09 de julho de 2026
Bairros

Cresce adesão ao ciclismo como transporte

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Em tempos de saturação da malha viária com muito carro e pouca rua, a magrela nunca esteve tão em evidência. Mais e mais pessoas correm para as lojas atrás delas. Preocupação com a forma física, saúde, geralmente são os maiores propulsores para adotar o hábito de pedalar. Porém, a saturação do trânsito de veículos motorizados começa a provocar uma, ainda que tímida, migração para a bicicleta.

Essa nova postura é verificada em números do comércio do ramo. Ano passado, em Bauru, lojistas do setor chegaram a verificar um crescimento de vendas superior a 40% em relação a 2010. Neste ano, visto o impulso que tomou a procura nas lojas especializadas, os índices devem ser ainda maiores, estimam comerciantes do setor.

Um dos lojistas que observam essa maior procura é Wagner Bisacchi. Há 20 anos no ramo, ele confirma o período de aquecimento nas vendas e pedaladas dos clientes. Para ele, a procura pelas bikes é reflexo de maior conscientização das pessoas na luta contra o sedentarismo e busca por melhor qualidade de vida.

Contudo, observa o comerciante, já há também quem procure o veículo como alternativa de transporte para meios com tração motorizada, visto o atual estágio de saturação no trânsito das grandes e médias cidades. “Já há essa preocupação em ir trabalhar de bike, como faço às vezes e alguns funcionários sempre”, exemplifica.

Mas ele ressalva, pelo menos na loja, a maioria dos fregueses ainda busca bicicletas para passeios de aventuras, em trilhas pela região, ou pelas ruas nos fins de semana.

Membro do Clube do Pedal, grupo que se reúne três vezes por semana para pedaladas urbanas noturnas em dias úteis, e em trilhas, aos sábados, ele mesmo conta que só pode abraçar o antigo hobby como profissão, ao abrir a loja, depois que trocou o terno e gravata do cargo executivo que ocupava em São Paulo, por Bauru.

Há duas décadas, quando ele trocou a capital pelo interior, a frota era menor, assim como o risco de se pedalar pelas ruas da cidade. Atualmente, andar de bicicleta por avenidas muito movimentadas, como a Duque de Caxias (com média de 600 veículos/hora em horários de pico) é “esporte radical”.

Mesmo assim, já há quem protagonize uma nova mudança de hábito. Da mesma forma que, há alguns anos, o carro, como meio de transporte e figura de status, tomou as ruas, as bikes, de forma ainda embrionária, ganham forma de protagonista também no dia a dia.

Contramão

A procura pelas bikes contrasta com a falta de incentivos para baratear o custo das mesmas, observa o lojista Wagner Bisacchi.

Enquanto a venda de carros encontra constantes abatimentos fiscais, entre eles a redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) -  o desconto mais recente incidirá sobre carros que fizerem menos de 17 quilômetros por litro consumido de gasolina -  e consequente aumento da frota (nas capitais quase dobrou em dez anos), as bicicletas encontram nos altos encargos um obstáculo para a expansão nas vendas, dizem os comerciantes.

“Ainda engatinhamos em termos de cultura em comparação a outros países”, compara ele, que viajou e testemunhou hábitos diferentes com relação à mobilidade, principalmente na Europa, com aluguel de bicicletas e vias apropriadas. “As vendas aquecem, mas o preço continua alto para bicicletas e peças”, diz o vendedor. Segundo ele, graças aos encargos, as magrelas estão em média 20% mais caras que no ano passado. “Mas a preocupação em combater o sedentarismo sobressai e as vendas estão maiores também”, contrapõe.