08 de julho de 2026
Polícia

?Quadrilha-relâmpago? é identificada

Vitor Oshiro com Ana Carolina Levorato
| Tempo de leitura: 5 min

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, divulgou quem são os outros três suspeitos de terem praticado uma série de sequestros-relâmpagos no município. Além de dois homens que já estão presos, a “quadrilha-relâmpago” tem outros três foragidos e ainda há a suspeita da participação de um adolescente de 16 anos.

O grupo foi identificado com o apoio da DIG de Agudos e de Marília. Fora a onda de sequestros-relâmpagos, os bandidos são acusados de diversos outros roubos na região (leia mais abaixo). Entre os acusados foragidos, estão Luiz Felipe Pinto, 18 anos, vulgo “Pança”; Diogo Roque, 22 anos, o “Chapolim” ou “Tico”; e o chefe do grupo, Douglas Ricardo Ramos, 26 anos. Eles são moradores da favela do Jardim Europa, em Bauru, e de Agudos.

A identificação do grupo começou após a Polícia Civil prender, em Marília, Wilquer Vinícius Cruz, 22 anos. Conforme o JC divulgou, ele foi localizado e detido no último dia 10. Dois dias depois, outro suspeito também foi preso.

“Através de reconhecimento e apreensões, todos os cinco suspeitos foram identificados após a prisão de Wilquer. A investigação segue para a suspeita da participação de um adolescente de 16 anos, que teria parentesco com o possível chefe do bando”, esclarece o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG.

Após o primeiro sequestro-relâmpago, os ladrões pegaram o carro da vítima e seguiram para Lençóis Paulista. Lá, roubaram um hotel às margens da rodovia. Imagens do circuito interno de segurança do estabelecimento flagraram a ação. E foi a própria mãe de um dos assaltantes que o reconheceu.

“Em contato com a delegacia de Agudos, Luiz Felipe Pinto, 18 anos, foi reconhecido pela mãe. Segundo ela, que se emocionou muito, o jovem estava com a mesma roupa que saiu de casa após ter assaltado uma lotérica em Agudos poucos dias antes”, explica Cledson Do Nascimento.

Luiz Felipe, o “Pança”, só não foi preso por conta do período eleitoral. Juntamente com ele, teria agido Diogo Roque, 22 anos, conhecido como “Chapolim”, morador do Jardim Europa.  Além do assalto em Agudos, a dupla teria agido em um roubo a uma mulher que entregava marmitas na rua Alfredo Ruiz, em Bauru.

Segundo a polícia, “Chapolim” é proprietário de uma arma calibre 32. “Essa arma estava envolvida nos sequestros-relâmpagos e roubos. Ela é peculiar já que, em todos os casos, estava enrolada em uma fita azul”, acrescenta o delegado.

O líder

Além da dupla, há ainda outro integrante da quadrilha foragido: Douglas Ricardo Ramos, 26 anos. A Polícia Civil acredita que ele seja o possível chefe do bando e também o proprietário da arma calibre 12, utilizada nos assaltos.

Segundo a DIG, em 2008, Douglas foi investigado como autor de roubos em residências da região do Jardim Europa.  Ele foi preso, porém, atualmente, cumpria a pena em liberdade.

“Douglas é acusado de, pelo menos três, roubos no Jardim Europa, inclusive um com disparo de arma de fogo. O adolescente de 16 anos que pode estar envolvidos nos sequestros e roubos pode ter parentesco com ele”, completa o delegado Cledson do Nascimento.

A prisão preventiva dos três foragidos já está decretada. Quem tiver informações sobre os suspeitos, pode ligar no Disque-Denúncia da Polícia Civil no 197 ou na DIG pelo (14) 3224-3090.


Prática de roubo também está na ‘lista’

Após a onda de crimes com emprego de violência em Bauru na última semana, fica até difícil saber qual crime foi cometido por quem. De acordo com as investigações da Polícia Civil, a quadrilha identificada na íntegra ontem é responsável por dois sequestros-relâmpago e três roubos.

O primeiro sequestro ocorreu na madrugada do dia 9. Uma estudante universitária de 23 anos foi surpreendida por quatro homens enquanto transitava com seu veículo Clio pelo prolongamento da avenida Chaim Mauad.

O outro ocorreu na madrugada seguinte. Um casal foi abordado na rua Padre João, próximo à Praça das Cerejeiras, por cinco homens que ocupavam um Gol G3 verde. Além dos sequestros-relâmpago, a quadrilha também é suspeita de ter três roubos na “bagagem”: um hotel em Lençóis Paulista e uma farmácia e uma mulher em Bauru.

Crime

O titular da DIG, Kleber Granja, afirma que a identificação da quadrilha e o fim da onda de sequestros-relâmpago não é uma coincidência. “É um efeito. Eram eles que estavam cometendo esses crimes”.

Apesar de ainda haver três foragidos, o delegado não acredita que eles possam voltar a cometer as ações criminosas. “Eles, com certeza, estão muito bem escondidos e preocupados. Mas as investigações continuam.”

Resta um

Depois de esclarecer os crimes cometidos pela “quadrilha-relâmpago”, resta apenas descobrir os autores de outro crime semelhante. Também no dia 10, duas professoras de Jaú foram alvos de sequestro-relâmpago. Elas estavam em Bauru para proferir palestra em uma faculdade.

“Ainda estamos investigando esse caso. Porém, sabemos que não foram os mesmos integrantes dessa quadrilha que identificamos agora”, explica o titular da DIG, Kleber Granja.

O primeiro caso da série de sequestros-relâmpagos que foi registrado em Bauru vitimou o proprietário de uma casa de carnes, localizada na avenida Nossa Senhora de Fátima. Ele foi abordado por três homens e uma mulher. A vítima foi amarrada e abandonada em local ermo. A quadrilha foi presa em flagrante com a Hilux do empresário em Valparaíso, na região de Araçatuba.


Já presos

Além de Wilquer Vinícius Cruz, outro suspeito de integrar a quadrilha já está preso. Ítalo Gustavo Pichereli, 18 anos, foi localizado na favela do Parque das Nações na manhã do último dia 12.

Apesar de o suspeito ter negado o crime, ele foi reconhecido pelo casal de vítimas abordado no dia 10. Ítalo seria o responsável por abordar as vítimas e manter a arma apontada para elas.