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Neide Carlos |
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O motorista Antônio Benício Moreno acredita que foi “milagre” escapar ileso de fogo em caminhão, onde também estavam um filho e um vizinho. Para evitar o pior, ele entrou de ré na Lagoa da Quinta da Bela Olinda. O veículo foi retirado e já voltou para a casa da família, no Beija-Flor. Boa parte da carga de sucata está preservada. |
A rotina de trabalho de Antônio Benício Moreno foi quebrada ontem em Bauru por um inesperado incêndio no caminhão que usa para ganhar a vida. Ninguém se feriu, e Antônio fala em “milagre”.
O final da manhã transcorria tranquilo no Mercedes 1113 fabricado em 1973 - carregado de sucata para venda em ferro-velho - quando, na Quinta da Bela Olinda, começou o incêndio na carroceria. O jeito foi manobrar e entrar de ré na conhecida lagoa da região. Imediatamente, Antônio, um filho e um vizinho abandonaram a cabine - assustados, mas ilesos.
O vizinho é o mesmo que, na noite anterior, recebeu um aviso de Antônio. “Nesta quinta-feira você verá um milagre acontecer”.
Evangélico, Antônio se referia ao fato de que esperava por um “sinal” de que Deus “faria uma obra”. “E fez. O caminhão pegou fogo e a gente saiu sem ferimentos. Até o próprio veículo foi preservado, só vai precisar de alguns reparos”.
A certeza de que algo excepcional estava por acontecer tomou conta de Antônio na noite de quarta-feira quando, acompanhado de um dependente de crack, foi até a Congressão Cristã do Brasil do Chapadão (bairro próximo ao Beija-Flor, onde vive com a família). Antônio interpretou o incêndio sem graves consequências de ontem como um “sinal” da interferência divina que ocorrerá para a salvação do dependente. “Deus está na minha vida e pode entrar na vida dele também”.
Após o susto
Antônio Benício Moreno cumpre dupla jornada: puxa sucata durante o dia e trabalha como porteiro à noite. É casado, tem três filhos e, após caminhão ser retirado da lagoa pouco depois das 17h por equipamento da prefeitura com apoio dos bombeiros, já faz planos de retorno ao batente. O veículo já voltou para a casa da família e boa parte da carga, formada por restos de tornos, foi preservada. “Depois de um susto desse, o que vier, é lucro”.