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Aceituno Jr. |
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Iluminado na noite de ontem, o prédio passava a impressão, finalmente, de movimento |
Após 22 anos de expectativa, o novo prédio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP), conhecido como “predião”, finalmente começou a ser ocupado. Mobiliário, equipamentos e todos os documentos do Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA) já estão sendo levados à nova unidade.
Até então, o CPA, atualmente denominado Seção de Implante Coclear, funcionava em um prédio emprestado da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). Para que a mudança pudesse ser feita, o atendimento ao público foi suspenso na última quarta-feira e a previsão é de que seja retomado até o final da semana que vem, já nas novas dependências.
A seção, responsável pela avaliação e diagnóstico de pacientes que precisam de implante coclear (ouvido biônico), será instalada no segundo andar do prédio, onde também ficarão abrigados outros serviços ambulatoriais (leia mais abaixo). As cirurgias de implante, no entanto, continuarão sendo realizadas no centro cirúrgico localizado nas dependências do Centrinho.
Consultada, a assessoria de imprensa do hospital informou que não há previsão para que os procedimentos de cirurgia sejam transferidos para o “predião”. A cada mês, o Centrinho realiza, em média, oito implantes cocleares em pacientes vindos de todo o Brasil.
Para a elaboração do diagnóstico, trabalham no CPA 13 funcionários, entre fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e setor administrativo, além de quatro médicos que prestam serviços na unidade.
Atualmente, o setor também é fonte para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos por quatro professores e 15 alunos de especialização, mestrado e doutorado. Todos passarão, a partir da semana que vem, a frequentar o segundo andar do novo hospital.
Remanejamento
A assessoria de imprensa do Centrinho não divulgou qual será o próximo serviço a ser transferido para o “predião”. Mas, na semana passada, a superintendente do hospital, Regina Célia Bortoleto Amantini, adiantou que a prioridade é remanejar unidades que funcionam fora do Centrinho, como é o caso do próprio CPA. Exemplos são a Divisão de Saúde Auditiva, o almoxarifado, o Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau) e o Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh).
“Provavelmente, elas serão trazidas para as instalações antigas do Centrinho, que serão esvaziadas com a transferência de alguns setores para o novo hospital”, completa. Segundo Regina, o novo prédio é a realização de um sonho de tio Gastão e de todos os funcionários do Centrinho.
Mas, até o momento, não há definição exata sobre como todas as dependências dos onze andares do imóvel serão ocupados, embora suas funções gerais já tenham sido determinadas. “Estamos fazendo um planejamento e a distribuição ocorrerá conforme a nossa necessidade. Já temos uma comissão para fazer este estudo, mas tudo será feito de maneira gradativa”, salienta.
O projeto do hospital é de 1985, assinado pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho. A pedra fundamental do novo prédio foi lançada em 1989 e, um ano depois, foram iniciadas as obras, que foram paralisadas duas vezes (em 1992 e em 2000) por falta de verbas. Em 2008, a construção foi retomada e concluída neste mês.
Mudança de planos
O anúncio da ocupação do novo prédio do Centrinho foi feito poucos dias depois de a superintendência da unidade revelar que o “predião” não funcionaria mais como hospital geral. A notícia foi divulgada no mesmo momento em que a Secretaria de Estado da Saúde informou a transferência da gestão do Hospital de Base (HB) para a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), de Botucatu.
Com investimento de R$ 40 milhões para recuperação estrutural e operacional, o HB será mantido como hospital geral de “porta aberta” e, por este motivo, o plano de gerir o novo prédio do Centrinho foi abortado. Em março deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde chegou a confirmar que o “predião” seria administrado pela fundação da Faculdade de Medicina da USP e, para que o Estado pudesse repassar recursos para equipar e custear o funcionamento do hospital, a secretaria receberia permissão de uso do local. Mas, com a mudança de planos, a nova unidade voltou à sua finalidade de origem, que é atender as demandas próprias do Centrinho.
Estrutura
O novo hospital do Centrinho possui 11 pavimentos, incluindo o andar térreo. No primeiro andar, devem funcionar a recepção e o ambulatório. No segundo, atendimentos ambulatoriais e seção de implante coclear. Do terceiro ao quinto andar, ficarão instaladas as enfermarias de internação, com oito salas em cada pavimento, sendo cada uma com até seis leitos.
Já no sexto andar deve ficar o setor de internação individual, com 28 apartamentos, sendo dois de isolamento. No sétimo pavimento, a previsão é de que fiquem instalados os laboratórios de genética e análises clínicas. As UTIs - com 23 leitos de unidade intensiva e nove de unidade semi-intensiva - ficariam no oitavo andar. No nono, o centro cirúrgico com oito salas cirúrgicas, 14 leitos de pré-anestésico e 24 leitos de pós-anestésicos. No último e décimo andar, o setor de esterilização.
Inauguração do hospital decreta fim de grandes shows no Vitória
Com o início do funcionamento do novo hospital do Centrinho, a Prefeitura de Bauru terá de mudar a forma de utilização do Parque Vitória Régia, que fica em frente à unidade. A própria legislação impede que o município emita alvarás de funcionamento para shows no parque.
Com isso, a partir da inauguração do hospital localizado na Vila Universitária, a cidade perderá seu único palco concebido para receber multidões a céu aberto. Em entrevista concedida recentemente ao JC, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário Municipal de Cultura, Elson Reis, confirmaram a informação.
Apenas eventos que não tenham capacidade de interferir no limite de ruído exigido para locais próximos a hospitais e unidades escolares poderão ser abrigados no parque. Com isso, a única alternativa com capacidade para receber grandes públicos, com limite de segurança fixado em 50 mil pessoas pelas condições atuais, será o Recinto Mello Moraes.