09 de julho de 2026
Esportes

Pascholotto vence o São José: 74 a 60

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

Basquete: Sem sobressaltos

 

O Paschoalotto/Bauru abriu a série melhor de cinco jogos contra São José com vitória, ontem à noite, na Panela de Pressão, e deu o primeiro passo para o basquete da cidade voltar a uma final de Campeonato Paulista após 12 anos – a última decisão foi contra Franca, em 2000. Com uma vitória sem sobressaltos por 74 a 60, os bauruenses cumpriram o objetivo de não cometer o mesmo erro das semifinais do ano passado, quando foram derrotados em casa no primeiro jogo e viram os joseenses fecharem a série no Vale do Paraíba. Porém, a festa ficou mesmo para os torcedores. O time já deixou a quadra concentrado para repetir o desempenho hoje, às 20h, no mesmo local, e ratificar o mando de quadra, abrindo perspectivas de encerrar o duelo fora de casa. O terceiro jogo da série está confirmado para São José dos Campos no domingo, a partir das 16h30.

 

O pivô de Jeff Agba teve atuação consistente e foi dominante em quadra, terminando como cestinha da partida, com 19 pontos, além de ter capturado nove rebotes. Também pontuaram em dois dígitos pelo Paschoalotto os alas John Thomas e Fischer, com dez e 12 pontos, respectivamente. O ala/armador Laws foi o principal pontuador de São José e único jogador da equipe visitante a atingir dois dígitos, com dez pontos. O pivô Murilo fez sete pontos e o armador Fúlvio, oito. Os números mostram que o Paschoalotto cumpriu o objetivo de anular a jogada de pick and roll (confira como funciona em quadro nesta página) entre ambos, principal preocupação para a série.

 

 

O jogo

 

São José saiu na frente em contra-ataque, que terminou com cesta de Laws. Bauru empatou com Jeff, que, logo depois, virou após pontuar, sofrer falta e converter o lance de bonificação, 7 a 4. E foi Jeff que logo de cara mostrou que a noite era sua e puxou o desempenho do Paschoalotto. Contando com marcação implacável, a equipe bauruense passou a dominar amplamente e abriu 17 a 9, restando 2min20s para o final da parcial. São José apostava nos arremessos de perímetro, mas a pontaria não estava calibrada. Assim, a vantagem no quarto só não foi maior porque o Paschoalotto acabou errando nos momentos finais e viu os visitantes encurtarem, em contragolpe, para 21 a 16.

 

A marcação de Bauru seguiu encaixada na segunda parcial e São José persistiu na opção de arriscar da linha dos três. Porém, conseguiu “ajustar a mira” e encostou em 21 a 20, após cesta de três de Ícaro. A resposta de Bauru veio na mesma moeda: Pilar encestou também de três. Aproveitando-se de erros do Paschoalotto, São José conseguiu a virada, a 5min42s do intervalo, em contra-ataque finalizado por Laws de bandeja, 27 a 25. Gui, de três, não deixou o time joseense se acostumar a liderar o placar. Nos minutos finais da parcial, Bauru voltou a imprimir marcação forte e se impor para terminar o quarto nove pontos à frente, 39 a 30.

 

O Paschoalotto voltou implacável para o terceiro quarto. Impulsionado por contra-ataques e pela pontaria certeira de Fernando Fischer nos chutes de três, o time ampliou a distância para 17 pontos no placar em menos de três minutos, 49 a 32. A última partida da FIB nesta fase é justamente contra Sertãozinho, novamente fora de casa, no dia 31. São José, entretanto, não desanimou. E a nova reação veio na principal arma da equipe ontem, os arremessos do perímetro. Álvaro e Fúlvio e, depois, Erick, de dois, reduziram a desvantagem para nove pontos e fizeram o técnico Guerrinha pedir tempo para orientar o Paschoalotto. 

 

A diferença chegou a ser de quatro pontos, mas o Bauru voltou a impor ritmo forte, acelerando o jogo e quebrando a estratégia cadenciada de São José e destruindo qualquer pretensão de reação adversária. Bauru perdeu a parcial por um ponto, mas manteve vantagem de oito pontos, 55 a 47. O Paschoalotto entrou no quarto final disposto a não correr riscos, abriu 15 pontos a pouco mais sete minutos para o final da partida e passou a administrar. O jogo ficou mais arrastado e a diferença pouco se alterou. John Thomas, de três, fechou a conta para festa do bom público na Panela: 74 a 60.

 

Basquete: Guerrinha vê ‘jogo do título’ hoje

 

“O jogo do título, na minha opinião, é amanhã (hoje). É um jogo que nos dá condição de voltar aqui e condição de fechar lá”, sentencia o técnico Guerrinha. A declaração do treinador dá a dimensão da importância da partida desta noite, a segunda da série contra São José, para o Paschoalotto. “Não podemos nos desconcentrar”, alerta o técnico. Jogadores e comissão técnica do Bauru deixaram a quadra cientes de que fizeram parte do trabalho, mas considerando que parte fundamental será escrita hoje entre as linhas da quadra da Panela.

 

Guerrinha aprovou a equipe, ontem, mas fez um alerta para a continuidade do playoff. “A gente abriu 16, 17 pontos e dá aquela desconcentrada e começa jogar errado. Do outro lado tem um time de qualidade, que busca o placar. Temos que entender que no momento que você impõe a diferença tem que continuar do mesmo jeito, na defesa, no ataque. E saber que o jogo de São José aqui é um jogo de estudo, truncado. Conseguimos sair disso, mas em alguns momentos tivemos recaídas. Basquete, você paga à vista quando joga errado”, avisa. 

 

Basquete: Jeff domina o garrafão

Todos que foram à Panela de Pressão, ontem, viram um pivô dominante em quadra: Jeff Agba. O que desequilibrou o jogo não foi o temido pick and roll entre o armador Fúlvio e o pivô Murilo, mas sim o desempenho intenso e eficaz de Jeff, que anotou 19 pontos, nove deles logo no primeiro quarto. “Jogo de playoff não tem amanhã, tem que ganhar a cada dia. Se você deixa para amanhã, ninguém sabe o que vai acontecer. Tem que entrar com esta energia. Mas foi só um jogo, conseguimos o primeiro objetivo e vamos entrar para ganhar de novo amanhã (hoje). Temos time para vencer e chegar à final”, considera o pivô. “Procurei fazer as coisas que eu posso fazer, contribuir com o time”, resume. O técnico Guerrinha elogia a atuação de seu jogador. “O Jeff foi a diferença do jogo. Foi brilhante a participação dele”, aponta.

Pelo lado de São José, Murilo analisou a atuação de sua equipe. “Nossa defesa até que não foi ruim, mas demos muitas segundas chances para eles. Deve ter uns dez, 15 pontos de rebotes deles. Nosso ataque fez 60 pontos e é muito baixo para ganhar aqui”, diagnostica. De fato, o Paschoalotto terminou a partida com dez rebores a mais que o adversário: 37 a 27.