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Luciana Franzolin |
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“É interessante observar as imagens que fotografei há dez anos e notar que quase nada mudou”, diz Luciana Franzolin
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Em agosto de 2003, as vésperas de se mudar para Londres, onde reside até hoje, a fotógrafa Luciana Franzolin (ex-JC) uniu-se ao multitalentoso amigo Sivaldo Camargo para retratar e representar a feira-livre com uma instalação itinerante que estreou no Templo Bar e seguiu para as ruas e feiras da cidade.
“Na época, a ideia era homenagear o feirante e imortalizar a feira de rua na minha memoria, uma das coisas que sentiria muita falta do lado de lá. Foi também uma forma de resgatar a tradição que, a meu ver, estava com os dias contados diante da invasão de grandes redes de supermercados em Bauru”, diz Luciana.
Foram inúmeras madrugadas acompanhando a rotina de montar e desmontar a feira e tudo o que acontecia desde a primeira perua Kombi chegando com frutas e verduras fresquinhas, até o ultimo cachorro farejando as calçadas já vazias.
“Participar da exposição para mim foi uma experiência maravilhosa, deixamos fluir nossa criatividade e o resultado saiu dos espaços convencionais e ganhou o grande público”, aponta Sivaldo Camargo.
No ano de 2007, atuando como diretor de Ação Cultural em Bauru, Sivaldo Camargo e o Henrique Perazzi de Aquino, na época também na Secretaria Municipal de Cultura, reviveram o projeto em conjunto com outros eventos que comemoravam o Dia do Feirante, celebrado todo dia 25 de agosto, a pedido de Moisés Bastos, da Associação dos Feirantes de Bauru.
“Criamos um ambiente tentando reviver uma antiga banca de feira, com balanças, bacias, caixas de madeira e outros adereços. Foi uma festa, pois ao chegarmos ao local, Moisés nos apresentou aos feirantes e cada um trouxe um produto que vendia, nossa banca tinha de tudo um pouco.
Nesse ambiente fixamos as fotos da Luciana, algumas com prendedores de varal, outras enterradas no meio de um feijão a granel e assim por diante. Foi um sucesso e até hoje nos pedem para repetir a estripulia”, comenta Aquino.
Este momento chegou.
Na ultima quarta-feira, o trio se reencontrou por intermédio da professora Ana Beatriz Pereira de Andrade (Unesp), que participou de um workshop de fotografia ministrado por Luciana e o marido Alex Mita, também fotojornalista, que estão de passagem por Bauru antes de retornarem para a terra da rainha e dos Beatles, em uma semana.
Neste domingo, 28 de outubro, a instalação Feira-Livre – Revisitada acontece na rua Gustavo Maciel por uma manhã apenas, a partir das 8h. Esse revival (ou remake) conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, através do secretário Elson Reis (Museu Histórico Municipal estará disponibilizando peças para criação do espaço e a cessão uma banca de feirante, hoje peça do seu acervo), e da Associação dos Feirantes de Bauru, através do seu presidente Moisés Bastos, que estará juntamente com o órgão fiscalizador da feira disponibilizando um local com aproximadamente 5 metros em uma das quadras de maior movimento da feira, local esse que será definido no domingo e será motivo de surpresa para todos, gerando desde já expectativa e motivação aos interessados para sua localização.
“Onde estará sendo montada a banca? Eis a questão, dúvida essa sanada pelo faro dos que lá estiverem, ao estilo do que fazíamos com o personagem do quadrinho: Onde Está Wally?”, remete Ana Beatriz.
“A feira continua a mesma”, diz Luciana Franzolin. “É interessante observar as imagens que fotografei há dez anos e notar que quase nada mudou. Vai ser incrível reencontrar alguns dos personagens retratados nas fotografias e celebrar a resistência dos feirantes que são verdadeiros heróis do nosso tempo”.