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Guilherme Lara Campos/Secom/Divulgação |
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O governador de SP, Geraldo Alckmin, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo |
São Paulo - A reunião entre integrantes dos governos estadual e federal ocorrida ontem no Palácio dos Bandeirantes para definir medidas conjuntas de combate à violência em São Paulo se concentrou em soluções de médio prazo. Das seis ações anunciadas (veja abaixo), apenas uma tem efeito imediato: a decisão de enviar para presídios federais criminosos que atentaram contra agentes de segurança em São Paulo.
Ontem, já saiu o primeiro nome. O traficante Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, será transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho no máximo até amanhã. Preso em Itajaí (SC) em 26 de agosto, ele cumpria pena em Mirandópolis (293 km de Bauru), na região de Presidente Prudente.
Ao ser preso, segundo homens da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Piauí afirmou que dois PMs morreriam a cada morte de integrante do Primeiro Comando da Capital. Um “salve geral” apreendido em Paraisópolis, comunidade onde ele era chefe do tráfico, também mandava bandidos matarem PMs.
Ficou de lado a promessa da Secretaria Nacional de Segurança Pública de enviar homens do Exército e Força Nacional para ocupar favelas paulistas.
As outras cinco iniciativas anunciadas já haviam sido prometidas em diferentes momentos e ainda dependem do estreitamento da relação entre agentes federais e estaduais e de uma coordenação que os leve a trabalhar conjuntamente. Uma nova reunião, marcada para segunda-feira, tentará definir detalhes dessas parcerias.
É o caso da agência que será criada para integrar a inteligência das Polícias Federal, Civil e Militar a órgãos financeiros de combate à lavagem de dinheiro para trabalhem juntas contra organizações criminosas.
Tanto a Secretaria da Administração Penitenciária, por parte do Estado, quanto a Polícia Federal, pela União, têm serviços de inteligência que investigam o crime, assim como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda. A parceria vai levar à troca de informações entre essas partes.
Outra medida será tentar bloquear por terra, mar e ar as rotas de entrada de drogas e armas em São Paulo, com ajuda das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. O Porto de Santos foi citado como um local que receberá atenção especial.
Ao anunciarem as medidas, tanto o governador Geraldo Alckmin quanto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tentaram demonstrar união. Também não faltaram frases de efeito.
União e Estado também requentaram parcerias que já vinham sendo anunciadas desde o ano passado, quando o governo federal anunciou o plano de combate ao crack. O estreitamento das relações no combate à droga voltou a ser prometido ontem, assim como o anúncio de bases comunitárias móveis em cracolândias. As outras duas ações a serem detalhadas são as parcerias para aprimorar os trabalhos da Polícia Científica na identificação da origem da droga e na criação de um centro de controle integrado contra o crime organizado, cujas decisões sejam tomadas conjuntamente.
As medidas
envio para presídios federais de criminosos que atentaram contra agentes de segurança
criação de agência para integrar a inteligência das polícias a órgãos de combate à lavagem de dinheiro
tentar bloquear por terra, mar e ar as rotas de entrada de drogas e armas em São Paulo
estreitamento de relações no combate à droga
parcerias para aprimorar trabalhos da Polícia Científica
criação de centro de controle integrado contra o crime organizado
CNJ e TJ propõem gabinete de crise
Aracaju - Um gabinete de crise será montado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo governo de São Paulo para acelerar o julgamento de acusados de crimes de sangue cometidos no Estado na tentativa de combater a onda de violência. O comitê poderá ainda facilitar a transferência de presos ligados a facções criminosas para presídios federais, uma maneira de evitar ordens para novos ataques em São Paulo, especialmente contra policiais militares.
O presidente do Conselho, ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que serão adotadas medidas urgentes para ajudar o governo de São Paulo. “Essa é uma medida tópica para essa emergência que surgiu”, disse o ministro.
Ontem, o corregedor Nacional de Justiça, Francisco Falcão, telefonou para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para oferecer o auxílio do Conselho. E ficaram de acertar, ainda nesta semana, as medidas práticas a serem implementadas.
O presidente do Tribunal de Justiça de SP, Ivan Sartori, afirmou que as medidas visam auxiliar a polícia a combater os ataques das últimas semanas. “A ideia é auxiliar as forças de segurança do Estado”, explicou Sartori. “Serão medidas para dar agilidade à atuação da polícia”, acrescentou o presidente do tribunal. “Vamos entrar nessa força-tarefa para solucionar esse problema”, concluiu.
A ideia inicial seria focar a ação do comitê no julgamento de criminosos ligados ao PCC, apontada como responsável pelos ataques das últimas semanas.
Números da violência
São Paulo - Mais uma noite violenta na Capital paulista deixou sete pessoas mortas, seis baleados e três ônibus incendiados, entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Um dos mortos foi atropelado pelo ônibus tomado por bandidos antes de o veículo ser incendiado na Vila Brasilândia.
Desde o início do ano, foram mortos 90 policiais militares no estado, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública.
A Capital paulista registra aumento de 22% nos homicídios entre janeiro e setembro, com 982 vítimas. Em setembro foram 135 casos, aumento de 96% em comparação ao mesmo mês de 2011.