A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, prendeu um homem que tentou assaltar um caminhoneiro na madrugada de ontem. Além de ser baleado pela vítima, Paulo César Vieira Santana, 18 anos, foi identificado pelo número de telefone de sua mãe no telefone celular.
A tentativa de roubo ocorreu por volta das 3h30 da manhã no Jardim Araruna, em Bauru. Lá, um caminhoneiro de 51 anos (a identidade foi preservada pela reportagem) dormia dentro do seu veículo, um caminhão avaliado em R$ 80 mil.
De acordo com ele, ouviu um barulho durante a madrugada e, ao olhar pela janela, viu dois homens tentando entrar no caminhão. Ao ver que o bandido conseguiu destravar a porta do veículo, a vítima pegou um revólver calibre 38 e bateu na janela do caminhão.
Os bandidos gritaram que iriam atirar no caminhoneiro. Foi quando ele, de acordo o titular da DIG, Kleber Granja, agindo em legítima defesa, disparou duas vezes contra a dupla.
Um dos bandidos foi atingido na perna e caiu. Entretanto, foi auxiliado pelo comparsa e fugiram em um veículo estacionado próximo ao local do crime. O homem baleado deixou cair seu celular.
Pela manhã, o caminhoneiro se apresentou na DIG, juntamente com o revólver utilizado para se defender e o aparelho celular do bandido. “Fizemos uma consulta nos nossos bancos de dados e vimos que Paulo César Vieira Santana estava em um hospital em Lins (102 quilômetros de Bauru) por ter sido baleado. Lá, ele disse que era a vítima de um assalto”, explica Kleber Granja.
Ao se deparar com a informação, os policiais procuraram qual telefone de contato Paulo César havia passado em Lins e discaram esse número no celular encontrado no roubo de Bauru. Na tela, apareceu a inscrição “mãe”.
Policiais da DIG de Lins, sob o comando do delegado Artur Manoel Nogueira Franco, foram até o hospital e localizaram Paulo César, que confessou o crime. Ele foi transferido para o Hospital Estadual (HE) de Bauru, onde passou por cirurgia ontem.
Foi expedida sua prisão temporária e, assim que ele receber alta, será preso. “Ele não revelou quem era seu comparsa, porém, as investigações estão avançadas. Temos indícios de que a dupla faz parte de uma grande quadrilha de roubos de veículos”, finaliza o titular da DIG, Kleber Granja.
Legítima defesa
Apesar de não ter a posse da arma, o caminhoneiro não foi detido. “Como ele estava dormindo no caminhão, considerei a extensão da casa dele. Então, configurou-se como posse de arma de fogo”, explica o delegado Kleber Granja.
A arma estava regularizada e o fato de o homem ter se apresentado na DIG também contou a seu favor. “Além disso, ele atirou conscientemente para baixo. Não atirou no peito do ladrão, por exemplo. Tudo indica que ele agiu em legítima defesa.”
No mês passado, caso semelhante chamou a atenção. Após ter sua casa assaltada e sua esposa baleada no Jardim Estoril 3, José Ferreira Barbosa Neto, 49 anos, atirou contra o trio de ladrões. Como a arma usada era do seu pai, o homem passou a noite preso e só foi liberado após pagar R$ 690,00.
Neste mês, porém, conforme o JC divulgou com exclusividade, o inquérito contra ele foi arquivado.