08 de julho de 2026
Geral

Furacão Sandy deixa aflitos em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

“Resta-nos esperar e rezar para que todos estejam bem”. Esta frase sintetiza o dilema vivido nos últimos dias por algumas famílias de Bauru que possuem parentes morando ou visitando os Estados Unidos da América (EUA), atingido na última segunda-feira pelo furacão Sandy. O fenômeno natural, que golpeou o solo norte-americano deixando um rastro de destruição e mortes na região costeira (leia mais na página 20), preocupou mães, irmãos, sobrinhos e até amigos de pessoas que residem ou estão em viagem nos locais mais afetados.

“Estou desde ontem (anteontem) à noite tentando ligar para minha irmã para saber como eles estão, mas o telefone não toca”, conta o empresário bauruense Caio Coube sobre a falta de notícias da irmã, Stella Coube, 47 anos, e do cunhado Wagner Jacob, 50 anos, que moram com os filhos Clara e Nicholas há alguns meses em Rye Brook, a 40 minutos de Nova York.

“Tia, está tudo bem aí? Estou tentando ligar na sua casa, mas uma gravação diz que o número está indisponível. Estamos preocupados por causa do Sandy! Mande notícias”, diz outra moradora de Bauru, por meio do Facebook, para a tia que está na cidade em Nova Jersey.

Sandy, uma das maiores tempestades a atingir os Estados Unidos, provocou alagamentos com níveis recordes de água em Nova York, deixando milhões de pessoas sem energia elétrica, causando a suspensão de transportes públicos e outros serviços, além de aulas nas escolas.

Na manhã de ontem, o presidente Barack Obama decretou estado de emergência no Estado. O furacão atingiu terra firme na noite desta segunda-feira com uma tempestade extratropical, que atingiu primeiramente a Costa de Nova Jersey.

“A última vez que falamos com a Stella, na tarde de ontem (anteontem), eles estavam comprando água e mantimentos para seguir as orientações repassadas pelo governo”, relata Caio Coube dizendo que o último contato de sua irmã foi com a mãe, que também mora em Bauru. Após várias tentativas, a família conseguiu finalmente falar com Stella, que informou que a tempestade já estaria passando e que todos estavam bem.

 

Relatos

Na noite de domingo, por meio de sua página no Facebook, Stella narrou a situação com a chegada do furacão. “...As aulas já foram suspensas e o transporte público também. Não há água nas prateleiras do supermercado (pelo menos, onde vou), instruções de segurança foram enviadas pelo telefone e pede-se para que ninguém saia de casa... Quase cinco mil voos foram cancelados apenas hoje (domingo). Estocamos comidas que não dependem de energia elétrica...”, diz a mensagem postada por ela.

Já em Nova Jersey, Neusa Richard, a tia procurada pela sobrinha conforme descreve o início da reportagem, estava sem contato com a família em Bauru, mas conseguiu contactar os parentes no final da manhã de ontem.

“Tudo bem por aqui, mas há muitas árvores caídas bloqueando as ruas. Nada funciona. Quase 90% do estado de New Jersey está sem eletricidade. A ordem é não sair de casa. Ontem (anteontem), a estação de rádio disse que podemos ficar sem eletricidade de 5 a 10 dias”, relata a mulher por e-mail enviado ao JC.

 

Alívio

Mãe de uma bauruense que mora há oito anos na cidade de Stevenson, no Estado de Mary Land, a 50 quilômetros de Washington, na costa leste/norte dos EUA, Jurema Siqueira não esconde a apreensão que sente pela filha, Juliana Shayeb, 30 anos, em meio ao fenômeno Sandy.

“Estou preocupada. Já passamos por isso lá, mas sempre dá muito medo. Ontem, conseguimos conversar por telefone e está tudo bem, mas ela e o marido estavam rezando para que os ventos não derrubassem as árvores no carro e na casa”, conta Jurema, mostrando a foto da filha.

 

Por meio da mãe, Juliana contou que a previsão divulgada pela mídia norte americana dizia que ao menos um milhão de pessoas ficariam sem energia elétrica entre ontem e hoje.

Nos mercados, os alimentos começavam a faltar e na região onde Juliana mora, ao menos 250 mil pessoas já estariam sem luz e aquecimento. “As mensagens por celular e na televisão alertaram para chuvas, tempestade e até neve”, comenta Jurema sobre as informações obtidas na manhã desta terça-feira com a filha.

O pivô Jeff Agba, do time de basquete Paschoalotto/Bauru, também estava mais aliviado após falar, ontem, com familiares que moram em New Jersey. “Falei com eles hoje (ontem) e estava tudo bem.”

 

Cancelamento de voos

Enquanto isso, dois amigos bauruenses de 35 e 30 anos que embarcaram para Orlando na última semana estavam apreensivos quanto ao cancelamento do voo que os levaria hoje para o destino final da viagem em Nova York.

De acordo com a empresa de viagens de Bauru responsável pela venda do pacote, eles enviaram e-mail pedindo para que a situação fosse monitorada. “Entramos em contato com a American Airlines, que até o momento (ontem) ainda não cancelou o voo. A informação é de que a tempestade já estava passando e os voos seriam retomados”, afirma a agente de viagens Débora Camilo, dizendo que a instrução repassada pelas companhias aéreas internacionais é de que as unidades devem se atualizar de hora em hora pelos sites das companhias.

Meteorologistas afirmam que o Sandy pode ser o furacão mais forte na história americana. Nesta segunda-feira, ele era considerado categoria 1 na escala Saffir Simpson, pelo Centro Nacional de Furacões e tinha ventos a 150 km/h. Antes de chegar aos EUA, ele passou pelo Caribe, onde provocou 66 mortes no Haiti, Cuba, República Dominicana, Jamaica e Bahamas. Ainda de acordo com noticias de agências internacionais, Sandy deve ganhar força ao se encontrar com uma frente fria vinda do Canadá.