09 de julho de 2026
Polícia

Homem baleado morre após 40 dias

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Após 40 dias internado, o comerciante Lairto Fernandes, 62 anos, não resistiu e morreu no Hospital de Base (HB). Ele foi atingido no pescoço por um disparo de arma de fogo no fim de setembro, quando fechava um bar do qual era proprietário no Jardim Redentor. Tanto a família quanto a polícia acreditam que se trate um latrocínio (roubo seguido de morte).

O crime ocorreu na noite do dia 27 de setembro na quadra 4 da avenida Hélio Pólice. Fernandes estava sozinho no momento da abordagem e foi atingido por um único disparo por volta das 20h30. Consciente, ele pediu ajuda a vizinhos e foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Pronto-Socorro Central (PSC).

À polícia, a vítima chegou a dizer que o responsável pelo disparo vestia uma blusa vermelha e fugiu a pé em direção à avenida Rodrigues Alves. Ele, porém, não revelou a identidade do atirador.

A Polícia Militar (PM) fez buscas nas proximidades, inclusive com o helicóptero Águia, entretanto, o suspeito não foi localizado.

Desde que foi internado, o quadro de saúde de Lairto Fernandes só piorou. Segundo familiares, no dia seguinte ao fato, ele já ficou inconsciente. Na noite de anteontem, não resistiu e morreu.

Pelo perfil da vítima, tanto os familiares quanto a polícia acreditam que o crime se tratou de um roubo que deu errado. “Meu pai não tinha inimigos. Ele era uma pessoa de coração muito bom. Acredito que houve um assalto e ele reagiu”, conta a filha Fabiana Aparecida Fernandes dos Santos, 36 anos, confirmando a informação que ela mesma passou ao JC na noite do crime.

Além dela, Lairto Fernandes deixa outros seis filhos e mais de vinte netos. “Só pode ter sido um roubo que deu errado mesmo. Ele era uma pessoa muito querida. E tinha pingos de sangue no bar, aparentando que houve uma briga”.

 

Investigações

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), apura o caso. Até agora, não há qualquer suspeito de ter cometido o disparo. “A maior dificuldade é que não há testemunhas. Ele estava sozinho”, explica o delegado Cledson do Nascimento.

De acordo com a família, um cliente havia acabado de ir embora quando Lairto Fernandes foi abordado.

O delegado confirma as suspeitas da família e aponta latrocínio como a principal linha de investigação.

“Não era um local que guardava muito dinheiro. Era o movimento do dia mesmo. E pelo que apuramos com familiares e vizinhos, ele era uma pessoa que não tinha inimigos. Não descartamos um homicídio, mas tudo caminha para latrocínio mesmo”, conclui Cledson do Nascimento.

O corpo de Lairto Fernandes foi velado no Centro Velatório São Vicente, no Redentor, e será sepultado hoje, no Cemitério São Benedito.


Só marmitaria

Antes do crime, o estabelecimento onde tudo ocorreu funcionava como bar e marmitaria. “Minha mãe fazia as marmitas e meu pai tocava o bar”, conta Fabiana Fernandes. “Hoje, só está funcionando a marmitaria”.

Os filhos, entretanto, não querem nem que a mãe, que possui 60 anos, continue com essa atividade. “Estamos com medo. Por mim, ela fechava isso”.

No velório ontem, além de familiares, muitos amigos e clientes do comerciante apareceram. A cerimônia foi marcada por muita emoção. Alguns reclamaram da conduta do HB. Segundo eles, a instituição não informou a morte de Lairto Fernandes, que só foi comunicada pela funerária e Instituto Médico Legal (IML).

‘Ele sempre dizia que iria reagir se fosse assaltado’, lamenta filha do comerciante

Uma pessoa amiga de todo o bairro. É assim que Lairto Fernandes era descrito. Justamente por isso, todos acreditam que o crime foi consequência de um assalto. A vítima, inclusive, já teria dito que reagiria se fosse roubado.

“Ele sempre dizia que iria reagir em caso de assalto. Falava que se fossem roubar, não iriam conseguir levar nada”, conta a filha Fabiana Fernandes.

Ela relata que o pai era motorista. Quando se aposentou, há cerca de oito anos, começou a trabalhar com bar. O ponto em que foi morto havia sido montado há pouco mais de um ano. “Aqui, vinha muita família e amigos dele”.

Questionada se o pai era muito preocupado com segurança, Fabiana afirma que não. “Ele era muito bom e confiava em todo mundo”.

Emocionada, a auxiliar de creche lamenta que, cerca de um mês antes do crime, havia pedido a Lairto para que ele fechasse o estabelecimento. “Eu pedi para ele vender o bar. Tinha medo justamente de que fosse assaltado. Como ele já era de idade, eu tinha esse medo”, conclui.