Montevidéu - Investidores estrangeiros estão comprando e arrendando mais terras agrícolas no Uruguai, de olho na possibilidade de lucros elevados por conta da alta dos preços dos alimentos, destacou na quarta-feira, dia 17, o presidente da corretora Ariel Investment Management, Jonathan Lassers, nos bastidores de uma conferência sobre agricultura em Cingapura.
Mais de 85% das terras do Uruguai, que está entre os maiores países exportadores de arroz e carne, são usadas direta ou indiretamente para atividades agrícolas e de florestamento.
No ano passado, mais de 900 mil negócios de arrendamento de terras agrícolas - com média de 340 hectares - foram feitos, bem acima da média de 678 mil/ano dos últimos 10 anos, apontou Lassers.
Investidores da Argentina e do Brasil e até mesmo da América do Norte estão participando de negócios de terras no Uruguai, segundo o executivo. O interesse se deve, pelo menos em parte, ao fato de que os preços do milho e da soja estão perto de máximas recordes.
A terra cultivável no Uruguai pode ser adquirida por valores entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por hectare, enquanto em partes da América do Norte e da Europa esse valor pode alcançar US$ 29 mil por hectare, segundo o executivo. A taxa média de arrendamento de áreas agrícolas no Uruguai fica em torno de US$ 320/hectare - o equivalente a cerca de metade a um terço do valor cobrado no Meio-Oeste dos EUA.
A combinação de terras relativamente baratas e preços elevados dos alimentos oferece aos compradores de terra e arrendatários a possibilidade de bons retornos. Ao contrário da Argentina e do Brasil, o Uruguai não tem restrições a investimento estrangeiro em terras agrícolas. As informações são da Dow Jones.
Procura é por terra com valor baixo
Montevidéu - A escalada global dos preços dos alimentos tornou-se um atrativo para diversos tipos de investidores, que agora voltam suas atenções para países onde os valores das terras agrícolas são mais baixos e o retorno financeiro, maior. Esse foi o assunto central de uma conferência organizada até quinta-feira, dia 18, em Cingapura, que agrupou representantes da indústria de alimentos, traders, processadores e, claro, investidores.
No Reino Unido, por exemplo, o hectare de terra agrícola vale, em média, US$ 24 mil. Já na Ucrânia, o mesmo hectare custa em torno de US$ 100, segundo Vasile Foca, diretor da companhia de gestão privada Talis Capital.
A conferência concluiu que países da América Latina, da África e da região do Mar Negro são, hoje, os principais destinos dos investimentos em agricultura. Com os preços dos alimentos elevados a nível global, são nessas nações onde o lucro com a agricultura tende a ser maior. Em setembro, o índice de preços dos alimentos medido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) atingiu 263 pontos, valor 7% superior ao verificado em igual período de 2011.
A trading Olam International é uma das companhias que está expandindo seus negócios, especialmente os de café, em locais onde os preços das terras são mais baixos. “Estamos visando agora o Brasil e a Indonésia”, comentou S.V. Padmanabhan, vice-presidente da trading. As informações são da Dow Jones.