09 de julho de 2026
Geral

Madrugada mais quente em 6 anos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Matheus Herjogenrath, de 8 meses, ganhou na pele as marcas do calor com bolinhas, confirma o pai Eliezer

A madrugada de ontem foi a mais quente dos últimos seis anos. Fácil justificar o mau humor de quem “fritou’ na cama até amanhecer. É justamente na madrugada e início da manhã que os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registram a temperatura mais baixa do dia. No madrugada de domingo, chegou a 23,3 graus, ou seja, a mais elevada desde 2006 para o período mais refrescante das 24 horas. A máxima de ontem foi de 36 graus, às 15h30.

Se o calor não dá alento quando a maior parte das pessoas quer descansar, o jeito é recorrer a ares-condicionados, ventiladores e aparelhos para afugentar os perturbadores pernilongos. Nem assim foi possível garantir sono tranquilo. Que o diga a chaveira Liliani Vazquez. “Não preguei o olho”, garante.

Ontem, logo cedo, ela e o filho Gabriel se refrescaram nas piscinas da Associação Luso Brasileira, onde também estava Natan Birello Fabis, de 2 anos anos e o meio. Normalmente, a mãe Luciane Birello lhe dá banho por volta das 20h. Na noite de sábado, repetiu a dose às 24h. “Mesmo assim, ele acordou umas três vezes à noite”, conta Luciane.


Riscos

Pedro Lucas Taborda, 8 anos, embora bem mais velho, também despertou a mãe Simone por conta do calor. Isso a despeito dos ventiladores e das janelas escancaradas. “Moro no primeiro andar e não gosto de deixar tudo aberto, mas não tivemos alternativas”, diz Simone, que ontem aproveitou em família o parque aquático do Sesc.

Também buscava a mesma oportunidade Matheus Ruiz Herjogenrath, 8 meses. Apesar de passar a noite despido, apenas de fralda, a pele dele já demonstrava os danos que as altas temperaturas provocam em vários bebês. “Ele está se recuperando de uma catapora e, agora, apareceram as ‘bolinhas’ de calor”, comenta o pai Eliezer. Por conta da situação, ventilador, só virado para os pais, na casa da família.

De todos os entrevistados, a única que passou “uma noite de princesa” foi Luiza Bueno Wilde, 6 anos. Ela não sentiu calor, mas o pai Ildo, às 3h40, estava de olho no relógio: noite longa. Para compensar, dia de ‘imersão’ nas piscinas do Bauru Tênis Clube (BTC).

 

Calor deve continuar

O calor deve continuar durante esta semana, inclusive nas madrugadas, que não devem ser tão quentes como a de ontem. Durante o dia, também estão previstas altas temperaturas, cujas máximas devem oscilar entre 34 e 35 graus. “É normal para essa época do ano”, explica o meteorologista do IPMet, Eduardo Gonçalves.

De acordo com ele, o que está destoando é o índice de precipitação que, até ontem, era de 46 milímetros, o menor desde 2007. A média para o período é de 118 milímetros.

“As chuvas atrasaram um pouco neste ano. A maior frequência deve ficar para novembro”, comenta o meteorologista. Ele explica que, em 2012, começou a chover na segunda quinzena de outubro, quando o mais comum é que as precipitações comecem um mês antes.

Nesta semana, pancadas de chuva isoladas estão certas, inclusive para hoje. Por conta de nuvens profundas, podem ser fortes e acompanhadas de raios e granizos.

 

‘Centro’ do Pousada fica sem água

Se o calor já beira o insuportável, imagine enfrentá-lo sem uma gota d’água na torneira. É assim que moradores da região central do bairro Pousada da Esperança 2 estão vivendo desde sexta-feira. Solução? Quem sabe?

Como a parte baixa e a alta do bairro recebem água normalmente, a situação tem intrigado técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE), segundo informou ontem a assessoria de imprensa. Hoje, uma equipe deve substituir a tubulação de duas polegadas para outra de quatro. O objetivo é que a pressão aumente e garanta o abastecimento de todos.

Enquanto isso, Evanilda Gomes, moradora da quadra 2 da rua Homero de Oliveira Ribeiro, vai continuar dependendo de terceiros para fazer atividades básicas. Ontem pela manhã, por exemplo, teve de sair de casa para tomar café, já que a pia de casa estava lotada de louça.

“Fui dormir às 2h15 esperando água, mas nada”, reclama. Por conta da situação, a reportagem flagrou um caminhão-pipa abastecendo um evento realizado por uma igreja no bairro.