10 de julho de 2026
Articulistas

Bevilacqua para nome do aeroclube

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Com este comentário pretendemos atrair a atenção para um assunto pouco comentado, mas muito ligado à história de Bauru e, quem sabe, proporcionar o resgate de uma dívida de gratidão a um dos cidadãos mais ilustres de nossa cidade. O motivo é a Lei nº 12.707, de 08 de agosto, assinada pela presidente Dilma, dando nome ao Aeroporto de Bauru. Diz a lei: Art. 1º - O Aeroporto de Bauru, no Estado de São Paulo, passa a denominar-se Aeroporto de Bauru ? Comandante João Ribeiro de Barros. Art. 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Verificando a relação de aeroportos do Brasil encontramos nossa cidade com dois aeroportos: Aeroporto de Bauru (BAU/SBBU), denominado ?Aeroclube Estadual de Bauru? e Aeroporto de Bauru-Arealva (JTC/SBAE), dernominado ?Aeroporto Estadual Bauru/Moussa Nakhal Tobias?. Como este já tem nome, entendeu-se que a denominção coube ao primeiro.

Tem alguma coisa que merece ser esclarecida, sem necessariamente contestar a denominação para o aeroporto. A descrição constante da relação de aeroportos dá, ao primeiro, as características do aeroporto, pista, pátio, auxílios operacionais, abastecimento, terminal de passageiros e 4 hangares. E cita como ?outros?: Aeroclube e Oficina de aviões e planadores. Mistura aeroclube e aeroporto. Tudo isso passa a chamar-se Comandante João Ribeiro de Barros? Por que é ?Aeroclube Estadual de Bauru?? E a sociedade civil Aeroclube de Bauru, com seu patrimônio, onde fica? Pode o governo determinar nome para organização da sociedade civil? O que legalmente separa o aeroporto do Aeroclube? Se for separado claramente o que é um e outro, uma placa no pátio com o nome do aeroporto até que não causaria estranheza, mas imaginamos que, colocada na fachada do prédio que desde a sua fundação é a imagem do Aeroclube de Bauru, seria muito decepcionante para nossa cidade, além de injusta com aqueles que fundaram e contribuíram para que ele chegasse ao destaque que tem hoje.

Entre as figuras de destaque na história do Aeroclube e também na história da própria aviação brasileira está Luiz de Gonzaga Bevilacqua. Nascido no Rio de Janeiro em 1912, estaria com 100 anos hoje, veio para Bauru em 1932, com apenas 20 anos, como funcionário da Controladoria Federal junto à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Aqui se radicou, casou-se com dona Zilda, filha do coronel Manoel Alves Seabra, seus filhos nasceram aqui e durante os 60 anos vividos em Bauru teve intensa participação em nossa sociedade. Foi um dos fundadores do Aeroclube em 1938 e fez parte da primeira turma de pilotos. Apaixonado pela aviação e pela astronomia, acompanhou o surgimento da astronáutica, não só estudando, mas também fazendo a sua divulgação através de palestras no Brasil e na Europa, ilustradas com modelos de foguetes, em escala, desmontáveis, feitos em madeira na Escola Senai de Bauru. Como presidente e provedor da Santa Casa de Bauru, colaborou na elaboração do projeto do Hospital de Base e no acompanhamento da construção pelo Estado. Foi colher informações em hospitais do Rio de Janeiro, especialmente o da marinha. O formato em X foi inovador. Sofreu muito quando o Estado retirou o hospital da Santa Casa. Rotariano de prestígio, foi governador do Distrito 451 no ano rotário 1964/65.

Ninguém melhor que o coronel Ozires Silva para atestar a contribuição do Bevilacqua à aviação brasileira e o prestígio que ele gozava junto aos oficiais maiores da Aeronáutica. Pela sua contribuição à cidade e ao Aeroclube, nada mais justo do que deslindar essa situação e dar ao Aeroclube de Bauru o nome de Luiz de Gonzaga Bevilacqua.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru e membro da ABLetra