A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que o governo tem por objetivo transformar o imenso potencial pesqueiro do Brasil em atividade econômica competitiva e lucrativa, passando o País da condição de importador para exportador.
"Nossa ambição é transformar o Brasil numa potência pesqueira mundial", disse, durante o lançamento do Plano Safra da Pesca e Aquicultura, no Palácio do Planalto. Hoje, o País ocupa a 23.ª posição no ranking mundial da produção e gasta U$ 1,2 bilhão anual com importações de pescado para atender a demanda interna.
De acordo com Dilma, o País tem 8 mil quilômetros de costa, as maiores reservas de água-doce do planeta e, mesmo assim, vive o paradoxo de importar peixe, embora coma pouco. O consumo per capita do brasileiro, conforme dados do Ministério da Pesca, é de 9,8 quilos de peixe ao ano, 30% menos que o mínimo recomendado pelo Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), de 12,5 quilos.
Para atender a essa demanda mínima, o Brasil precisaria produzir hoje 600 mil toneladas a mais. "Precisamos romper o descompasso entre o nosso potencial e o dinamismo da nossa produção", afirmou.
O Plano Safra prevê investimentos de R$ 4,1 bilhões para expandir a aquicultura, modernizar a pesca e fortalecer a indústria e o comércio pesqueiro. A meta é produzir 2 milhões de toneladas anuais de pescado até 2014, quando o País atingiria a autossuficiência.
"Recursos não vão faltar se esses recursos forem gastos de forma produtiva e efetiva. Vamos fortalecer a atividade pesqueira no Brasil", afirmou. Ela disse que as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), destinadas a agricultores familiares, agora também irão contemplar pescadores.
Crédito
Entre as ações, está prevista a liberação de linhas especiais de crédito, com juros mais baixos, prazos de carência maiores e ampliação dos limites, assistência técnica e extensão rural a 120 mil famílias de pescadores e aquicultores.
Com o plano, o governo também pretende resgatar cem mil famílias da linha da pobreza. Segundo o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, hoje metade dos pescadores brasileiros depende do Bolsa Família para subsistência. O País tem, conforme Crivella, cerca de um milhão de pescadores.
Ele criticou a falta de prioridade e o desprezo com que as gestões, historicamente, trataram o setor pesqueiro. "Parece que fizeram um pacto com a fome", disse, antes de fazer uma sugestão curiosa: "É hora de tirar minhoca da cabeça e colocar minhoca no anzol." Crivella fez analogia à frase que marcou o discurso de posse dele, na qual assumiu que nada entendia de pesca e sequer sabia pôr minhoca no anzol.