Uma tempestade rápida, de cerca de meia de duração, foi capaz de provocar estragos em pontos distintos de Bauru, ontem à tarde. Acompanhada de granizo e vendaval, a chuva que atingiu a cidade resultou em capotamento, alagamento e queda de árvores. Por ter sido registrada no final da tarde, também testou a paciência dos motoristas, que enfrentaram trânsito lento nas principais artérias viárias da cidade.
Tradicional ponto de alagamento de Bauru, a quadra 1 da avenida Alfredo Maia, mais uma vez, foi coberta por água. Moradores que precisavam atravessar o trecho se aventuraram, apoiando-se nos muros dos imóveis, até chegar ao outro lado. Contrariando as recomendações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, alguns motoristas e até motociclistas desafiaram a sorte e trafegaram em meio à água represada.
Já na avenida Nações Unidas Norte, na altura do acesso à Vila Garcia, um Corsa ocupado por um casal e uma criança capotou depois que o motorista perdeu o controle da direção. Segundo informações prestadas pela Defesa Civil, o veículo teria aquaplanado e caído em um barranco.
Os ocupantes, que não haviam sido identificados até o fechamento desta edição, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) apenas com ferimentos leves. “Provavelmente, ele tentou frear sobre a água e o carro ficou desgovernado”, avalia o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, que esteve no local do acidente.
Também por sorte, ninguém ficou ferido em outra ocorrência perigosa registrada na quadra 4 da avenida Comendador José da Silva Martha, no Jardim Estoril. Segundo informações prestadas pela Defesa Civil, galhos se desprenderam de uma árvore e caíram sobre o estacionamento de uma farmácia, arrebentando a fiação da rede elétrica do estabelecimento.
Trânsito lento
Ninguém ficou ferido e, como nenhum veículo estava estacionado no momento do acidente, também não houve registro de outros danos patrimoniais. Já na quadra 19 da rua Alfredo Ruiz, também no Estoril, uma árvore caiu com a força dos ventos e interditou o trânsito.
Acionada, a assessoria de imprensa da CPFL informou que as chuvas provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica em vários bairros da cidade. Até o início da noite de ontem segundo o centro de operações da empresa, os casos mais críticos se concentravam no Jardim Jussara, além de outros dois bairros, onde 714 unidades consumidoras estavam sem o serviço.
Já o tráfego de veículos, normalmente complicado em horário de pico, ficou ainda mais sobrecarregado por conta das fortes pancadas de chuva, que começaram por volta das 16h30.
Entre os locais de demandaram paciência e atenção adicionais dos motoristas estavam a avenida Castelo Branco desde a Praça Primaz Chujiro Otake até a altura da quadra 30, trevo de acesso da avenida Nuno de Assis à rodovia Marechal Rondon, trecho urbano da rodovia até as imediações da avenida Cruzeiro do Sul, avenida Comendador José da Silva Martha desde a Praça Portugal até a altura do condomínio residencial Shangrilá e toda a extensão da avenida Duque de Caxias.
Pancadas
Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a última tempestade semelhante a esta, com raios, vendaval e pancadas fortes foi registrada há cerca de um mês. No dia 21 de setembro, o registro foi de 72,1 milímetros de chuva, que castigaram a cidade.
Já no dia 19, após 63 dias de estiagem, foram 13,5 milímetros de precipitações até as 22h, suficientes para garantir alívio aos moradores que sofriam com o tempo seco. Ontem, em pouco mais de meia hora, o IPMet registrou 10,9 milímetros de chuva, que foi dividida em pelo menos três pancadas fortes no final da tarde.
Antes da tempestade, por volta do meio-dia, os ventos chegaram a 47,3 quilômetros por hora, quando a umidade relativa do ar batia a casa dos 40%. Depois do temporal, o nível foi elevado e, até o início da noite, se mantinha em 94%.