09 de julho de 2026
Geral

Enfim, ?homem do buraco? é sepultado

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Sem cerimônias ou coroas de flores. Assim foi sepultado o corpo de Manoel Justino da Silva, 54 anos, mais conhecido como o “homem do buraco”, que esperava pelo reconhecimento de sua família há uma semana no Instituto Médico Legal de Bauru (IML). Como ninguém apareceu, ele foi enterrado na manhã de ontem, em um jazigo público no cemitério Cristo Rei, em Bauru.

Conforme o JC noticiou, Justino, que veio de Juazeiro do Norte (CE) a Bauru em busca de oportunidades, vivia há mais de 30 anos em um buraco na nascente do Ribeirão das Flores, no Parque Vitória Régia. Na manhã do dia 24 de outubro, ele foi encontrado morto por uma agente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdurb) que realizava a limpeza nas imediações do parque. A suspeita é de que a morte ocorreu por causas naturais.

Na ocasião, só foi possível a identificação do corpo por conta de uma mulher que caminhava pelo parque e demonstrou abalo com a situação, informando à polícia posteriormente, que seria conhecida de Justino e que teria em sua casa uma certidão de nascimento do morador de rua, que participava de uma pesquisa acadêmica realizada por ela.

Com um pequeno vaso de crisântemos, uma vela e um livrinho com orações, a estudante e pesquisadora Marta Helena de Rezende, 47 anos, compareceu ao sepultamento acompanhada por sua diarista, Sandra Breno Finasi, e a filha dela, Gabriele Finasi.

“Que Deus o receba e proporcione tudo de bom que ele mereceu e não conseguiu em vida”, comenta Marta, emocionada.

Ainda na noite de anteontem, a família de Marta enviou à funerária algumas peças de roupas usadas para que o morador pudesse ser enterrado, mas por conta do estado avançado de decomposição, a troca não foi possível.

Por ser a única pessoa a informar ter possuído algum tipo de vínculo com Manoel, acabou assinando um termo de compromisso emitido pela Emdurb, para que o enterro pudesse acontecer.

 

Em vídeo

Em meados de 2010, um grupo de estudantes do curso de Rádio e TV da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizou um documentário relatando trechos da vida de Manoel Justino da Silva. “Pretendíamos mostrar a realidade dessas pessoas que a sociedade acaba não enxergando”, comenta Alexandre Borges, produtor do vídeo, que demorou ao menos três meses para ficar pronto.

Ao todo, Borges estima que o documentário, que foi exibido em mostras nas cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Itu, tenha sido visualizado por mais de cinco mil pessoas.

No Youtube, o vídeo teve sua última versão postada na data da morte do morador de rua e alcançou 364 visualizações em uma semana.

O documentário pode ser acessado pelo site do JC: www.jcnet.com.br, ou http://www.youtube.com/watch?v=SmVJf8vBxrg&feature=plcp.