagens com frutas como melão, melancia e mamão já lavados e cortados.
Há até mesmo mix de legumes embalados para acompanhamento de uma refeição ou ainda pequenas porções de carne já cortada e disposta em bandejas para quem deseja praticidade. “Outro segmento que cresceu bastante foi o de lanchonetes e rotisserias de supermercados, que hoje oferecem uma grande variedade de pratos para serem levados para casa”, comenta Emerson Luiz Svizzero, diretor regional da Associação Paulista dos Supermercados (Apas).
Segundo dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem hoje, em Bauru, 14.798 habitantes morando sozinhos. Em 2000, eles somavam 9.035 pessoas. A variação em uma década, impulsionada pelo crescimento da economia, foi de 63,8%, enquanto a população como um todo cresceu apenas 8,8% no mesmo período.
Fenômeno
De acordo com Svizzero, o fenômeno foi percebido pela indústria e os próprios supermercados há pouco mais de três anos. Desde então, produtos fracionados e semiprontos começaram a ser desenvolvidos com maior intensidade para atender o gosto de pessoas como a representante comercial Verônica Ferrari, 27 anos.
Há dois anos e meio morando sozinha, ela apela para macarrões instantâneos e produtos em embalagens menores ou com prazo de validade estendido para não ter de jogar comida fora. “Eu prefiro almoçar fora por conta da variedade. Se fosse cozinhar, ia comer três dias a mesma coisa. À noite, faço um macarrão ou lanche com hambúrguer, que eu compro congelado. Mesmo assim, tem coisa que estraga, como leite. Margarina, iogurte, enlatados: compro tudo em pequenas porções”, relata.
Já a pensionista Elizarda Cintra, 72 anos, viúva há cinco anos, diz já ter aprendido a comprar na medida certa para não perder nenhum alimento. “Venho cerca de três vezes por semana no supermercado e sempre compro pouco. Às vezes levo uma fruta já cortada e, quando é preciso, embalagens menores de torrada, bolacha e pão”, relata.
Preço não assusta
Teder Senis, gestor de compras de uma rede supermercadista da cidade, conta que nem mesmo o preço mais elevado destes produtos tem assustado os consumidores.
De acordo com ele, em média, as mercadorias fracionadas custam, proporcionalmente, 5% a mais do que as porções convencionais, mas a reportagem chegou a encontrar produtos até 20% mais caros nas gôndolas.
O gestor de compras explica que o perfil de público que consome este tipo de produto é variado, embora seja formado majoritariamente por jovens pertencentes às classes A e B. “Mas existe um percentual crescente de participação da classe C. E também dos idosos que, com a melhora na qualidade de vida, podem viver mais e também morar sozinho”, frisa.