09 de julho de 2026
Internacional

Mais de 60 morrem no cessar-fogo sírio


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Damasco - Mais de 60 pessoas foram mortas ontem na Síria por conta da luta entre as tropas leais ao ditador Bashar Assad e os rebeldes que exigem sua deposição.

Ontem foi o primeiro de quatro dias de um cessar-fogo que foi acordado com a mediação de Lakhdar Brahimi, enviado da ONU e da Liga Árabe para o confronto, entre o regime e lideranças rebeldes. A trégua foi proposta por ocasião do feriado muçulmano de Eid al Adha. Ambos os lados, porém, já tinham feito a ressalva de que combateriam caso os adversários o fizessem.

O episódio mais grave foi o da explosão de um carro-bomba na capital Damasco, em frente a uma mesquita. O ataque ocorreu em um bairro de maioria sunita, grupo do qual a maioria dos rebeldes faz parte. A agência estatal de notícias Sana informou que cinco pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas.

Prédios também foram danificados e várias ambulâncias foram enviadas ao local. Não há confirmação sobre o alvo ou a autoria do ataque.

O cessar-fogo serviu para minimizar a violência e interromper os bombardeios aéreos, segundo avaliação do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) - que, apesar de sediado em Londres, tem sido a principal fonte de informações sobre o confronto, já que o regime sírio restringe a atuação da mídia internacional.

Conforme a ONG, ao menos 61 pessoas - 21 civis, 27 soldados e 13 rebeldes - morreram em todo o país.

O confronto entre tropas leais e rebeldes dura 19 meses e já matou mais de 32 mil pessoas, ainda segundo o OSDH. Por causa dele, as tensões no mundo muçulmano se acirraram, já que o xiita Irã apoia Bashar Assad, que é alauita, enquanto nações de maioria sunita, como a Arábia Saudita, a Turquia e o Qatar, dão apoio às descentralizadas tropas rebeldes.

 

Assad participa do Eid

O presidente Bashar al Assad, que diz lutar contra militantes islâmicos patrocinados por inimigos externos da Síria, apareceu na TV estatal participando as preces iniciais do Eid numa mesquita de Damasco.

Agências humanitárias se prepararam para, aproveitando a eventual trégua, chegar a áreas inacessíveis por causa dos combates, segundo um funcionário da ONU em Genebra.

O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse ter preparado a distribuição de cestas de emergência a até 13 mil famílias em Homs e Hassaka (nordeste).