09 de julho de 2026
Economia & Negócios

High school é passaporte para futuro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Estudantes que pretendem ingressar em universidades de língua inglesa ou que pretendem conseguir uma vaga futura de emprego em multinacionais precisam ter o inglês afiado. Mas, na prática, a fluência da maioria costuma ser bastante precária, o que fecha portas para a educação e o mercado de trabalho internacionais.

Uma das estratégias para driblar esta deficiência - que vem ganhando corpo no Brasil e, agora, também em Bauru - é estudar em uma “high school” sem precisar fazer intercâmbio. Desde o início do ano, o diploma norte-americano pode ser obtido por alunos da escola bilíngue FourC, por meio de uma parceria estabelecida com a Texas Tech University (TTU).

Como aprendem o inglês formal, habilidade valorizada pelas instituições de ensino e empresas estrangeiras, fica mais fácil disputar uma vaga em uma universidade dos Estados Unidos e, para quem pretende continuar em solo verde-amarelo, conseguir estágio ou mesmo emprego com boa remuneração.

“Nas escolas de idiomas, o aluno consegue aprender o inglês básico e a consequência é que nossas vagas de trabalho acabam sendo ocupadas por profissionais estrangeiros. Isso ocorre porque o brasileiro não tem fluência para argumentar e negociar em inglês, por melhor profissional que seja”, destaca Rogério Abaurre, coordenador da TTU no Brasil.

Uma vantagem é que o ensino oferecido em Bauru, a “high school” não é uma alternativa ao ensino médio brasileiro. Eles são ministrados simultaneamente. Além de incluir o currículo tradicional exigido pelo Ministério da Educação, são acrescentadas à grade disciplinas que não são ensinadas no Brasil, como política, economia, história americana, literatura inglesa, oratória e sistemas de informação.

“Os alunos cursam normalmente a escola, com currículo brasileiro. Quem faz ‘high school’ tem uma hora e meia de aula no período da manhã, às terças e quartas-feiras; e duas aulas no período da tarde, às terças e quintas-feiras. Tudo encaixado de acordo com os horários do ensino médio normal”, frisa Sara Hughes, sócio-gestora da FourC.


Mais do que falar, curso ensina alunos a argumentar em inglês

As matérias do currículo brasileiro administrado pela FourC são ministradas em português e inglês, com o limite de 20 alunos por sala. Nas aulas complementares que correspondem à “high school”, a comunicação é sempre realizada em inglês, com professores estrangeiros.

As matérias que encontram correspondente no currículo americano (química, matemática, biologia e física, por exemplo) serão convalidadas pela Texas Tech University (TTU), não sendo necessário ao aluno refazê-las em inglês.

O conteúdo do curso americano é distribuído em seis horas por semana e não há tarefa ou leitura em casa para não prejudicar os estudos do currículo do ensino médio brasileiro.

Na disciplina de oratória, o aluno aprende a falar em público ao argumentar, debater, fundamentar e defender suas ideias em inglês, diante do grupo. Também estuda os discursos de oradores famosos como Martin Luther King, Barack Obama, John Kennedy e Steve Jobs, avaliando a técnica e a eficiência das argumentações.

Os alunos produzem redações durante o programa, adquirindo e praticando técnicas de escrita para o desenvolvimento de textos com argumentação sólida. Para tanto, uma das estratégias é colocá-los em contato com as principais obras literárias de língua inglesa, que são estudadas e interpretadas.

Os estudantes aprendem ainda princípios de economia, aprendendo sobre os tipos de empresas, comportamento da oferta e da demanda, composição de preços, políticas fiscais e monetárias e sistema financeiro. Ao fim do curso, o aluno se forma simultaneamente na FourC e na Texas Tech University High School, com diploma reconhecido pelo governo dos EUA.

Em todo o Brasil, a TTU já estabeleceu parceria com 40 instituições de ensino brasileiras, sendo 15 delas no Estado de São Paulo.

 

Vestibular

As aulas do currículo americano são opcionais e o aluno pode apenas cursar o ensino médio na instituição. E quem decide fazer a “high school” chega ao fim do curso com as mesmas condições de um “aluno normal” para prestar vestibular.

“Normalmente, os alunos não querem fazer graduação fora, mas pensam em uma especialização. Então, eles podem tranquilamente ingressar nas melhores universidades brasileiras” detalha Abaurre. De acordo com o coordenador, inclusive, os estudantes seriam melhor preparados, pois aprenderam a argumentar ao estudar oratória, além de terem maior conhecimento sobre fundamentos da economia e história americana moderna.

Também pensando em não atrapalhar a preparação dos vestibulandos, os três anos do “high school” são ministrados entre o 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) e a 2ª série do ensino médio. Na 3ª série, ficam livres para centrar esforços nos processos seletivos para o curso superior.

Ao fim, obtém dois diplomas do ensino médio: o nacional e o internacional, reconhecido pelo governo dos Estados Unidos e aceito oficialmente nas maiores universidades do mundo. “Muitas faculdades americanas oferecem bolsas e, por isso, acaba sendo mais barato estudar nos Estados Unidos do que em São Paulo. Mas, quem quer ficar no Brasil, ou mesmo em Bauru, pode trabalhar em multinacionais pela internet. São múltiplas possibilidades”, destaca Sara.

 

Aprovação 

 

Para ingressar na high school é necessário a aprovação na prova internacional que é aplicada pela FourC na própria escola. Após inscrição prévia, o aluno que irá iniciar o 9º ano do ensino fundamental ou a 1ª série do ensino médio pode fazer o exame gratuitamente, mesmo que seja apenas para a sua própria avaliação, sem vínculo com matrícula. 

 

A próxima prova será realizada no dia 29 de setembro, na sede da unidade, que fica na avenida Afonso José Aiello, 12-50, Vila Aviação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3878-9600.