Os buracos das ruas de Bauru já deixaram de ser reclamações constantes dos moradores da cidade e até piadas. Eles estão se tornando um grande problema, principalmente para os motociclistas. Uma pesquisa extraoficial realizada pelo JC aponta que, nos últimos 41 dias (de 4 de setembro a 15 de outubro), foram registrados sete boletins de ocorrência (BOs) de motociclistas que se acidentaram em decorrência de buracos.
A primeira vítima desta lista foi o segurança Hugo Eduardo de Toledo, 22 anos. Conforme apurado junto ao BO, ele transitava com sua motocicleta Honda CBX 250 de placas CTL 6309 de Bauru pela avenida Nuno de Assis, às 18h20, sentido Centro-bairro, quando, no prolongamento de acesso ao Núcleo Mary Dota, ele perdeu o controle do veículo ao passar por um buraco. O jovem caiu, sofreu ferimentos leves e foi levado pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi socorrido e liberado em seguida.
A segunda queda aconteceu na quadra 2 da rua Jorge Pimentel, Vila Vicentina, no dia 17 de setembro, às 21h05. O estudante Eduardo Mangilli Pachelli, 21 anos, conduzia sua moto Honda CB 300R de placas EKF 7688 de Bauru e ao atingir a quadra 2 da via passou sobre um buraco existente no asfalto. A vítima perdeu o controle da motocicleta e caiu sofrendo apenas escoriações. O jovem foi levado ao PSC pela unidade de resgate dos Bombeiros e liberado posteriormente.
Dois dias depois foi a vez da estudante Daniela Santos Pereira, 21 anos, encontrar um buraco em seu caminho. Ela se acidentou na quadra 15 da rua Ezequiel Ramos, às 19h20, Vila Cardia em Bauru. A vítima transitava pela rua com sua moto Honda Biz de placas DLQ 4266 de Bauru e caiu por conta de um buraco existente do trecho em questão. Ela também sofreu ferimentos leves.
No dia 1º de outubro o gráfico Paulo Américo de Assis, 31 anos, conduzia sua motocicleta Honda CG 125 Fan de placas EWD 5997 de Bauru pela rua Waldemar Pereira da Silveira, próximo à quadra 3, às 19h, e também perdeu o controle de seu veículo ao passar sobre um buraco. Ele sofreu lesões leves.
Lesão grave
O caso mais grave aconteceu seis dias depois, na quadra 2 da rua Francisco Alves, Jardim Bela Vista em Bauru. O mototaxista José Benedito Alves Camargo, 62 anos, transitava pelo trecho quando se acidentou em um buraco existente na via, às 14h30.
Ele foi levado ao PSC pela unidade de resgate do Corpo de Bombeiros. Nos primeiros exames já foi apontado que a vítima tinha sofrido uma grave lesão na medula e que não respondia a estímulos nos membros inferiores, segundo registro do BO.
Na tarde desta segunda-feira, em entrevista ao JC, José Tiago de Melo Camargo, 25 anos, filho de José Benedito, afirmou que o pai ainda está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Prontocor de Bauru.
“Foi horrível. Meu pai é uma pessoa prudente, não trafega em alta velocidade. Ele sempre teve moto e nunca se acidentou desta maneira. Agora ele não movimenta as pernas direito. Ainda bem que ele sofreu apenas uma lesão e não rompeu a medula, então ainda há uma esperança de que ele volte a andar. Hoje (dia da entrevista) foi a primeira vez que ele conseguiu se sentar, após retirar o colete cervical. A moto ficou quase intacta, mas a queda foi grave”, disse.
Um dia depois da queda de Benedito o entregador André Luis Amaral, 33 anos, seguia pela rua Bertholdo do Carmo, Quinta da Bela Olinda, às 21h10, quando, ao atingir a quadra 6 da via, também caiu em um buraco ali existente, sofrendo ferimentos leves.
Na noite desta segunda-feira a vítima foi o autônomo Jonata Martim, 20 anos. Por volta das 19h30 ele seguia pela quadra 1 da rua Mara Lúcia Vieira, Vila Giunta, com sua bicicleta quando acabou caindo em um buraco existente no local.
A equipe de reportagem do JC conversou ontem com Carlos Roberto Martim, pai da vítima. Ele disse que o filho foi “salvo” pela mochila e por um saco de lixo existente na calçada. “A roda da bicicleta bateu no asfalto afundado e ele caiu. Meu filho bateu a cabeça na lixeira e sofreu traumatismo craniano. Ele ficou internado até hoje (ontem) na UTI do Hospital de Base e está no quarto. Ele foi salvo pela mochila, que amorteceu o tombo, e por um saco de lixo que estava em frente à lixeira no momento da queda”.
Olhando para o chão
O engenheiro mecânico e consultor automobilístico, Marcos Camerini, concorda que os buracos em Bauru são um problema, mas alerta para os olhares dos motociclistas, que devem se concentrar também no solo em que estão transitando.
“Existe a segurança que temos que fazer, que é olhar para o chão e ver o piso que estamos trafegando. Com a moto temos a condição de desviar mais rápido e mais fácil, mas se o condutor começa a cortar caminho entre os carros, por exemplo, fica mais difícil enxergar esses buracos”.
Com sol e tempo seco, fica mais fácil seguir as dicas. No período noturno e com chuva, por exemplo, os buracos ficam difíceis de serem notados. “Sempre temos que imaginar a moto como a parte mais fraca de uma colisão. Não há nada que proteja o condutor e por isso eu digo que, quando andamos de moto, temos que nos vestir para o tombo. Ou seja, usar todas as proteções: capacete fechado, luvas, calça, tênis ou outro sapato fechado.”
De quem são os buracos?
A equipe de reportagem do JC entrou em contato com as assessorias de comunicação da Prefeitura Municipal e do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para saber a quem “pertencem” estes buracos.
Em nota, o DAE afirmou que na quadra 15 da rua Ezequiel Ramos foi realizada nova ligação de água a no dia 18 de setembro, um dia antes da queda de Daniela Santos Pereira. No dia 26 de setembro foi feita a reposição de asfalto no local.
A autarquia informou ainda, através de seu setor de comunicação, que, na quadra 3 da rua Waldemar Pereira da Silveira foi registrado vazamento de esgoto no dia 6 de setembro que causou afundamento de rua. Os devidos reparos foram realizados no mesmo dia e a reposição de asfalto foi feita no dia 13 de setembro.
Entre os dias 6 e 13 de setembro, segundo o DAE, o local estava devidamente sinalizado com barreiras e lamparinas. A vítima Paulo Américo de Assis, segundo relato do boletim de ocorrência, se acidentou neste local no dia 1º de outubro.
A assessoria de imprensa da autarquia destacou que houve um registro de vazamento de água na rua Mara Lúcia Vieira no último dia 29 de setembro, mas este já tinha sido consertado.
A assessoria de comunicação da Prefeitura esclareceu que, nos outros quatro endereços, os buracos foram formados, possivelmente, pelo desgaste da pavimentação das vias, que é antiga, e também por serem vias de grande fluxo. Até o fechamento desta edição os seis primeiros buracos tinham sido consertados.