08 de julho de 2026
Articulistas

Uma nova direção

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Se plantarmos uma semente na terra, surgirá uma árvore. A semente é a causa e a árvore frutífera é o efeito. Aqui está o desafio que enfrentamos: depois de brotar, a semente desaparece, torna-se impossível detectar essa semente original. Todavia, ela estará sempre presente, continuamente, provendo a árvore madura com sua essência, mesmo sem haver prova de sua existência. Mas uma semente semelhante pode ser encontrada... dentro da fruta. Da mesma forma, depois de criar o nosso universo e, gradativamente, fazer surgir estrelas, galáxias, planetas e finalmente a humanidade, a impressão que temos é que o Criador sumiu. Se a humanidade é o resultado final da Criação, à semelhança da fruta, se olharmos dentro de nós mesmos, encontraremos a semente ou a presença do Criador. O problema é que a humanidade não se lembra disso e quando se lembra tem sempre dirigido seu olhar para o céu. Direção errada! Além do céu, não há nada só as profundezas do espaço. Talvez seja a hora de olhar em uma nova direção: para dentro.

Embora com essa Essência em nosso cerne, afastamo-nos demais Dela e quanto mais nos afastamos do amor e da tolerância, mais nos desassociamos da responsabilidade para com os outros. Por isso, infelizmente, fazemos escolhas erradas e encontramo-nos numa realidade de dor ao invés de prazer; de sofrimento ao invés de serenidade; de ataques de pânico ao invés de paz de espirito. De mentiras ao invés de verdades; de caos ao invés de ordem; de vazio ao invés de plenitude. Parece que estamos chegando ao ponto mais baixo possível. Queiramos ou não, está cada vez mais difícil transformar esse mundo, que se tornou imperfeito e escuro, naquilo que foi idealizado pelo seu Criador: um mundo perfeito e cheio de Luz. Temos fracassado! Não conseguimos ajudá-Lo no processo de criação, ao contrário, somos destruidores. Não aproveitamos a dádiva do livre-arbítrio para que, ao surgir um dever, possamos reconhece-lo como uma oportunidade de crescimento e entende-lo como uma chance de melhorar nosso convivência e nosso mundo.

Um grande mestre da escola chassídica escreveu: as coisas mais necessárias na vida são inversamente proporcionais ao seu custo. Uma joia de ouro com diamantes pode valer mais do que muitas casas e obviamente não é nem um pouco necessária à manutenção da vida. Uma casa já é algo muito mais importante e com valor inferior ao das melhores joias. Já a comida é necessária e por isso, mais acessível que a joia e a casa. Mais vital e menos custosa que a comida é a água. Agora, o mais essencial de tudo, aquilo que não podemos prescindir nem por cinco minutos, é gratuito: o ar.

Assim também acontece com as pessoas. A maioria das pessoas felizes não são as mais ricas, nem as mais lindas, nem as mais famosas. Provavelmente, as pessoas mais felizes são as mais generosas e que mais compartilham, são aquelas que se preocupam com os outros. Elas não tentam adquirir a felicidade. Elas encontram a felicidade como consequência de um modo de viver. Na verdade, tudo que precisamos nesta vida já foi emanado. A grande questão é o que escolhemos receber. Por exemplo, ao sintonizar um rádio Você pode escolher uma estação de música clássica, uma estação de rock ou mesmo uma faixa de ruído. Assim acontece com os eventos de nossa vida. Somos responsáveis pelo que nos acontece, pois somos nós que sintonizamos o que iremos receber. O problema é que raramente esta sintonia é feita de maneira consciente ou em conexão com a nossa Essência.

O autor, Paulo Cesar Razuk, é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru