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Douglas Reis |
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Rosemeire Maria Gonçalves durante o velório do filho |
A família do recém-nascido Weskley Neskley Vinícius Vitório dos Santos, que morreu após uma cirurgia de intestino, viveu um drama que ganhou contornos ainda mais sofridos na última semana. Depois de perder o bebê, de apenas 20 dias, pais e irmãos da criança ainda demoraram mais de 24 horas para conseguir sepultar o parente.
Segundo a família, Weskley teria sido vítima de negligência médica. Prematuro de 7 meses, o recém-nascido teria o intestino malformado e, por isso, precisou ser submetido a uma cirurgia para retirada de parte do órgão, na Maternidade Santa Isabel.
Durante quase duas semanas, segundo relato de sua irmã, Aline Gonçalves dos Santos, 18 anos, o bebê teria sido alimentado por nutrientes injetados na veia. Há cerca de quatro dias, no entanto, o médico responsável teria decidido ministrar leite e, desde então, o quadro de saúde do pequeno paciente se tornou bastante grave.
“O médico disse que havia risco em dar leite, mas, mesmo assim, ele deu. O Weskley teve infecção generalizada porque, certamente, o intestino não estava cicatrizado”, comenta Aline. Às 8h de anteontem, a criança acabou morrendo e, segundo a irmã, a família enfrentou dificuldades para conseguir enterrar o recém-nascido em um jazigo assistencial.
Ao todo, foram 30 horas de espera. “Fomos no Cemitério Cristo Rei e disseram que lá não enterrava criança. No Cemitério da Saudade, não tinha columbário (espécie de cemitério vertical construído acima do solo). Ninguém deu a informação certa para a gente e só conseguimos vaga no Cemitério do Redentor depois de chamar a polícia”, comenta.
Segundo a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), apenas os cemitérios Cristo Rei e Redentor dispõem de columbários para sepultamentos assistenciais. E apenas o último é dotado de gavetas adequadas para enterrar crianças.
Ainda de acordo com a autarquia, durante o velório de Weskley, realizado no Memorial Bauru, a família teria sido informada sobre todos os procedimentos a serem adotados para o sepultamento assistencial. A diretoria da maternidade foi procurada ontem para comentar a acusação de negligência feita pela família, mas preferiu não se manifestar até ter acesso ao prontuário do paciente, o que deveria ocorrer ainda hoje.