08 de julho de 2026
Regional

Fatec de Jaú comemora maioridade

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A Fatec de Jaú (47 quilômetros de Bauru) já completou maioridade, tem 22 anos e foi criada para o desenvolvimento da Hidrovia Tietê/Paraná. Forma tecnólogos em dois cursos; sistema de navegação e em construção naval. É especializada na navegação de águas abrigadas, ou seja, em rios, lagos e costas. Os formandos, num total de 20 ao ano por curso, deixam a faculdade empregados, tal a necessidade do mercado. Alunos da instituição de ensino estão trabalhando em todo o país e a faculdade pensa em dobrar o número de vagas por curso.

Professor e coordenador dos cursos, Celso Massahiro Nagado explica que os programas são distintos. “O curso de construção naval trabalha efetivamente na construção e manutenção das embarcações. Os formandos atuam em todas as áreas. Temos especialização em navegação interior e marítima. Em toda a costa brasileira temos alunos formados aqui que estão trabalhando. Assim como em todas as bacias hidrográficas brasileiras, na parte de construção, projeto e manutenção.”

Os formandos do curso de sistema de navegação, trabalham mais na parte operacional e gerencial. “Eles trabalham principalmente nas companhias de navegação, controle da frota, nos estaleiros, na parte de programação e controle de produção, administrativa. Podem trabalhar na vistoria de embarcações, verificação e documentação, regularização de documentos das embarcações, a parte logística das companhias de navegação.”

 

Foco e existência

A Fatec Jaú, segundo Nagado, foi criada para atender a Hidrovia Tietê/Paraná e outras hidrovias do Brasil. “Somos especializados na navegação interior. A Fatec está direcionada para a Hidrovia Tietê/ Paraná, nosso foco e a razão da existência desses cursos. Em 1990, começamos porque tinha uma previsão de crescimento da hidrovia e a formação de profissionais era necessária. Hoje, como a hidrovia está recebendo um incremento maior, se faz necessário um número maior de mão de obra.”

O investimento previsto na Hidrovia Tietê/Paraná é de um R$ 1.5 bilhão. Uma parte do governo do Estado e outra do governo federal. “Além disso, a Transpetro (subsidiária da Petrobrás) vai se instalar na hidrovia. Em Araçatuba está sendo finalizado a construção de um estaleiro. Eles vão construir 20 comboios para a Transpetro”, comenta.

Ele revela que existe uma perspectiva de aumento da procura por profissionais a longo prazo. “Em nossos cursos, cada um deles são 20 alunos, com duração de três anos e tempo integral. Pode ser que tenhamos que aumentar o número de vagas, talvez com 40 ingressantes em cada curso.” 

O professor frisa que alunos formados na Fatec de Jaú estão praticamente em todo o Brasil.

“Em todas as capitanias de navegação interior  e nas capitanias da marinha de guerra tem vistoriadores formados aqui. Um convênio com a Marinha brasileira permite que formemos, além da graduação normal, os aquaviários. Esse pessoal é o operacional da hidrovia. Formamos mestres fluviais, capitães fluviais.”

 

Turismo aquece mercado regional

O aproveitamento do turismo náutico na região tem aquecido o mercado regional de profissionais habilitados para embarcações. Na cidade de Novo Horizonte, por exemplo, há um projeto em andamento, comenta o coordenador dos cursos da Fatec/Jaú.

“Pederneiras  tem interesse em fazer o mesmo. Em Jaú foi feito uma Marina e se desenvolve o que a gente  chama de mini- cruzeiro. O pessoal faz um percurso saindo de Barra Bonita, passa por Ibitinga e chega em Jaú. Os turistas fazem compras  de enxoval em Ibitinga, passeiam em Barra Bonita e compram sapatos em Jaú”, diz Celso Nagado. De acordo com o professor, foi construído um terminal em Jaú. “Onde as embarcações de Barra Bonita fazem o percurso. Esse tipo de turismo cresce e nós damos suporte. Começam a abrir mais frentes de trabalho para esse pessoal que se forma aqui. Na região, cresce o mercado em função do grande desenvolvimento da Hidrovia Tietê/Paraná. Fora isso várias empresas começaram a se instalar por aqui. Empresas que a gente chama de certificadoras que fazem a regularização da embarcação e atuam no Brasil todo. Então aqueles que são contratados aqui podem ser designados para executar os serviços no Brasil todo.”

A distância dos oceanos é um item que contribui para que se desenvolva o turismo náutico. “Nós temos essa especialização, aproveitamento de lagos e rios. São várias cidades que entram em contato com a gente. Cada vez mais as prefeituras do Interior querem implantar o turismo náutico, especialmente as cidades ribeirinhas. Os prefeitos têm essa visão de aproveitar melhor o turismo, nós acabamos sendo referência, especialmente em projeto de marinas, aproveitamento das embarcações e manutenção dessas embarcações. As companhias de navegação começaram a se instalar.”

 

Sistema poderá economizar 80 mil viagens de caminhão

O Promef Hidrovia é um marco na logística de etanol no Brasil, segundo a Transpetro. Criado em 2010,  ele usará em larga escala a Hidrovia Tietê/Paraná para o escoamento da produção do Centro Oeste e Sudeste do País. Idealizado nos moldes do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), responsável pela revitalização da indústria naval brasileira.

O Promef Hidrovia tem investimento de R$ 432 milhões e prevê a construção pelo Estaleiro Rio Tietê, em Araçatuba (SP), de 20 comboios - cada um formado por um empurrador e quatro barcaças. As novas embarcações terão capacidade para transportar 7,6 milhões de litros de etanol.

O Promef Hidrovia faz parte do Sistema Integrado de Transporte de Etanol, que inclui a construção de um etanolduto, com centros coletores espalhados pelos estados produtores.

Alguns desses centros estão localizados no trecho do Corredor que utiliza a Hidrovia Tietê-Paraná. Nesse trecho, por meio dos comboios operados pela Transpetro, o etanol seguirá em barcaças até o novo Terminal de Anhembi (SP).

Dali, o combustível será bombeado, por duto, até a Refinaria de Paulínia, também em São Paulo, de onde sairá para abastecer o mercado consumidor brasileiro e o mercado externo. Terminais marítimos, nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro, vão garantir a exportação do produto.

Quando estiver em plena operação, o sistema terá capacidade para transportar até 4 bilhões de litros por ano, substituindo 80 mil viagens de caminhão.

O transporte hidroviário emite um quarto do gás carbônico e consome vinte vezes menos combustível do que o utilizado pelo transporte rodoviário para uma mesma carga e distância. Cada comboio tem a mesma capacidade de carga de 172 carretas ou de 86 vagões ferroviários. 

Em tempo: o projeto vai permitir também o transporte de derivados de petróleo, melhorando a logística de abastecimento do Centro-Oeste.