Ingestão de alimentos contaminados e água, má higiene das mãos e mudanças bruscas de temperatura colaboram para doenças respiratórias, diarreias e infecções de pele. Essas enfermidades fazem com que uma família brasileira gaste em média R$ 1.151,55 no tratamento de doenças causadas por vírus e bactérias. O estudo “O custo das doenças do dia a dia” aponta que o país gasta com essas enfermidades US$ 12 bilhões (R$ 24 bi) por ano ao considerar a população do Brasil. Hábitos de higiene evitariam as doenças.
O médico Luiz Antônio Bortozo Sabbag, do departamento de urgência e emergência da Secretaria Municipal da Saúde, considera que os gastos de cada família com remédios demostrado na pesquisa estão próximos da realidade.
Ele relativiza o “custo doença cotidiana” pontuando que a população mais carente obtém remédios na rede pública de saúde. Coincidentemente, são as pessoas com menor poder aquisitivo que estão mais expostas por falta de informação, de acesso a saneamento básico e de cuidados com a higiene pessoal, como lavar as mãos antes do contato com alimentos.
As mães entrevistadas acreditam que durante o inverno as crianças ficam mais doentes pelo menos o dobro de vezes do que em qualquer outra época. Sabbag comenta que as doenças respeitam uma sazonalidade. No inverno, as enfermidades mais comuns são ligadas ao sistema respiratório – gripes, resfriados e infecções de garganta. No verão, a desidratação predomina. A infecção de pele – piodermites – e as gastroenterites relacionam-se à falta de higiene pessoal e de saneamento básico.
O médico ratifica o dado do estudo que cita a gripe como doença de maior incidência no País, independente da época do ano. Dos 587 episódios de doenças foram experimentados pelos 894 membros das 207 famílias pesquisadas durante dois meses. O estudo revela que as doenças respiratórias são as mais frequentes com 372 episódios (63,4%). Depois, as diarreias com 132 casos (22,5%). As infecções da pele – bolhas, erupções cutâneas ou brotoeja – 83 episódios (14,1%).
Sabbag assinala também a faixa etária como condição para determinadas enfermidades. Até os 13 anos, são comuns as gastroenterites. A faixa etária acima é mais acometida de enfermidades relacionadas à sazonalidade.
O estudo aponta que as infecções de pele geram despesas maiores, totalizando R$ 116,32 por episódio. A piodermite é a popular pereba que deixa o corpo da criança com várias feridas avermelhadas.
Sabbag orienta para que no período de calor é fundamental lavar bem frutas e verduras. A água da torneira ou de poço precisa ser filtrada. De acordo com o Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a lavagem das mãos com sabonete pode reduzir infecções diarreicas em até 40%. A lavagem deve ser feita no mínimo em cinco momentos do dia quando há risco de contaminação. Antes do café da manhã, do almoço e do jantar, logo após usar o banheiro e ao chegar em casa.
A pesquisa “Custo das doenças do dia a dia” foi feita pela Lifebuoy em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres em julho de 2012 no Brasil. O mesmo estudo foi realizado na Índia, Indonésia, Arábia Saudita e África do Sul.
Classe média é blindada
A condição socioeconômica está diretamente relacionada com o tipo de enfermidade a que se expõe com maior frequências as pessoas. Viroses e bactérias, na avaliação do médico Luiz Antônio Bortozo Sabbag , atingem mais as pessoas de baixa renda.
Das 207 famílias entrevistadas na pesquisa “O custo das doenças do dia a dia” quase metade delas está na categoria de renda mensal menor que R$ 1.244,00.
A classe média gasta seu dinheiro na farmácia com outros remédios. Também possui melhor entendimento dos riscos de contaminação, consome água filtrada e desfruta de acesso a saneamento básico. “A classe média não chega a gastar tanto assim”, projeta Sabbag.