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Éder Azevedo |
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Chuva volta a “ilhar” pessoas e provocar acidentes. |
Um dos pontos que mais o prefeito Rodrigo Agostinho se concentrou na campanha de sua reeleição foi a pavimentação. Porém, nos locais em que o asfalto não chegou, o sentimento é de completo abandono. Basta chover em Bauru para surgirem várias reclamações de pessoas que ficam praticamente “ilhadas” em suas residências. E isso ocorre pelos quatro cantos da cidade.
Nos dois últimos dias, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), choveu quase 60 milímetros em Bauru. O volume foi suficiente para causar estragos nas vias de terra ao redor da cidade.
Na Vila Nova Celina, o que era rua praticamente desapareceu. Trata-se da Clóvis da Silva Gomes. Na quadra 7 da via, José Carlos de Lima, 48 anos, e sua esposa, Patrícia Rodrigues de Lima, 44, vivem há 14 anos. “Nunca vi asfalto por aqui”, comenta o eletricista.
Nesse meio tempo, eles já viram até uma vizinha se mudar por conta da rua que parece não ter solução. “Na verdade, foi nossa sorte. Onde era a casa dela, é o caminho que uso agora para manobrar e estacionar o carro”, conta.
Outro bairro; o mesmo problema. No Parque Jaraguá, o buraco “não deixa” o pedreiro Carlos dos Santos guardar o carro em sua casa, localizada na rua Benedito Leite Brito. “Passei a guardar ele em outro lugar. Não consigo entrar na garagem de jeito nenhum. Quando chove, parece que estou em uma ilha”.
Perdoando o trocadilho, os moradores da Pousada da Esperança também já não têm mais o sentimento que batiza o bairro. Na rua Sebastião Arantes Figueiredo, até caminhões têm dificuldades para passar e motos parecem estar percorrendo um rally.
“Se alguém ficar doente, nem quero pensar. É difícil andar por aqui. Meu filho usa muletas e tem muita dificuldade para atravessar a rua”, relata Maria Vieira de Araújo, 76 anos, que mora na quadra 2 da Vasco Pompermayer. “Já moro aqui há mais de 20 anos. Nunca vi nem sinal de asfalto”, complementa.
Ao lado da casa da idosa, há um bar. “A pavimentação só fica na promessa. Tenho muito prejuízo. Atrapalha em tudo. Como alguém vai parar o carro aqui?”, questiona a proprietária do local, Fátima Picolo, 50 anos, apontando para um grande buraco em meio à rua e que se estende por várias quadras.
Paciência?
Pior que os estragos provocados pelas chuvas recentes, é a certeza dos moradores de que a situação ainda “não está tão ruim”. Em todos os locais, a população foi unânime em afirmar que, se chovesse mais, estaria muito pior.
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, afirma que os moradores desses locais precisam ter paciência. “Estamos pavimentando e planejamos colocar asfalto em todos os locais. Porém, é preciso fazer galerias antes e isso é caro. É necessário ter paciência”.
Ele visitou alguns bairros ontem e continuará verificando os estragos das chuvas. Como há previsão de que a precipitação continue (leia mais abaixo), não será possível consertar os buracos no começo da semana.
E quando se fala em consertar, diga-se de modo paliativo. “Não tem jeito. Nesses locais, a saída imediata é mesmo tapar os buracos com caminhões de terra. Porém, a chuva desfaz esses reparos”, confirma o secretário.
Ele, entretanto, pondera que já deu para sentir melhorias. “O Jardim Silvestre e o Jardim Ivone, onde já foram realizadas a drenagem e a pavimentação, não sentiram tanto essas chuvas. Estamos trabalhando com as licitações para pavimentar outras 250 quadras”, finaliza o secretário de Obras.
Vários acidentes foram registrados na Rondon
Além de deixar o trânsito bauruense - principalmente no Centro - mais caótico do que já está, a chuva causou vários acidentes. Somente na rodovia Marechal Rondon (SP-300), foram, ao menos, quatro ocorrências.
Na altura do quilômetro 360, um furgão perdeu o controle, atravessou a pista e parou no sentido contrário da via. Dois quilômetros à frente, uma ambulância, com placas de Promissão, envolveu-se em uma colisão leve com um veículo.
Segundo a Polícia Militar Rodoviária, mais dois acidentes foram atendidos no início da tarde, um no quilômetro 345 e outro no 366.
A Defesa Civil de Bauru, porém, não registrou quaisquer ocorrências graves por conta das chuvas.
Por que parou?
Em vários locais visitados, o sentimento de abandono é intensificado ao verificar que a quadra logo acima foi asfaltada. Os moradores dessas áreas, que convivem bastante próximas à pavimentação, possuem um sentimento de “por que parou?”.
Questionado, o secretário de Obras, Eliseu Areco, afirma que é uma questão de orçamento. “Às vezes, temos orçamento para três ou quatro quadras. Há, por exemplo, locais que precisam de asfalto e já têm galerias. A pavimentação é feita primeiramente nesses pontos”, esclarece.
Asfaltadas ou não?
Na rua Benedito Leite Brito, no Jaraguá, algo intriga os moradores. “Na prefeitura, eles dizem que a via já está asfaltada de acordo com o cadastro”, afirma o morador Carlos dos Santos. Na rua, o único asfalto que se pode ver são placas que desceram com a enxurrada e ficaram na presos na erosão.
O secretário de Obras, Eliseu Areco, aponta que “isso não existe”. “Sempre uso o exemplo do Jardim Jussara. Era um lugar pavimentado e que perdeu o asfalto. Mas isso não influencia na nossa ação de pavimentação”, rebate.
Chuva deve continuar
De acordo com o IPMet, os próximos dias serão bastante chuvosos. De hoje até terça, a probabilidade de chuvas é de 80%, sendo mais intensas no período da tarde.
“No domingo, as chuvas continuam, entretanto, em menor volume. Mas vai ser um domingo bastante chuvoso. O mesmo vai ocorrer no começo da semana”, explica o meteorologista Bruno Lisboa Medina.
De acordo com ele, essas chuvas recentes foram causadas pela extensão de áreas de instabilidades que estavam concentradas na região central do país. As temperaturas, mesmo com as chuvas, não cairão muito. Segundo o IPMet, ficarão entre 20 e 30 graus.