08 de julho de 2026
Geral

Abandono de estádio gera revolta em moradores

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A menos de 20 dias para Bauru receber os Jogos Abertos do Interior, a precariedade em que alguns estádios distritais da cidade se encontram é preocupante. Quem passa pelo estádio Edson Pereira Leite, na Vila Santista, não precisa de chaves ou autorização para entrar. Com os portões arrombados, a única marca de que algum dia ali existiu zelo encontra-se em meio aos escombros de uma casa queimada há alguns anos. Preocupados com a “insegurança pública” diante da situação, frequentadores e vizinhos das imediações reclamam da situação.

“Não dá para permitir que meu filho jogue bola num local daquele, que pode proporcionar até riscos de morte”, afirma o escritor e educador de cidadania Habib Jacob, que conta ter ficado chocado com as condições do estádio quando levou seu filho de 12 anos para disputar uma copa infantil pelo time “Meninos da Vila”, há 15 dias.

“No sábado retrasado veio um pessoal de Lins jogar e eles também ficaram horrorizados com as péssimas condições”, completa Jacob.

Atualmente, o campo do estádio distrital é utilizado pela Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) para o Campeonato da Segunda Divisão e pelos projetos de escolinhas de futebol do município.

Ao passar pelos portões do local, já é possível observar as más condições do que seria o gramado. Desníveis na área de jogo demonstram os riscos de lesões para os atletas que utilizam a praça esportiva, único local de treinamento para a população da região.

Nos vestiários, a situação é um pouco pior. Lixo no chão, nos vasos sanitários e nas pias, infiltrações, vazamentos, pichações e até entulho são encontrados nos locais que, em tese, deveriam servir de preparo e acomodação para os jogadores.

Apenas duas salas em todo o estádio - que possui ao menos quatro banheiros e um pequeno cômodo na área de entrada - estavam trancadas com cadeados na manhã de ontem.

Da casa de um funcionário que cuidava do estádio antigamente, apenas as paredes e alguns móveis destruídos restaram de um incêndio ocorrido há alguns anos e que ainda estão no local.

 

E a fiscalização?

“Dá até dó. Faz muito tempo que esse estádio está assim. Os políticos só prometem. Sinto até vergonha de morar perto do estádio do jeito que ele está hoje. Virou terra de ninguém”, comenta o comerciante Joaquim Barbosa, proprietário de um bar e vizinho há 46 anos do local onde o estádio foi construído pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) na década de 90.

“O engraçado é que no meu estabelecimento vem fiscal da prefeitura quase todos os dias. E essas condições do estádio do município, quem fiscaliza?”, questiona o morador.

A opinião de Barbosa é compartilhada pelos irmãos Clarice Alves Gomes e Carlos Gomes, que além de lamentarem a precariedade em que se encontra o patrimônio público, acrescentam: “Depois que anoitece, nem dá para sair de casa. Esse lugar virou ponto de (consumo de) droga. De madrugada dá para escutar o pessoal bagunçando lá dentro. Tenho medo”, relata a idosa de 68 anos, frisando que o local traz riscos tanto de saúde quanto de segurança, principalmente para as dezenas de crianças moradoras que costumam brincar nos arredores do estádio.

 

Reforma

Questionada, a Semel demonstrou estar ciente dos problemas causados pela falta de manutenção diária do Estádio Edson Pereira Leite.

“O caseiro que cuidava do local faleceu e a Semel está providenciando a contratação de outro funcionário. Enquanto isso, serviços limpeza da caixa d’água, capinação e limpeza em geral são realizados periodicamente em sistema de rodízio por equipes da secretaria. No caso do estádio da Vila Santista, a manutenção está programada para meados da próxima semana”, diz a prefeitura em nota.

Ainda segundo a Semel, a última reforma e ampliação do estádio foram realizadas em 2010, e a próxima está prevista para 2013. Conforme a secretaria, o distrital não está na lista dos locais que serão utilizados durante a 56ª edição dos Jogos Abertos do Interior.