08 de julho de 2026
Internacional

Sandy deixa pelo menos 90 mortos

Agências
| Tempo de leitura: 4 min

Nova York - Mais de 90 pessoas morreram desde a última segunda-feira, em consequência da passagem da tempestade Sandy pela costa leste dos Estados Unidos. O número de mortos aumenta enquanto as buscas por desaparecidos prosseguem.

Em Staten Island, na cidade de Nova York, equipes de resgates vindas dos Estados de Maryland, Massachusetts e Virgínia se juntaram ao corpo de bombeiros local para realizar buscas em milhares de prédios da região. Eles procuravam sobreviventes, mas as notícias não foram boas. 19 das 40 vítimas fatais de Nova York foram encontradas na região, tornando-a o epicentro da tragédia.

Entre os mortos em Staten Island estavam dois irmãos, de 2 e 4 anos, que foram varridos dos braços de sua mãe quando o carro ficou estagnado com a subida das águas que invadiram a localidade. Os corpos foram encontrados anteontem, um perto do outro, em uma área pantanosa.

Depois de todos os problemas que a tempestade Sandy causou em Nova York durante sua passagem, a cidade está sofrendo com a falta de gasolina. A situação impede que a vida dos nova-iorquinos volte ao normal, depois de uma semana difícil na costa leste dos Estados Unidos.

Pelo menos 80 pessoas morreram desde segunda-feira em decorrência da passagem de Sandy por essa região dos EUA. Segundo o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, só na cidade foram registradas 38 mortes.

Brigas foram registradas em postos de gasolina e grandes filas de carros se formaram nas proximidades desses estabelecimentos em toda a região. O jornal americano “New York Times” registra que, em um posto da franquia Sunoco, a fila se espalhava por três direções, com centenas de carros engarrafados. A polícia local teve de interferir na confusão para esfriar os ânimos.

O dono de um posto em Nova York disse ao “NYT” que passou 36 horas consecutivas abastecendo carros. Ele disse que precisou chamar a polícia para que pudesse dar um descanso à bomba de gasolina. Também há notícias sobre estabelecimentos vendendo combustível acima do preço, aproveitando-se da situação.

Mais da metade dos postos em Nova Jersey e em Nova York permanecem fechados. O fornecimento também foi interrompido após duas refinarias em Nova Jersey pararem de funcionar e um oleoduto que alimenta a região ter o fluxo interrompido.

A Comissão de Táxis de Nova York informou que boa parte de sua frota, muito utilizada pelos nova-iorquinos nos últimos dias, deixaria de circular ontem por falta de combustível.

Na noite de anteontem, o Porto de Nova York abriu apenas para deixar que barcos transportando combustível pudessem chegar à cidade. O governador de Nova Jersey, Chris Christie, também relaxou as restrições que dificultam a compra de gasolina vinda de fora do Estado pelos postos locais, numa medida de emergência.

De acordo com Christie, o Departamento de Defesa do país enviou 250 mil galões de gasolina e 500 mil galões de óleo diesel a Nova Jersey, mas ele prometeu pedir um suprimento maior.

 

Um brasileiro entre os mortos

Nova York - O brasileiro Tiago Ferreira Neto, 54 anos, está entre as mais de 90 pessoas mortas na passagem da tempestade Sandy pelos Estados Unidos.

Ele dirigia seu carro na noite de segunda-feira, voltando para casa, na cidade de Yonkers, Estado de Nova York, quando bateu contra uma árvore que havia sido arrancada do solo pelos fortes ventos causados pelo fenômeno.

Ferreira Neto trabalhava como entregador de pizza em Armonk, cidade próxima. O filho, Lincoln Rosa Ferreira Neto, que também mora nos EUA, disse à “Folha de S.Paulo” por telefone que o pai tinha saído do trabalho segunda-feira, às 19h locais, e que o acidente aconteceu por volta das 19h45 (17h45 de Brasília).

O carro de Ferreira Neto entrou debaixo da árvore, e o impacto da colisão quebrou o seu pescoço, matando-o antes que os paramédicos pudessem resgatá-lo. “Não tinha como escapar, era depois de uma curva”, afirmou Lincoln.

Lincoln conta que o pai morava havia 13 anos nos EUA. Ele vive no país há seis anos. De acordo com ele, Ferreira Neto foi para os EUA em busca de condições de vida melhor, depois que o atacado de peças para automóveis que ele possuía no Brasil foi à falência. O filho diz que o pai gostava muito do país.

O enterro deve acontecer no Rio, de onde a família é originária. Ele, a mulher e os filhos pretendem viajar ao Brasil para participar da cerimônia.